Alternativa ao Uso de Animais para a Disciplina de Técnica Cirúrgica

O Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (CONCEA) torna público, documento que orienta sobre:

ALTERNATIVA AO USO DE ANIMAIS PARA A DISCIPLINA DE TÉCNICA CIRÚRGICA

Diversos cursos de medicina veterinária têm utilizado alternativas ao uso de animais nas aulas de técnica cirúrgica. A metodologia utilizada pode ser dividida em:

A. Substituição parcial do uso de animais vivos:

  • Cadáveres de animais são usados no início da disciplina;
  • Animais vivos são usados em uma segunda etapa da disciplina, podendo ser:
  • Animais que necessitam passar pela cirurgia de castração (Pavletic et al., 1994; University of California Center for Animal Alternatives, 1994);
  • Animais da rotina da clínica cirúrgica nos hospitais veterinários (Pavletic et al., 1994);
  • Animais que não necessitam de nenhuma cirurgia.

B. Substituição total do uso de animais vivos:

  • Cadáveres são utilizados para todo o treinamento dentro da disciplina de técnica cirúrgica.

Os cadáveres de animais têm origem dos hospitais veterinários, abrigos e centros de controle de zoonoses. Os animais vivos utilizados em cirurgias de castração têm origem de abrigos, centros de controle de zoonoses e de proprietários que desejam a castração dos seus animais (Duffe, 1999).

Para que os cadáveres mantenham as mesmas características encontradas num animal vivo, novas formas de conservação e manutenção desses cadáveres têm sido pesquisadas. O trabalho conjunto de áreas como anatomia e cirurgia permite uma melhor preservação dos cadáveres (Groscurth et al., 2001). A Técnica de Larssen modificada tem sido utilizada para a manutenção das características como cor e consistência de peças anatômicas, mostrando-se adequada para o treinamento das técnicas cirúrgicas, sendo um método bem aceito pelos alunos (Silva, 2003).

Na Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de São Paulo a mudança para a substituição total do uso de animais vivos nas aulas de técnica cirúrgica aconteceu em 1999. Outros cursos de medicina veterinária também já adotaram o método. 

Considerando que as alternativas apresentadas vão ao encontro dos objetivos do treinamento inicial em técnica cirúrgica, o CONCEA apoia as iniciativas dos cursos que estão utilizando métodos alternativos para esse fim.

Duffee N. Alternative training methods I: Proceedings of the 1998 LAWTE Meeting. Laboratory Animal, v.28, n. 5, p.32-36, 1999.
Groscurth P, Eggli P, Rager G, Hornung JP, Fasel JDH. Gross anatomy in surgical curriculum in Switerland: Improved cadaver preservation, anatomical models and course development. The Anatomical Record, v.265, p.254-256, 2001.
Pavletic MM, Schwartz A, Berg J, Kanapp D. An assessment of the outcome of alternative medical and surgical laboratory program at tufts University. Journal of American Veterinary Medical Association, v. 205, n. 1, p.97-100, 1994.
Silva RMG. Avaliação do método de ensino da Técnica Cirúrgica utilizando cadáveres quimicamente preservados. Dissertação apresentada ao Programa de Pós-graduação em Anatomia dos Animais Domésticos e Silvestres da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo para obtenção do título de Mestre em Ciências. 2003, 237p.
University of California Center for Animal Alternatives. What´s new in Veterinary Education. UC Alternatives, Research & Testing, n.2, Fall 1994. P.1-7. Disponível em:www.vetmed.ucdavis.edu/Animal_Alternatives/ucarer~2.nun. Acesso em 17 out. 2001.

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