Memórias da Pandemia

O material recebido foi avaliado e os relatos selecionados publicados. A comissão curatorial é composta pela discente do curso de História Evelyn Soares e as professoras Lívia Monteiro Nascimento e Marta Gouveia de Oliveira Rovai.

DIA 19 DE JUNHO DE 2020 – SEXTA-FEIRA

WAL ALVES, natural de Alfenas, Branca, Transgênera, 44 anos

Do que você vai se lembrar sobre a pandemia do coronavírus?

Me lembro de quando começou e quando vi na Itália pensei é questão de tempo chegará no Brasil a inércia do governo e por ser agente de saúde me deixou em estado de choque ver que até agora nada foi feito me levou ao grau máximo de stress , nunca me vi tomando medicação para depressão e ansiedade e remédio para dormir hoje faço isto ter uma mãe idosa em casa é fator de mais medo ainda com certeza não sou mais a mesma minha esperança é a vacina ainda não criei lembranças porquê ainda estamos no meio desta pandemia, traumas tenho muitos e rezo para que isto seja apenas uma fase e logo vire lembranças

E o que pretende esquecer?

Nunca vou esquecer está doença não deixa a gente fazer planos e o que quero é um dia não esquecer mas lembrar de quem eu era antes desta pandemia e tentar me resgatar,

O que mudou na sua relação com as pessoas próximas – grupos afetivos e meios em que vive – como a relação com os animais, formas de habitação, meios de consumo – durante a pandemia?

O que mudou foi o cuidado redobrado em proteger minha mãe, profissionalmente nada mudou ainda estou na linha de frente, minha relação a amigos não saio e não os vejo pessoalmente desde que tudo começou, minha melhor companhia hoje é a sol minha cachorrinha que percebe que não estou bem e insiste em dormir comigo toda noite, decidi não comprar nada e olho minhas roupas *de sair” mofando no guarda roupa descobri que o pouco que tinha já era muito virou supérfluo.

Conte-nos sobre sua rotina durante a pandemia (esse espaço é reservado para qualquer comentário que queira deixar registrado).

Trabalho me proteger , cuida da higiene da casa ao extremo a noite assistir filmes e séries antigas que me trás lembranças de quando o mundo era normal

Escreva 5 palavras que definem esse momento para você.

Ansiedade, tristeza, lágrimas , esperança e fé.

 

BRUNA PIMENTEL MENDES, natural de Machado, professora da rede municipal do município de Alfenas, 32 anos.

Do que você vai se lembrar sobre a pandemia do coronavírus?

Das novas possibilidades de se manter bem tanto emocionalmente como fisicamente. Das aproximações mesmo que distantes, da empatia das pessoas e auxílio ao próximo.

E o que pretende esquecer?

Do desgoverno do nosso país! (Mas vai ser difícil)

O que mudou na sua relação com as pessoas próximas – grupos afetivos e meios em que vive – como a relação com os animais, formas de habitação, meios de consumo – durante a pandemia?

Mais cautelosa em cuidar dos animais e daqueles que vivem comigo, contado com pessoas de fora somente pelas redes sociais, enfim tomando todas a precauções possíveis!

Conte-nos sobre sua rotina durante a pandemia (esse espaço é reservado para qualquer comentário que queira deixar registrado).

Realizado cursos EAD, fazendo meditação, leitura l, entre outros

Escreva 5 palavras que definem esse momento para você.

Desespero, cautela, resiliência, cuidado, empatia
Discente do curso de História da Universidade Federal de Alfenas, brasileiro, branco, masculino, 25 anos.

Do que você vai se lembrar sobre a pandemia do coronavírus?

Dos primeiros meses de vida do meu filho

E o que pretende esquecer?

Toda a parte política-social

O que mudou na sua relação com as pessoas próximas – grupos afetivos e meios em que vive – como a relação com os animais, formas de habitação, meios de consumo – durante a pandemia?

Acabei me distanciando muito socialmente das pessoas próximas a mim, já que detesto conversar por rede social.

Conte-nos sobre sua rotina durante a pandemia (esse espaço é reservado para qualquer comentário que queira deixar registrado).

– Acordar
– Ir panhar café
– Assistir futebol
– Beber
– Ver meu filho
– Dormir

Escreva 5 palavras que definem esse momento para você.

– Alcoolgel
– Mascara
– Auxilio-Emergencial
– Latão de Bavaria
– 40 real a lata de leite

AUGUSTO CÉSAR SILVA DE OLIVEIRA.brasileiro, masculino, de Alfenas MG, discente do curso da Universidade Federal de Alfenas, 22 anos.

Do que você vai se lembrar sobre a pandemia do coronavírus?

Irei me lembrar principalmente do isolamento social e de como os processos de segurança acabaram se naturalizando. Hoje em dia eu não assisto a um filme ou uma reportagem de antes da pandemia e não me imagino: ‘olha que engraçado o pessoal se aglomerando e não usando máscaras’. Mesmo que eu me lembre desses detalhes, ainda torço para que tudo volte ao normal.
Um outro ponto importante é o fluxo de informação gigantesco, principalmente sobre as incertezas sobre o vírus, o índice de mortes e as medidas de segurança repassadas pelos canais de comunicação.
A fé é algo que irei levar na lembrança também, nesse tempo tempestuoso enxerguei mais pessoas voltadas para suas religiões ou para qualquer outro lugar que as conforte.

E o que pretende esquecer?

Acho que não pretendo esquecer de nada, mesmo que algumas lembranças sejam dolorosas é importante para nosso crescimento enquanto pessoa e sociedade.

O que mudou na sua relação com as pessoas próximas – grupos afetivos e meios em que vive – como a relação com os animais, formas de habitação, meios de consumo – durante a pandemia?

Aproximei-me muito da minha família nesse tempo, principalmente da minha mãe. Creio que essa incerteza sobre nossas vidas acabam nos proporcionando uma maior reflexão sobre o que é ou não efêmero. Com tudo o que o mundo e as pessoas têm passado enxerguei uma maneira nova de refletir sobre tudo, já não almejo coisas mesquinhas e coisas sem sentido coletivo, ocasionando em uma mudança nos meios de consumo. Nesse tempo me dediquei a agricultura de subsistência, algo que considero positivo para a distração da mente em forma de rotina, a inserção com a natureza e o consumo de alimentos orgânicos.

Conte-nos sobre sua rotina durante a pandemia (esse espaço é reservado para qualquer comentário que queira deixar registrado).

