SETEMBRO DOURADO: MÊS DA CONSCIENTIZAÇÃO SOBRE O CÂNCER INFANTOJUVENIL

Michelle Carvalho de Souza

Bolsista do Programa de Educação Tutorial – Enfermagem – SESu/MEC

 

 

  A criação das cores para cada mês do ano tem o objetivo de alertar sobre certas doenças e divulgar o esforço de diversas pessoas contra elas. Deste modo, os laços de fitas coloridos são usados como forma de conscientizar e chamar a atenção da população para as medidas de prevenção e combate as patologias, além de simbolizar cooperação e confraternização entre os cidadãos.

  Ao longo dos anos, a determinação das cores dos meses para os movimentos de saúde ocorreram de maneira isolada e sem monitoramento. Devido a isso, a mesma cor foi adotada por movimentos diferentes, como no caso do mês de setembro que recebeu a cor amarela representando o suicídio e o dourado para representar a conscientização sobre o câncer infantojuvenil (crianças e adolescentes entre 0 e 19 anos).

  O setembro dourado foi criado para alertar profissionais da saúde, pais, educadores e sociedade em geral sobre a importância de se atentar aos sinais e sintomas sugestivos do câncer infantojuvenil, contribuindo com a sua detecção e tratamento precoces. Para isso a campanha conta com ações educativas nas redes sociais e palestras para os profissionais da área. Essas ações também visam reivindicar os devidos investimentos na assistência a esses pacientes que “valem ouro”, por isso o dourado foi a cor escolhida.

  O câncer infantojuvenil é considerado uma patologia rara que apresenta características distintas, especialmente em relação à histopatologia e ao percurso clínico. Ele faz parte de um conjunto de doenças mais agressivas, com curtos períodos de latência e que se proliferam rapidamente. Entretanto, demonstra perspectivas de bom prognóstico, se houver um diagnóstico precoce com um tratamento rápido e eficaz, sendo que as chances de cura podem chegar a 80%.

  Para isso, é preciso ficar atento a certos sintomas que crianças e adolescentes podem apresentar, como palidez, dor óssea, hematomas ou sangramentos pelo corpo, caroços ou inchaços, especialmente se forem indolores e não acompanhados de febre ou outros sinais de infecção, perda de peso sem causa aparente, febre e sudorese noturna, tosse persistente ou falta de ar, alterações oculares (reflexo branco na pupila, estrabismo recente, perda visual, hematomas ou inchaço ao redor dos olhos), inchaço abdominal, dores de cabeça, especialmente se forem incomuns e contínuas, além de vômitos recorrentes pela manhã ou com piora durante o dia, dores nos membros e inchaços sem qualquer sinal de infecção ou trauma.

  O aparecimento de um ou mais desses sintomas não indica especificamente um diagnóstico de câncer, mas eles devem ser investigados através de uma avaliação de um especialista, com exames clínicos, radiológicos e laboratoriais.

  Quanto aos vários tipos de câncer infantojuvenil, há uma diferença entre os países. Naqueles em desenvolvimento, com uma população infantil de 50%, a proporção do câncer nas crianças representa de 3% a 10% do total de neoplasias. Já nos países desenvolvidos, essa proporção atinge somente cerca de 1% (Estimativa 2016: Incidência do câncer no Brasil – INCA e Ministério da Saúde).

  No Brasil, em 2013, houve aproximadamente 2.800 óbitos por câncer em crianças e adolescentes (de 0 a 19 anos). As neoplasias foram a segunda causa de morte em crianças e adolescentes (de 1 a 19 anos) nesse mesmo ano, ficando abaixo apenas dos óbitos por causas externas, configurando-se como a doença de maior letalidade (Estimativa 2016: Incidência do câncer no Brasil – INCA e Ministério da Saúde).

  De acordo com a estimativa do INCA e do Ministério da Saúde de 2016 a leucemia é o tipo de câncer infantojuvenil mais frequente na maioria das populações (25% a 35%). Os linfomas correspondem ao terceiro tipo mais comum nos países desenvolvidos, já nos países em desenvolvimento, ele ocupa o segundo lugar. Os tumores do sistema nervoso central ocorrem principalmente em crianças menores de 15 anos, com um pico na idade de 10 anos. Os tumores embrionários (retinoblastoma, neuroblastoma, tumor de Wilms), são responsáveis por cerca de 20% de todos os tumores infantojuvenis e quase nunca ocorrerão em outra faixa etária.

  Os fatores etiológicos para o câncer infantojuvenil são frequentemente tema de estudos. Dessa forma notou-se que os efeitos da exposição ambiental em crianças são de difícil avaliação e podem não ser um fator causal para o desenvolvimento da doença, diferentemente do que ocorre com os adultos. Por conseguinte, foi evidenciado que as exposições durante a concepção e vida intrauterina são consideradas o fator de risco mais adequado na etiologia desse grupo de neoplasias.

  Descobrir que uma criança ou um adolescente tem câncer é algo extremamente difícil de se enfrentar, ainda mais para os pais. No entanto, os progressos nas pesquisas e tratamentos tornaram a cura algo mais provável, especialmente quando a doença é identificada logo no início. Hoje, em torno de 70% das crianças e adolescentes com câncer podem ser curados e a maioria terá uma qualidade de vida satisfatória, se diagnosticados precocemente e tratados em centros especializados.

  Diante deste cenário, torna-se necessário a criação de redes de apoio às crianças, adolescentes e suas famílias com o intuito de oferecer suportes clínico, emocional, financeiro e material afim de propiciar um cuidado holístico e individualizado a cada um, com o objetivo principal de minimizar ao máximo os possíveis agravos causados pelo câncer em suas vidas.

  No Brasil, existe a Confederação Nacional das Instituições de Apoio e Assistência à Criança e ao Adolescente com Câncer, onde 52 instituições se juntaram para construir uma nova realidade no âmbito da oncologia. Essa nova visão busca proporcionar maior segurança e dignidade aos portadores de câncer infantojuvenil, além de promover um olhar mais sensível às crianças e aos adolescentes com câncer e suas famílias.

  De qualquer forma e em qualquer ocasião, cuidar de nossas crianças e adolescentes é de extrema importância, visto que eles são o futuro da nação e a esperança que todos nós temos de viver em um mundo melhor. Por isso, vamos vestir o Brasil de dourado e propagar o máximo de informações e conhecimentos possíveis sobre o câncer infantojuvenil e o setembro dourado, para que assim e não só nesse mês todas as crianças e adolescentes possam obter maiores chances de se curar e viver com qualidade de vida.

  

Fontes eletrônicas: Estimativa 2016 – Incidência do Câncer no Brasil (INCA; Ministério da Saúde); Fundação Sara; Governo do Estado do Ceará; Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA); Instituto Oncológico de Ribeirão Preto (INORP); Grupo Santa Casa de Belo Horizonte; setembrodourado.org.

Colaboradoras: Prof.ª Dr.ª Adriana Olímpia Barbosa Felipe; Prof.ª Dr.ª Erika de Cássia Lopes Chaves; PET - Enfermagem.