Professor de Letras da UNIFAL-MG dá dicas sobre como melhorar produção de textos

Current Size: 100%

Versão para impressãoEnviar por email
Veja artigo divulgado no blog da Parábola Editorial

O blog da editora Parábola Editorial publicou um artigo do professor do curso de Letras da UNIFAL-MG, Robson Santos de Carvalho, no qual o docente descreve seis dicas para melhorar a produção de textos.

Confira:

Coesão textual: seis dicas para melhorá-la na produção de texto
Por Robson Carvalho in Parábola Editorial

O uso correto da coesão na produção textual

Você já deve ter ouvido alguém dizer: “Ah, eu até tenho boas ideias, mas não sei colocá-las no papel”. Pois é, isso normalmente acontece porque a pessoa deve ter alguma dificuldade com a coesão textual.

Muitas publicações falam sobre esse tema. Mas vamos tentar resumir em seis dicas aquilo que é mais importante de se pensar na hora da produção de texto.

Antes, porém, é preciso lembrar que coesão textual forma um tipo de “par” com a coerência. A coerência é o bom encaixe das ideias presentes num texto. Isto é, um texto coerente, normalmente faz sentido, porque as ideias (o seu conteúdo) estão convivendo harmoniosamente lá dentro. E como se consegue isso? Com a coesão textual.

E o que é a coesão textual? Basicamente é palavra certa no lugar certo. Quer dizer, o modo como você organiza as palavras no texto para que as pessoas entendam aquilo que você quer transmitir a elas quando forem ler o que você escreveu.

Então vamos às dicas de como melhorar a coesão na produção de texto:

1ª – Saber gramática não garante a coesão

De nada adianta saber a classificação de todos os pronomes, saber todas as conjunções, conhecer as características dos advérbios ou saber de cor as preposições!

Saber os nomes das categorias gramaticais, classificá-las ou mesmo ser capaz de identificá-las num texto não faz com que você saiba escrever um texto coeso.

No nível do texto, chamamos de “conectivos” as palavras fundamentais para que haja coesão. Com relação a essas palavras, o mais importante é saber que tipo de relação elas estabelecem entre as partes que conectam. Assim, importa menos saber se é um pronome ou advérbio e mais se, naquele contexto, expressa uma relação causal, temporal etc. (mas não para classificar!, repito).

2ª – Aprender a identificar as relações que certas palavras estabelecem no texto

Algumas palavras não têm um significado em si, mas são usadas nos textos para que as ideias ali presentes possam ser conectadas umas às outras. Você precisa aprender a identificar tais palavras (não para classificá-las gramaticalmente) e compreender que tipo de relação elas estabelecem entre as ideias do texto.

Por exemplo: Enquanto Plínio embarcava, Bianca chorava.

Na frase acima, temos duas informações básicas, duas ações praticadas por agentes distintos: Plínio embarcava, Bianca chorava. Olhando assim, uma coisa não tem nada a ver com a outra. No entanto, tem uma palavra que “conecta” essas duas ideias e faz com que elas se harmonizem, do ponto de vista do sentido. É a palavra “enquanto”.

Então, o que precisamos saber, nesse exemplo, é que a palavra “enquanto” estabelece uma relação de concomitância, isto é, as duas ações foram praticadas pelos dois agentes ao mesmo tempo. Não interessa que seja um advérbio. Interessa menos ainda saber sua classificação (de tempo). Importa saber que a palavra “enquanto” liga duas ideias do texto de forma a torná-lo coeso e coerente.

3ª – Trabalhar habilidades específicas relacionadas à coesão

Na matriz de referência do Saeb (que orienta a Prova Brasil, por exemplo) existem algumas habilidades de leitura relacionadas aos elementos coesivos (palavras ou recursos que garantem a coesão textual) e conhecê-las pode ser de grande ajuda na hora em que você for pensar o texto a ser escrito.