Minha rotina tem sido um pouco diferente, já mencionei sobre a agricultura, mas tirei um tempinho para adiantar o TCC e ficar um cadinho mais livre e sem preocupação no término da faculdade. Outra coisa que tenho feito é continuar com a leitura de livros de literatura, e não os acadêmicos que o TCC cobra, e também me exercitado em casa.

Escreva 5 palavras que definem esse momento para você.

Reflexão, coletivo, saudade, respeito e empatia
TATYANE RODRIGUES MORAIS PESSOA, natural de Alfenas,branca, professora da 
rede Municipal e Estadual de Alfenas, mãe de uma princesa de 18 anos, 40 anos.

Do que você vai se lembrar sobre a pandemia do coronavírus?

Me lembrarei das divergências de opiniões na politica especialmente no Brasil. E da minha enorme preocupação sobre essas decisões.

E o que pretende esquecer?
Do medo e das incertezas à cerca dessa doença e de nosso futuro.
O que mudou na sua relação com as pessoas próximas – grupos afetivos e meios em que vive – como a relação com os animais, formas de habitação, meios de consumo – durante a pandemia?
Eu não visito mais meus familiares e nem recebo visitas. Só saio quando tenho extrema necessidade. Apenas para ir a farmácia e ao supermercado.

Conte-nos sobre sua rotina durante a pandemia (esse espaço é reservado para qualquer comentário que queira deixar registrado).

Nos primeiros 15 dias, com a ilusão de que passaria rápido, ficamos descansando. Comendo besteiras, dormindo e acordando fora de hora. Passado esse tempo, em um momento de reflexão eu decidi criar uma rotina diária e estabelecer horários.
Escreva 5 palavras que definem esse momento para você.
Fé, resignação, auto-conhecimento, amor, incerteza.

DIA 20 DE JUNHO DE 2020 – SÁBADO

Rafaela, natural de Boa Esperança, Preta, Discente do Curso de História da Universidade Federal de Alfenas, 26 anos.

Do que você vai se lembrar sobre a pandemia do coronavírus?

Sobre a pandemia lembrarei de muitas coisas.. Lembrarei de sonhos e projetos interrompidos, de estar em uma situação de guerra mesmo não estando em uma. Lembrarei também da imbecilidade do país, do desgoverno, das fakes news e de como elas juntamente com o descaso governamental provocaram tantas mortes e mesmo assim as pessoas permanecem inertes a tudo que acontece a sua volta. Não imaginava passar por um momento como esse. Lembrarei que em situações como essas vemos em quem podemos contar e como conhecemos as pessoas verdadeiramente.
E o que pretende esquecer?
É difícil definir algo que esquecerei, não esquecerei nada, acredito. Isso de uma forma ou de outra, fará parte da minha vida. Posso é tentar lidar com questões que queria esquecer, mas que serão difíceis. O melhor é saber lidar com isso lá na frente.

 

O que mudou na sua relação com as pessoas próximas – grupos afetivos e meios em que vive – como a relação com os animais, formas de habitação, meios de consumo – durante a pandemia?

A pandemia fez eu economizar demais e me fez pensar nessa parte com mais cuidado, pensando no meu futuro.
Percebi que minha relação com minha mãe tem se tornado um pouco difícil, porém, ao mesmo tempo estamos mais unidas e construindo uma relação forte. Vejo isso também com meu pai, compreender o que se passa com ele. Sinto falta das amizades, das minhas irmãs.
Sobre animais, sempre tive uma relação boa, de alguma forma tento ajudar no que posso.

 

Conte-nos sobre sua rotina durante a pandemia (esse espaço é reservado para qualquer comentário que queira deixar registrado).

No começo da pandemia foi bem difícil, comecei a ter alguns sintomas de ansiedade que não tinha tido antes e foi muito ruim. Agora tenho mantido uma rotina. Acordo, tomo meu café, estudo e faço o que tenho que fazer em casa, ouço muita música e tenho lido alguns livros. Quero tentar caminhar ou andar de bicicleta em um horário que não vá ninguém ( dei uma engordadinha rsrs). Mas acaba que minha rotina está sendo a mesma de antes da pandemia, não houve muitas alterações. Percebi que tenho tido mais cuidado comigo. Tenho autoestima baixa e um tempo atrás estava tudo ok, mas agora com a pandemia, com as questões raciais e mais “n” outras, isso mexeu demais, me deixou pra baixo e vair ser um novo começo pra lidar comigo e com a construção do meu( essa construção eu tenho feito através das leituras, do autocuidado e confiando no tempo)

 

Escreva 5 palavras que definem esse momento para você.

Fé, Medo, Ansiedade, União, Esperança

Tatiana Vilela Alvarenga Thiers, natural de Alfenas, Branca, professora da rede estadual do município de Alfenas, 31 anos.

Do que você vai se lembrar sobre a pandemia do coronavírus?

Me lembrarei de um tempo onde aprendi a dar mais valor aquilo que tenho. No cotidiano corrido, trabalho, estudos, dedicação, roupa, louça, boletos, tudo num piscar de olhos e vamos deixando de lado laços, verdadeiros laços com aqueles que estão a nossa volta. Nossa, mas eles eram tão importantes assim?
Pois é, bastou um isolamento social para termos certeza disso. Alguns aprenderam a conviver consigo mesmo, poxa, eu não sabia que minha cia poderia ser tão agradável em alguns momentos e tão insuportáveis em outros. Outros em meio a uma pandemia não puderam sentir o gosto do que é o isolamento social, claro, não podemos esquecer aqueles que não puderam nem por um dia, talvez uma semana parar, afinal se parar, o que comer?
Pandemia foi um ponto e vírgula na minha vida e na de outras pessoas, infelizmente um ponto final em muitas.
Hoje escrevendo aqui algumas palavras, espero sinceramente que a pandemia não seja um ponto final na minha e na sua que teve a bela criatividade de criar esse ‘memorial’. Que os anos passem e que tenhamos a chance de ler isso lá na frente…

 

E o que pretende esquecer?

Não pretendo esquecer, não acho que seja necessário, afinal até o momento preciso ser grata, é lembrando que dou valor ao que tenho, que agradeço por não ter sido ainda contaminada. Talvez muitos pretendam esquecer, e claro, eles têm seus motivos.

 

O que mudou na sua relação com as pessoas próximas – grupos afetivos e meios em que vive – como a relação com os animais, formas de habitação, meios de consumo – durante a pandemia?

Minha relação familiar se tornou mais intensa, no começo evitava até de entrar dentro da casa dos meus pais. A filha que ia na porta, mas que lá dentro não botava os pés. Mas o destino me pregou uma peça, um pé quebrado, um gesso até o joelho, recomendação médica de não pisar por seis semanas. Recurso? Mãe! Mãe e família, foram eles que estiveram nos dias de semana enquanto o marido trabalhava ao meu lado. Todo aquele medo precisou ser substituído, a dor que eu sentia estava forte e não conseguia me virar sozinha, fazer coisas que antes eram tão simples e precisei deles ao meu lado. Por sorte, até então a nossa cidade não estava com muitos casos.

 

Conte-nos sobre sua rotina durante a pandemia (esse espaço é reservado para qualquer comentário que queira deixar registrado).

Rotina? Nem sei se saberei novamente seguir uma…
O que mais fui afetada nessa pandemia foi na rotina. Planos tive vários, acordar tal horário, ler tantas páginas do livro, estudar isso e aquilo, trabalhar remotamente, almoçar tal hora, assistir esse filme, aquela série x , etc.
A realidade foi outra, me perdi totalmente, e quer saber? Como é bom se perder em si mesma às vezes né? Como é bom não ter compromisso com nada pelo menos por um tempo.
Sim, o vazio chega, aqui ele já chegou, porém não posso mentir e esconder a parte boa, foi ótimo ir dormir a hora que eu quisesse, acordar a hora que eu quisesse. Ser e fazer o que eu queremos, mesmo que o que se queira seja NADA. Ter tido tempo para não fazer nada, não produzir nada foi muito bom, não posso negar. Claro, já cansei, mas foi importante!

 

Escreva 5 palavras que definem esse momento para você.

Empatia, Gratidão, Ansiedade, Medo, Esperança
Mara Helena Lopes Ferreira, Preta, Discente do Curso de História da Universidade Federal de Alfenas, 23 anos.

Do que você vai se lembrar sobre a pandemia do coronavírus?

Vou me recordar, infelizmente, da desastrosa passagem do governo Bolsonarista 2018-2022. Não só pela completa falta de governabilidade, ou empatia, até mesmo Fascismo em acensão. Mas também, pela displicência em deixar o povo a mercê do vírus, não importando com as medidas de segurança recomendas pela OMS, ademais, insinuando que o coronavírus não passava de uma ” gripezinha”. Incentivando a flexibilização do comércio em nome da economia.

 

E o que pretende esquecer?

Acredito que nada, falando enquanto uma futura historiadora em formação, acredito que seja demasiado importante que estejamos atentos a todos os detalhes das narrativas históricas, e também o cenário.

 

O que mudou na sua relação com as pessoas próximas – grupos afetivos e meios em que vive – como a relação com os animais, formas de habitação, meios de consumo – durante a pandemia?

saudade é a palavra; saudade dos amigos, da faculdade e até mesmo do trabalho. Nunca se percebeu tanto, como nesta pandemia, como o afeto, aproximação, uma boa conversa, uma cerveja gelada em um barzinho faz falta. Em relação aos animais, a quarentena realmente despertou outros sentidos para a vida, eu por exemplo, devido estar tão atarefada e preocupada com a limpeza diária da casa, nunca pensei em ter bichinhos. Entretanto, devido a carência, e também um amor que floresceu, adotei logo um gato, um cachorro. Núbia e Capitu, meus amores! Os consumos continuam os mesmos, claro com um diferencial por conta do distanciamento social.

 

Conte-nos sobre sua rotina durante a pandemia (esse espaço é reservado para qualquer comentário que queira deixar registrado).

Eu voltei com um interesse ávido pela leitura, e por novas formas de conhecimento. Sou uma pessoa habita da madrugada. Então, estudo, leio ( inclusive estou lendo George Orwell 1984). E está sendo cirúrgico, e também assustador para este momento que estamos vivendo.

 

Escreva 5 palavras que definem esse momento para você.

Espiritualizada, Consciente, frustrada, Ansiosa, com expectativas.

DIA 21 DE JUNHO DE 2020 – DOMINGO

Heloísa, natural de Pains MG, branca, 67 anos.

Do que você vai se lembrar sobre a pandemia do coronavírus?

Da tristeza de tantas mortes. Do isolamento social

E o que pretende esquecer?

De tudo que causou sofrimento.

O que mudou na sua relação com as pessoas próximas – grupos afetivos e meios em que vive – como a relação com os animais, formas de habitação, meios de consumo – durante a pandemia?

Muitas coisas. Inclusive as compras de itens essenciais. Alimentos, medicamentos e etc.

Conte-nos sobre sua rotina durante a pandemia (esse espaço é reservado para qualquer comentário que queira deixar registrado).

Foi um tédio o tal isolamento. Fez tudo mudar na minha vida! Fique totalmente dependendo dos meus filhos.

Escreva 5 palavras que definem esse momento para você.

Tristeza, tédio, saudade, ansiedade e dúvida.

DIA 22 DE JUNHO DE 2020 – SEGUNDA-FEIRA

Renata Sebastiana dos Santos,, natural de Alfenas, cor/raça: prefiro não declarar, feminino cis,  42 anos

 

Do que você vai se lembrar sobre a pandemia do coronavírus?

Tantas coisas…
Da solidariedade de pessoas e instituições que conheço.
Da desigualdade social evidenciada pela falta de acesso aos canais digitas de comunicação.
Do compartilhamento do saber científico.
Do meu amigo Edmar que perdeu sua mãe para o covid 19.
Da minha avó, falecida no início da pandemia, de morte natural. Parece ter morrido de tristeza ao ficar isolada apenas com uma das filhas.
Da minha atuação profissional e da parceria com meus alunos.
Das professoras e professores se reinventando.
Da Guiomar de Namo Melo palestrando em uma live sobre o uso das tecnologias pelos docentes, como algo necessário e que já deveria ter acontecido; mas paradoxalmente, se atrapalhando a todo momento com o áudio.
Da proximidade que aumentou entre minhas filhas e eu.
Da sobrecarga de trabalho.
Das disputas políticas em meio à pandemia.

 

E o que pretende esquecer?

Não quero me esquecer de absolutamente nada.
Tudo, de alguma forma, corrobora para nossa construção.