Por exemplo, estabelecer relações lógico-discursivas marcadas por conjunções, advérbios etc.; estabelecer relações entre partes de um texto identificando repetições ou substituições que garantam a continuidade e a progressão textuais; identificar os efeitos de sentido decorrentes do uso da pontuação e outras notações; identificar os efeitos de sentido decorrentes das escolhas lexicais etc.

4ª – Organize as ideias: da tempestade de ideias ao mapa conceitual

Talvez a maior dificuldade das pessoas na hora de escrever um texto é que as ideias estão na cabeça, mas não se sabe como colocá-las no papel. Muitas vezes essas ideias estão desorganizadas, portanto, uma boa dica é fazer uma tempestade de ideias.

Se você precisa escrever sobre algo, então ponha no papel todas as palavras que vierem a sua mente e que tenham relação com o assunto. Não se preocupe com a ordem, apenas escreva. Depois de algum tempo, provavelmente você terá enchido uma folha de papel com palavras.

O próximo passo é organizar essas palavras por meio de uma espécie de mapa conceitual. Isto é, das palavras escritas, você vai selecionar aquelas que considerar mais importantes, aquelas que revelam com mais clareza o assunto que será tratado no texto. Em seguida, será preciso estabelecer as relações entre essas palavras, normalmente relações de causa, efeito, simetria e/ou similaridade. Tudo isso indicado por setas e linhas que conectam as palavras. Você também pode usar expressões que indiquem claramente essas relações.

Ao final, você terá um esquema bem montado de como o assunto será desenvolvido no texto.

5ª – Inspire-se: leia bons textos

Outra dica é aumentar seu potencial de leitura. É muito importante ler bons textos e cada vez mais. Se o hábito da leitura ainda não faz parte do seu dia a dia, você terá de adquiri-lo aos poucos. Quanto mais você ler, mais contato terá com diferentes estruturas textuais e isso vai sendo gravado na sua memória textual. Ah, mas eu estou falando de ler livros, viu?! Leitura de internet nem sempre ajuda nesse aspecto. Assim, com o passar do tempo, associando mais leitura e mais atividades de escrita, você se tornará um escritor competente.

Mas que fique claro: ler se aprende lendo e, escrever, escrevendo. Não vá achando você que basta ler muito para se transformar num escritor porque isso não vai acontecer. É necessário praticar. Como tudo na vida em que se deseja excelência, a prática é fundamental.

6ª – Cuide da pontuação

Sabe-se que uma vírgula (ou a ausência dela) pode mudar tudo num texto. Então é preciso saber bem as regras de pontuação, certo? Errado! De nada adianta saber as regras de uso e não saber aplicar o recurso na hora da produção textual.

Aliás, tem muita coisa errada sobre a vírgula nos manuais de ensino, por exemplo, associar a vírgula a uma pausa na fala. Não tem nada a ver uma coisa com a outra. Quando lemos fluentemente, fazemos pausas onde não há vírgulas e “passamos direto” onde elas aparecem. Tanto é que a maioria das pessoas comete um erro condenado pelas gramáticas: separar sujeito de verbo com vírgula. E sabe por que isso ocorre? Porque, quando falamos, normalmente fazemos uma pausa entre o sujeito e a declaração que faremos a seu respeito, para facilitar a compreensão de quem nos ouve. Aí, quando vamos para a escrita, muita gente repete isso, marcando essa pausa com a vírgula, tal como a escola ensinou.

Também é preciso estar atento a funções que a vírgula pode assumir, por exemplo, em substituição a um elemento, tornando o texto mais fluido. Veja: Karina gosta de morangos, Moacir, de pêssegos.

Além da vírgula, também é preciso estar atento a outros sinais de pontuação e outras notações como o uso de aspas, reticências, negrito, itálico etc. Mas atenção: observe os “efeitos de sentido” gerados ao usar tais notações e não coloque o foco no recurso gráfico em si mesmo.

Bem, e que tal praticar um pouco agora? Vamos lá! Siga as dicas!

Link original do artigo: http://www.parabolaeditorial.com.br/blog/latest.html