 

O que mudou na sua relação com as pessoas próximas – grupos afetivos e meios em que vive – como a relação com os animais, formas de habitação, meios de consumo – durante a pandemia?

grupos afetivos- as relações familiares e de amizade estão mais fortalecidas, mesmo distante. A proximidade da morte, ressignifica a valoração que damos ao outro.
e meios em que vive – não comprendi esse item.
a relação com os animais- estamos mais próximos, uma gato de rua, parece querer nos adotar aqui em casa, rs
formas de habitação- maior cuidado com minha casa.
meios de consumo – inicialmente aumentei o consumo de fast food e depois adequamos a uma alimentação mais saudável.

 

Conte-nos sobre sua rotina durante a pandemia (esse espaço é reservado para qualquer comentário que queira deixar registrado).

Inicialmente fiquei muito perdida.
Trabalhava mais de 16 horas por dia, quase não dormia e quando dormia, tinha pesadelos.
Agora estou melhorando.

 

Escreva 5 palavras que definem esse momento para você.

Estudo, Família, Saudade, Nostalgia,Desigualdade

DIA 23 DE JUNHO DE 2020 – TERÇA-FEIRA

 

Hugo Fernandes Faria, natural de Piedade do Rio Grande – MG, pardo, masculino,  23 anos.

Do que você vai se lembrar sobre a pandemia do coronavírus?

Bom, eu ainda não sei ao certo o que vai mais ser lembrado por mim sobre a pandemia, pois acho que ainda não estamos perto de vencê-la, mas com a esperança ainda de podermos dar a volta por cima e conseguir sair dessa vitoriosos. Mas o que mais está afetando minha memória sobre a pandemia é o contato direto com familiares e amigos, onde não se pode sequer dar um abraço, um aperto de mão, um beijo no rosto de uma pessoa queria para você. Ainda mais que eu sou muito carinhoso, gosto muito de contato físico, estou sentindo muito isso. Mas estou me acostumando aos poucos com essa nova rotina, sofrendo um pouco também, mas uma hora isso tudo vai passar.

E o que pretende esquecer?

O que quero esquecer é todo esse caos que estamos vivendo (principalmente aqui no Brasil). Não tive pessoas que conheço que foram afetadas por esse novo vírus, então ainda não sei como é lidar com a perda de um ente querido, ou até mesmo algum conhecido. Mas é isso, quero esquecer toda essa perda que nós estamos vivendo, porque não vai ser fácil no futuro lembrar disso tudo e fingir que nada aconteceu.

O que mudou na sua relação com as pessoas próximas – grupos afetivos e meios em que vive – como a relação com os animais, formas de habitação, meios de consumo – durante a pandemia?

O que mais mudou foi o deslocamento para alguns lugares onde eu era acostumado a sempre ir, poder ir na casa dos meus avós, ir na casa dos meus parentes, na casa dos meus amigos e também poder praticar esporte, que é uma coisa muito importante para mim. Minha relação com animais sempre foi muito apagada, não possuo nenhum animal de estimação e isso não me fez mudar minha relação a tal. Minha forma de habitação ta sendo em casa. As vezes faço faço umas compras para meus avós, para que eles não possam se deslocar de sua casa, vou aos mercados fazer comprar para minha casa e vai indo. O consumo continua sendo o mesmo de antes, nada mudou, por enquanto.

Conte-nos sobre sua rotina durante a pandemia (esse espaço é reservado para qualquer comentário que queira deixar registrado).

Minha rotina na pandemia é ficar em casa, as vezes jogo alguns jogos para entreter um pouco, ajudo meus pais nos deveres de casa, fazendo almoço, limpando casa, quintal, etc.
As vezes vou fazer exercícios físicos, leio algumas notícias na internet, leio alguns textos acadêmicos. Mas o que mais estou fazendo durante essa pandemia é dormir.

Escreva 5 palavras que definem esse momento para você.

Medo, Incerteza, Aflição, Saudade, Esperança

DIA 30 DE JUNHO DE JUNHO – TERÇA FEIRA

Vanderleia de Fátima Terra Santos, natural de Alterosa, Branca, feminina, 44 anos

 

Do que você vai se lembrar sobre a pandemia do coronavírus?

Época em que o mundo enfrentou muitas dificuldades.

 

E o que pretende esquecer?

Deste vírus… coronavirus

 

O que mudou na sua relação com as pessoas próximas – grupos afetivos e meios em que vive – como a relação com os animais, formas de habitação, meios de consumo – durante a pandemia?

Mais amor ao próximo

 

Conte-nos sobre sua rotina durante a pandemia (esse espaço é reservado para qualquer comentário que queira deixar registrado).

Trabalho em casa.

 

Escreva 5 palavras que definem esse momento para você.

Amor… fraternidade…companheirismo... humildade… compaixão


Maria das Graças Fernandes da Silva, natural de Alfenas, MG, Branca, Feminino, 48 anos, professora da rede estadual do município de Alfenas e discente do curso de Letras da Universidade Federal de Alfenas.

Do que você vai se lembrar sobre a pandemia do coronavírus?

Da morte de muitas pessoas

E o que pretende esquecer?

Da tristeza e dor que tudo isso causou.

O que mudou na sua relação com as pessoas próximas – grupos afetivos e meios em que vive – como a relação com os animais, formas de habitação, meios de consumo – durante a pandemia?

Restrição ao convívio social.

Conte-nos sobre sua rotina durante a pandemia (esse espaço é reservado para qualquer comentário que queira deixar registrado).

Ficar em casa, atividades online no trabalho e estudo.

Escreva 5 palavras que definem esse momento para você.

Incerteza, angústia, sofrimento, medo e esperança.
Cláudia, natural de Machado/MG, Branca, Feminino, professora, 36 anos.

Do que você vai se lembrar sobre a pandemia do coronavírus?

Do afastamento social. De não poder abraçar meus pais, meus avós e meus amigos. Ter que conversar com pessoas que amo tanto só de modo virtual ou atrás de portões me marcou demais.

E o que pretende esquecer?

Esquecer da irresponsabilidade de tantas pessoas que negam a existência de um vírus fatal para muitos que amamos. Se comprometer com o isolamento enquanto tantos estão se expondo desnecessariamente me irrita.

O que mudou na sua relação com as pessoas próximas – grupos afetivos e meios em que vive – como a relação com os animais, formas de habitação, meios de consumo – durante a pandemia?

Adotei um cachorro, estou cultivando muitas plantas. Passei a comprar mais ainda pela internet e ter contato o mínimo possível com pessoas.

Conte-nos sobre sua rotina durante a pandemia (esse espaço é reservado para qualquer comentário que queira deixar registrado).

Meu sono está irregular..troco a noite pelo dia e precisei tomar psicotrópicos para controlar a ansiedade. Engordei bastante e me sinto mais irritada e desanimada para os afazeres.

Escreva 5 palavras que definem esse momento para você.

Cansada, Preocupada, Angustiada, Insegura, Exausta

Matheus, natural de Machado/MG, branca, Masculino, 43 anos, professor.

Do que você vai se lembrar sobre a pandemia do coronavírus?

Não poder abraçar minha mãe e meus filhos

E o que pretende esquecer?

A agonia do confinamento

O que mudou na sua relação com as pessoas próximas – grupos afetivos e meios em que vive – como a relação com os animais, formas de habitação, meios de consumo – durante a pandemia?

Passei a comer exageradamente e a relação com o dog ficou.muito intensa

Conte-nos sobre sua rotina durante a pandemia (esse espaço é reservado para qualquer comentário que queira deixar registrado).

Aulas, aulas e mais aulas e, nos momentos de descanso, palestras…

Escreva 5 palavras que definem esse momento para você.

Solidão existencial, Agonia, Agorafobia, Angústia, Desilusão
Carlos, natural de São Paulo, Negro,  Masculino, 37 anos, discente do curso de História da Universidade Federal de Alfenas.

 

Do que você vai se lembrar sobre a pandemia do coronavírus?

Momentos com meus filhos e esposa

 

E o que pretende esquecer?

Saudades de minha mãe e irmaos

 

O que mudou na sua relação com as pessoas próximas – grupos afetivos e meios em que vive – como a relação com os animais, formas de habitação, meios de consumo – durante a pandemia?

Uso de máscara e álcool gel

 

Conte-nos sobre sua rotina durante a pandemia (esse espaço é reservado para qualquer comentário que queira deixar registrado).

Trabalhando e momentos com a familial

 

Escreva 5 palavras que definem esse momento para você.

Saudades – esperança -fé -união- Deus
Cristiane de Ávila, natural de São Paulo, branca, Cis, 34 anos, professora da rede estadual de Alfenas-MG.

 

Do que você vai se lembrar sobre a pandemia do coronavírus?

Do governo genocida e da triste coincidência da pandemia acontecerem juntos!

E o que pretende esquecer?

Não consegui pensar em uma resposta adequada para essa pergunta. Talvez não queira esquecer nada.

O que mudou na sua relação com as pessoas próximas – grupos afetivos e meios em que vive – como a relação com os animais, formas de habitação, meios de consumo – durante a pandemia?

Sou professora e não ter o contato afetivo físico com meus alunos têm sido bastante difícil. Nossa relação agora não é mais de professora e aluno, mas sim de tutora e aluno de EAD.

Conte-nos sobre sua rotina durante a pandemia (esse espaço é reservado para qualquer comentário que queira deixar registrado).

Me perdi na rotina. Sem sair de casa e com trabalho remoto minha insônia ficou pior e sem horário para sair de casa acabo fazendo meu horário em casa sem uma rotina fixa.

Escreva 5 palavras que definem esse momento para você.

Resiliência, Disponibilidade, Respeito, Compaixão, Capacitação
Renata Elias Vieira Damas,  natural de Alfenas/MG, Branca, Feminino, 50 anos, professora da rede estadual do município de Alfenas/MG.

Do que você vai se lembrar sobre a pandemia do coronavírus?

Isolamento social, medo, desemprego, politicagem …

 

E o que pretende esquecer?

Quero esquecer do pânico das pessoas, medo….

 

O que mudou na sua relação com as pessoas próximas – grupos afetivos e meios em que vive – como a relação com os animais, formas de habitação, meios de consumo – durante a pandemia?

Mudou tudo. Saio por necessidade e contato restrito.

 

Conte-nos sobre sua rotina durante a pandemia (esse espaço é reservado para qualquer comentário que queira deixar registrado).

Saio somente para ir ao supermercado, padaria e ajudar minha mãe que você sozinha.

 

Escreva 5 palavras que definem esse momento para você.

Medo, Insegura, Desemprego, Impotência diante do próximo, Saudades
Juliana , natural de Carvalhópolis/MG, Parda, Feminino, 33 anos, professora da rede estadual de Alfenas/MG.

Do que você vai se lembrar sobre a pandemia do coronavírus?

Dos momentos bons junto a família. Pois, com a rotina e correria do dia a dia, essa essência não era notada.

E o que pretende esquecer?

Quero esquecer dessa insegurança e instabilidade da qual um vírus foi capaz de instaurar em toda a sociedade.

 

O que mudou na sua relação com as pessoas próximas – grupos afetivos e meios em que vive – como a relação com os animais, formas de habitação, meios de consumo – durante a pandemia?

Passei a valorizar mais um simples momento de encontro durante o almoço com a família, a olhar com outros olhos a importância do apoio aos estudos de minha filha, até mesmo no momento de sentar-se na rede na varanda e ouvir os pássaros cantando e voando em um céu mais azul, menos poluído. Estou aprendendo a economizar mais pensando naqueles que não tem o alimento nosso de cada dia por terem perdido seus empregos e seu meio de sobrevivência. E também a observar como é bom o conforto de nossas casas, que antes não tínhamos muito tempo para dedicar.

 

Conte-nos sobre sua rotina durante a pandemia (esse espaço é reservado para qualquer comentário que queira deixar registrado).

Ao despertar, me dedico a organização da casa, cuido das plantas, assisto vídeos úteis e que auxiliam no meu conhecimento, atendo a minha equipe de trabalho quando necessário, cuido da família, assistimos filmes de comédia para não focar em assuntos que possam desfavorecer uma energia harmônica, conversamos mais entre nós. Sobra tempo até mesmo para exercícios físicos (abandonando um pouco o sedentarismo rs).

 

Escreva 5 palavras que definem esse momento para você.

Reflexão, Descoberta, Recomeço, União, Compaixão
Carolina Abreu Bentes, natural de Campinas/SP, Parda, Feminino, 18 anos, discente do curso de Letras da Universidade Federal de Alfenas/MG. 

Do que você vai se lembrar sobre a pandemia do coronavírus?

Um período difícil, tanto o isolamento social quanto o covid em si.

 

E o que pretende esquecer?

Os sentimentos de estar preso e a máscara tampando minha respiração.

 

O que mudou na sua relação com as pessoas próximas – grupos afetivos e meios em que vive – como a relação com os animais, formas de habitação, meios de consumo – durante a pandemia?

O pessoal está mais unido, sem brigas. O convívio diário tem sido mais fácil.

 

Conte-nos sobre sua rotina durante a pandemia (esse espaço é reservado para qualquer comentário que queira deixar registrado).

Dormir, comer, internet.família e estudo.

 

Escreva 5 palavras que definem esse momento para você.

Tédio, sono, máscara, Comer e comida.
DIA 01 DE JULHO DE 2020 – QUARTA-FEIRA
Gustavo, natural de São Paulo/SP, branco, masculino, 33 anos, professor da rede estadual de ensino.

Do que você vai se lembrar sobre a pandemia do coronavírus?

Vou me lembrar que foi um momento no qual as pessoas olharam pra si mesmas, e que isso as deixou desesperadas. Vou me lembrar que fomos obrigados a nos aturar, e que sobrevivemos. Vou me lembrar de porres homéricos, pois cabeça vazia é a oficina do diabo, dizem, e em muito momentos o tédio imperava. Vou me lembrar de sementes que não germinaram. Vou me lembrar de todos os excessos. Mas acima de tudo, espero conseguir me lembrar, estar aqui pra me lembrar, visto que o número de casos aumenta.

 

E o que pretende esquecer?

Não pretendo me esquecer de nada. Se me esquecesse, não tiraria nada da experiência, seja boa ou ruim.

 

O que mudou na sua relação com as pessoas próximas – grupos afetivos e meios em que vive – como a relação com os animais, formas de habitação, meios de consumo – durante a pandemia?

Eu me tornei mais seletivo em relação as pessoas com quem convivo, ou pelo menos penso que me tornei. Fora isso, não me relaciono com animais, a não ser as pessoas mesmo. Acredito que eu tenha aproveitado alguns espaços da minha casa, que antes eu não havia feito. Também passei a consumir mais álcool.

 

Conte-nos sobre sua rotina durante a pandemia (esse espaço é reservado para qualquer comentário que queira deixar registrado).

Não existe uma rotina na pandemia, ainda que eu fique dentro de casa. Há uma total desordem na rotina, nos horários. Você dorme na hora de acordar, acorda na hora de dormir. Almoça na janta, janta no almoço. Isso se tiver ânimo de cozinhar, caso contrário você acaba comendo qualquer bobagem, ou nem comendo.

 

Escreva 5 palavras que definem esse momento para você.

Tédio, ansiedade, tristeza, euforia e raiva.
Mário Tavares , natural de Poço Fundo, Branco, Masculino, 31 anos.

Do que você vai se lembrar sobre a pandemia do coronavírus?

A necessidade de distanciar das pessoas, uma vez que sempre reclamamos de quanto a vida era corrida e acabava nós ” impedindo” de estar com as pessoas que amávamos, hoje temos tempo mas não podemos utilizá-lo para estar próximo das pessoas que gostamos.

E o que pretende esquecer?

Ainda é muito cedo para definir tudo que gostaríamos de esquecer, mas uma coisa que com certeza é a tensão em que as pessoas estão vivendo, acordando e dormindo com medo de que possa ser o próximo infectado…

O que mudou na sua relação com as pessoas próximas – grupos afetivos e meios em que vive – como a relação com os animais, formas de habitação, meios de consumo – durante a pandemia?

As relações estão sendo mais dentro do grupo familiar, e acabou nós afastando das demais pessoas

Conte-nos sobre sua rotina durante a pandemia (esse espaço é reservado para qualquer comentário que queira deixar registrado).

Maioria do tempo em casa, saídas aleatória para compras e necessidades básicas…

Escreva 5 palavras que definem esse momento para você.

Aflição, Medo, Incerteza, esperança e Fé
Matheus , Negro, Masculino, 27 anos.

 

Do que você vai se lembrar sobre a pandemia do coronavírus?

De todo o caos que foi revelado durante ela, socialmente falando.

 

E o que pretende esquecer?

Acho que nada, sempre bom lembrar desses momentos pra aprender com eles

 

O que mudou na sua relação com as pessoas próximas – grupos afetivos e meios em que vive – como a relação com os animais, formas de habitação, meios de consumo – durante a pandemia?

Acho que a mudança foi mais na desaceleração do tempo.

 

Conte-nos sobre sua rotina durante a pandemia (esse espaço é reservado para qualquer comentário que queira deixar registrado).

Rotina é algo que não existe na quarentena. Principalmente quando ficar dentro de casa é a única opção. Acho que planejar é bom mas um pouco de aleatoriedade ajuda a não surtar tanto

 

Escreva 5 palavras que definem esse momento para você.

Tédio, surto, calma, paz, caos
Anonima, natural de Alfenas/MG, Branca, Feminino, 32 anos, professora.

Do que você vai se lembrar sobre a pandemia do coronavírus?

Me lembrarei em primeiro lugar, de todas as mortes, sempre. Não são só números. São seres humanos. Portanto, as milhares e milhões de mortes são o que mais me lembrarei….
Em segundo, lembrarei do quanto a gente reclamava da nossa rotina, que tornou-se monótona, cansativa e percebemos como aquilo tudo faz falta! Chegar em casa acabada de cansaço é o que eu mais queria.
Lembrarei, por fim, de todo medo e insegurança que passamos, foram e ainda estão sendo dias muito difíceis… São muitas as incertezas.

E o que pretende esquecer?

Pretendo esquecer toda angústia, tristeza, sofrimento, aflição, ansiedade e pensamentos negativos que a pandemia nos proporcionou.
A saúde mental foi 100% afetada.
O medo de morrer ou de perder pessoas que eu amo pra essa doença terrível é o que eu mais pretendo esquecer.

O que mudou na sua relação com as pessoas próximas – grupos afetivos e meios em que vive – como a relação com os animais, formas de habitação, meios de consumo – durante a pandemia?

Absolutamente tudo! Sou uma pessoa que sempre viveu e gostou de viver cercada de outras pessoas. Tenho vários e diferentes grupos de amigos e eu amo isso. Não os vejo a meses e há exatos 4 meses eu não sei o que é frequentar qualquer lugar que não seja a minha casa ou a casa dos meus pais (raramente) ou sogra.
Sou professora e sinto falta dos meus alunos, da movimentação do ambiente escolar, sinto falta de poder sair livremente e sem medo… Saudade das pessoas, das coisas tão simples que nunca imaginaríamos que seríamos impedidos de fazer.
Enfim, as relações com as pessoas próximas estão restritas entre família e muito raramente.

Conte-nos sobre sua rotina durante a pandemia (esse espaço é reservado para qualquer comentário que queira deixar registrado).

Como dito acima, sou professora. Algo inusitado aconteceu com a nossa classe! Pela primeira vez na vida, as pessoas passaram a dar valor às professoras e professores. Sabe por que? Porque estamos na era das aulas online… É isso mesmo!
Tudo pelo computador. Os meus alunos são grandinhos e estão no 5° ano, a gente se encontra todos os Santos dias em um aplicativo chamado Zoom e temos aula das 13:30 as 17:30.
Faço questão de dizer a eles constantemente o quão privilegiados eles são, por estudarem em uma escola particular e ter a oportunidade de estar tendo aula (e aí entra a tal valorização que citei acima, os pais estão ficando loucos para ajudar os filhos em casa com as atividades escolares!!!).
A minha rotina é: realizar meus afazeres domésticos na parte da manhã, juntamente com planejamentos escolares, dar aula na parte da tarde toda e a noite, corrijo provas, assisto tb é descanso. Tudo sempre dentro de casa. Uma rotina desgastante e enjoativa, muito distante do que eu sempre fui acostumada.

 

Escreva 5 palavras que definem esse momento para você.

Histórico, Medo, Incerteza, Insegurança, Saudade
Vanessa, branca, feminino, 31 anos.

Do que você vai se lembrar sobre a pandemia do coronavírus?

Vou recordar da saudade dos meus pais, do apoio do meu esposo, da saudade que a minha filha tinha da escolinha. Vou me recordar dos trabalho que tentei desenvolver envolvendo mães cientistas, dos textos que li de cada mãe e do livro que vamos publicar.
Vou me recordar do descaso político, da desigualdade, do racismo e do preconceito. Vou me recordar que vidas negras importam, que o fascismo deve ser derrotado e que a História condena. Vou me recordar das mortes e do descaso humano.

E o que pretende esquecer?

Não pretendo esquecer nada, mas sei que sou limitada biologicamente e esquecerei. É preciso lembrar para não esquecer.

O que mudou na sua relação com as pessoas próximas – grupos afetivos e meios em que vive – como a relação com os animais, formas de habitação, meios de consumo – durante a pandemia?

Fique mais próxima e mais distante da minha família. Mais próxima, pois o seu valor aumentou potencialmente. Mais distante, pois o trabalho remoto me exauri por completo.

Conte-nos sobre sua rotina durante a pandemia (esse espaço é reservado para qualquer comentário que queira deixar registrado).

Acordo todos os dias antes das 6 horas, dou aulas online, preparo slides o dia todo, quase não tenho tempo para a família. Meu esposo cuida da casa e da nossa filha. Se não fosse isso, seria impossível.
Olho os grupo s de mães que administro, mamães na pós-graduação e a pagina mães na universidade. Olho o grupo do Coletivo Nacional de Mães na universidade faço a moderação. E também entro no NIEM.
Tento lives, tento ler, tendo brincar com a minha ilha, tento ser esposa, tento ser cientistas, tendo dormir e tento viver. Se tudo isso vai dar certo? Só o futuro dirá.
Ainda, entro no e-mail do mães cientistas para baixar os textos do livro que estamos organizando e fazer a seleção em conjunto com a profs. Ana  e com a Camila Cidade. Sei que estou produzindo fonte histórica e acho que sei um pouco da importância de tudo isso para o futuro. A dimensão total, nunca saberei.

Escreva 5 palavras que definem esse momento para você.

cansaço, saudade, medo, família, maternidade.
Luciano, natural de Machado, Branco, Masculino, 45 anos.

Do que você vai se lembrar sobre a pandemia do coronavírus?

De que não estamos prontos para encarar as adversidades, mas que somos dotados de uma capacidade de adaptação ao novo, quando de fato vislumbramos um horizonte de incertezas descobrimos que somos capazes de superar e enfrentar as adversidades…

E o que pretende esquecer?

As pessoas as quais pagaram com a vida e o sofrimento para que os outros pudessem evoluir um pouco, se tornando mais tolerantes e altruístas.

O que mudou na sua relação com as pessoas próximas – grupos afetivos e meios em que vive – como a relação com os animais, formas de habitação, meios de consumo – durante a pandemia?

Graças a Deus no que se refere em relações a pessoas próximas tudo continuou do mesmo modo, o que ocorreu foi que os momentos de convivência se tornaram maiores, inclusive com os animais de estimação. O que ocorreu de ruim ao meu ponto de vista foi que me tornei mais digamos viciados nos meios de comunicação e redes sociais, pelo motivo de estar recluso socialmente.

Conte-nos sobre sua rotina durante a pandemia (esse espaço é reservado para qualquer comentário que queira deixar registrado).

Durante o primeiro mês saia de casa apenas pra ir ao supermercado, nem caminhada fazia, e ficava muito dependente da tv, dormindo tarde e acordando ainda mais tarde e indisposto o dia todo. Depois que a academia abriu pude frequentá-la e voltando a minha rotina, apenas a rotina do trabalho que ainda não pude retornar, pois trabalho na educação pública,

Escreva 5 palavras que definem esse momento para você.

Esperança, fé, altruísmo, introspecção e angustia.
DIA 02 DE JULHO DE 2020 -QUINTA-FEIRA
Natasha, Parda, Feminino, 25 anos.
Do que você vai se lembrar sobre a pandemia do coronavírus?
Sobre como tudo pode mudar em instantes. Sobre adaptação e pensar no próximo. Sobre cuidar mais da saúde e ter responsabilidade social. Sobre tristezas e perdas. Sobre um país regido por dinheiro e capitalismo.

 

E o que pretende esquecer?

Mortes.

 

O que mudou na sua relação com as pessoas próximas – grupos afetivos e meios em que vive – como a relação com os animais, formas de habitação, meios de consumo – durante a pandemia?

Economizar , doar e readaptar as atitudes.

 

Conte-nos sobre sua rotina durante a pandemia (esse espaço é reservado para qualquer comentário que queira deixar registrado).

Eu sou mestranda no estado do Ceará, sou mãe de uma criança de 2 anoa e 8 mesea e moro com 7 pessoas . Atividades domésticas divididas , estudos e um conversas com família toda semana. O mais difícil é vê familiares com covid e nao poder ajudar.

 

Escreva 5 palavras que definem esse momento para você.

Mudança,adaptação,esperança,responsabilidade social
Larissa , natural de Machado, branca, feminina, 
Do que você vai se lembrar sobre a pandemia do coronavírus?
Que mudou a forma de trabalho com mais aceitação ao home office

 

E o que pretende esquecer?

Não há o que esquecer. Tudo é aprendizado. Até o caos não deve ser esquecido, mas sim compreendido e realizar ações nas quais beneficiem o coletivo

 

O que mudou na sua relação com as pessoas próximas – grupos afetivos e meios em que vive – como a relação com os animais, formas de habitação, meios de consumo – durante a pandemia?

Maior consumo de.alimentos (compra), trabalho em nome office, menos contatos físicos em chegada e despedidas, sinto enorme dor pela perda de meu pai, potencializado por não poder estar com meus irmãos. Sinto -me ainda mais sozinha apesar de não estar, pois falo com eles todos os dias mas há muita meses não os vejo.

 

Conte-nos sobre sua rotina durante a pandemia (esse espaço é reservado para qualquer comentário que queira deixar registrado).

Trabalho em home office, vou a empresa uma vez na semana, cuido de minha mãe com Alzheimer, motivo pelo qual o home office só trouxe benefícios.

 

Escreva 5 palavras que definem esse momento para você.

Ansiedade, maturidade, vontade de realizações
DIA 05 DE JULHO DE 2020 – DOMINGO
Cristiane, branca, feminino, professora da rede estadual de ensino, 35 anos.

Do que você vai se lembrar sobre a pandemia do coronavírus?

Momentos de muita preocupação, adaptação e aprendizado.

 

E o que pretende esquecer?

Acreditando que as experiências de vida de uma forma ou outra fazem parte de nós, não pretendo esquecer…mas se tivesse que escolher, seria a tristeza das pessoas por perder seus entes queridos e a falta de união de brasileiros que procuram um responsável pela crise sendo que são incapazes de rever seus atos mediante á pandemia.

 

 que mudou na sua relação com as pessoas próximas – grupos afetivos e meios em que vive – como a relação com os animais, formas de habitação, meios de consumo – durante a pandemia?

Sinto falta dos amigos , dos meus alunos, de estar mais próxima dos familiares…aprendi que em meio ao caos que passamos as pessoas estão diferentes, estão mais carentes, deprimidas, nervosas, desmotivadas, etc e é necessário compreendê- las principalmente no campo familiar e profissional.

 

Conte-nos sobre sua rotina durante a pandemia (esse espaço é reservado para qualquer comentário que queira deixar registrado).

Acostumei a sentar em frente ao computador e dedicar ao trabalho da melhor forma possível,aprendi a trabalhar com ferramentas novas, faço vários cursos ( uma grande parte por desespero para cumprir horas extraclasse), cuido de casa e ando de bicicleta , este último está sendo fundamental para manter a ordem emocional.

Escreva 5 palavras que definem esse momento para você.

Preocupação , saudade , tristeza , fé e esperança.
DIA 07 DE JULHO DE 2020. TERÇA-FEIRA,
Leonardo,natural do Rio de Janeiro, Branca, Masculino, 35 anos.

 

Do que você vai se lembrar sobre a pandemia do coronavírus?

Das dificuldades do isolamento social e da incompetência do governo federal frente a pandemia.

E o que pretende esquecer?

As dificuldades presentes no trabalho remoto.

 

O que mudou na sua relação com as pessoas próximas – grupos afetivos e meios em que vive – como a relação com os animais, formas de habitação, meios de consumo – durante a pandemia?

Procurei atender de forma imediata as demandas da minha família, tentando amenizar os efeitos do isolamento social.

 

Conte-nos sobre sua rotina durante a pandemia (esse espaço é reservado para qualquer comentário que queira deixar registrado).

Dedicação extrema ao trabalho e aos cuidados com a minha família.

Escreva 5 palavras que definem esse momento para você.

Exaustão, individualismo, solidariedade, conscientização e exploração.
DIA 09 DE JULHO DE 2020 – QUINTA-FEIRA
Luana Mara, natural de Lavras, Parda, Feminino, 35 anos

Do que você vai se lembrar sobre a pandemia do coronavírus?

Os dias com minha família!

 

o que pretende esquecer?

O panico e o medo de alguém da família ou amigo próximo fica doente.

 

O que mudou na sua relação com as pessoas próximas – grupos afetivos e meios em que vive – como a relação com os animais, formas de habitação, meios de consumo – durante a pandemia?

O isolamento quase total. Saindo somente para fazer os serviços essenciais. Contato somente com algumas pessoas muito próximas e alguns colegas de trabalho.

 

Conte-nos sobre sua rotina durante a pandemia (esse espaço é reservado para qualquer comentário que queira deixar registrado).

Muito muito intimo e família. Muito estressantes e o emocional também muito abalado por todo os pânico causa por diversas informações fakes e o teletrabalho que trabalhamos triplicado.

 

Escreva 5 palavras que definem esse momento para você.

Estresse, pânico, medo, cansaço e família.
Jane, natural de Brasília, Branca, Feminino, 36 anos.

Do que você vai se lembrar sobre a pandemia do coronavírus?

Dos desafios profissionais, das trocas afetuosas desde a presença de uma tia querida q ficou quarentenada comigo por 90 dias e tive que reaprender a dividir um teto com alguém, até o fortalecimento de amizades, conhecendo novas paqueras virtuais, a participação em projetos diferentes, até o trabalho voluntário com moradores de rua.

E o que pretende esquecer?

Acho que será difícil, mas a confusão política e as notícias de tragédias das mortes e do descaso dos governantes

 

O que mudou na sua relação com as pessoas próximas – grupos afetivos e meios em que vive – como a relação com os animais, formas de habitação, meios de consumo – durante a pandemia?

Percebi que tenho buscado ser mais responsável pelos sentimentos que eu desperto nas pessoas, através de atitudes ou do que eu falo.

 

Conte-nos sobre sua rotina durante a pandemia (esse espaço é reservado para qualquer comentário que queira deixar registrado).

Sou privilegiada. Trabalho remoto, emprego sem
Redução salarial e novos desafios profissionais. Eu tento acordar cedo pra fzr uma yoga, tomar café e começar a rotina de trabalho. Comecei a cuidar mais da minha pele com produtos naturais. Vou ao mercado uma vez por semana. Voltei a jogar xadrez , e comecei a gravar um podcast uma vez por semana

 

Escreva 5 palavras que definem esse momento para você.

Dolorido, Intenso, Preocupante, Desafiador, Íntimo.