Eficácia e segurança de vacinas mRNA
A pandemia do vírus SARS-CoV-2, doença popularmente conhecida como COVID-19, evidenciou a necessidade de implementação de novas tecnologias de produção de vacinas para uma resposta rápida e eficiente para um controle epidemiológico, com a finalidade de evitar a transmissibilidade da doença, gravidade e mortalidade. Uma dessas tecnologias implementadas foram as vacinas de mRNA, que vêm sendo desenvolvidas desde 1990. Elas possuem a capacidade de induzir a formação de proteínas antigênicas de interesse estimulando o sistema imunológico do paciente.
As vacinas de mRNA são economicamente mais viáveis e tem produção mais rápida frente a outros tipos de vacina. Seu processo de produção não exige a alteração do método de fabricação, sendo possível produzir vacinas distintas e específicas apenas alterando sua proteína codificante. Por exemplo, diferentemente das vacinas de DNA, as vacinas de mRNA não precisam adentrar o núcleo celular, sendo possível a emissão de proteínas facilitadas por serem sintetizadas diretamente no citoplasma.
A situação de calamidade pública devido a pandemia fizeram com que países aprovassem o uso emergencial das vacinas de mRNA. Pesquisas demonstram que países que implementaram essas vacinas, apresentaram eficácia de proteção superior a 90% para a primeira cepa do vírus SARS-CoV-2, refletido na redução de incidências de casos e óbitos posteriores após a vacinação parcial da população e campanhas de conscientização para o uso de proteção individual.
No final de 2020 houve a implementação temporária para uso emergencial e subsequentemente como imunização ativa a primeira vacina de mRNA aprovada, a Comirnaty (BNT162b2) da PFIZER/BIONTECH. Esta vacina apresentou, em ensaios clínicos, eficácia de 95% em participantes que não tinham nenhum contato com a infecção pela COVID-19, além da prevenção total contra progressão para casos mais graves. Outra vacina de mRNA posteriormente aprovada, a vacina da Moderna (mRNA-1273), apresentou uma eficácia de 94,1% em testes clínicos e também uma prevenção total contra infecções graves. Demonstrando o potencial e eficiência que a implementação dessa nova tecnologia de produção de vacinas representa no combate da pandemia atual e possíveis futuramente.
Diversos tipos de vacinas foram utilizadas para o controle epidemiológico da infecção por COVID-19, principalmente para minimizar a circulação de variantes Alfa, Beta, Gama e Delta que podem reduzir a eficiência dessas vacinas de mRNA. Com a implementação dessas vacinas de mRNA na saúde coletiva e para fins de comercialização, foi necessário o monitoramento e diversas pesquisas para analisar a eficácia e segurança dessas vacinas. Na América do Sul e região, estudos realizados em 2021, com 83708 participantes mostraram que vacinas de mRNA, apresentaram eficácia geral contra essas variantes de 82% para Moderna (mRNA 1273) e 76% para Pfizer/BioNTech (BNT162b2), além da capacidade de impedir a progressão da doença para casos mais graves acima de 90% após seis meses da vacinação completa. Demonstrando um dos pontos chaves que deve ser destacado em uma vacina eficiente, que é uma multipluralidade de proteção frente a possíveis variantes, garantindo a diminuição de hospitalizações e internações, desobstruindo serviços de saúde.
Outra pesquisa realizada durante seus 6 primeiros meses de aprovação do uso emergencial, com 44.165 participantes em diversos países, mostrou que a vacina Comirnaty (BNT162b2) da PFIZER/BIONTECH, manteve uma eficácia contra a infecção por Covid-19 acima de 90% e 96,7% contra progressão para casos mais graves da doença por mais que tenha ocorrido um declínio gradual de sua proteção devido sua aplicação em indivíduos com idades, sexos, raças ou grupos étnicos distintos. Também foi possível observar, uma possível resistência da vacina contra a variante beta, que apresentava predominância em casos de infecção principalmente na África do Sul.
Nos EUA, outra pesquisa utilizando 3.436.957 participantes com o objetivo de observar a eficiência da vacina nos 6 primeiros meses, apontou que a vacina de mRNA Comirnaty (BNT162b2), possui uma eficácia total de 73% contra a infecção por COVID-19 e 90% contra internações hospitalares em indivíduos totalmente vacinados mesmo com a presença da variante delta circulando no país.
É necessário destacar que países que implementaram um plano de imunização, com propagandas e campanhas de vacinação em larga escala, independente do tipo de vacina utilizada como imunizante, apresentaram uma redução de casos, hospitalização e internação. Estudos demonstram que existe uma associação negativa entre o surgimento de novos casos de COVID-19 e o progresso da vacinação. Pessoas imunizadas com pelo menos uma dose, reduzem a disseminação de casos e mortes, possibilitando dessa forma um controle epidemiológico. Porém, quanto a imunização pessoal, é necessário a utilização de uma segunda dose e se possível uma dose de reforço, como é o caso do Brasil, que utiliza a vacina de mRNA Comirnaty (BNT162b2) como dose de reforço seguindo as diretrizes do Plano Nacional de Imunização (PNI).
Com a aprovação emergencial rápida das vacinas de mRNA devido a COVID-19, muitos mitos são levantados acerca da segurança e dos efeitos adversos das vacinas no geral. Informações infundadas, manipuladas e falsas como causarem autismo em crianças, alterarem o código genético humano, ataques cardíacos repentinos, infertilidade feminina e masculina e aborto espontâneo em gravidas, são criadas com a intenção de causar pânico, descredibilizar o trabalho de especialistas e aquisição politica de determinados grupos conspiratórios.
Existem diversas redes de monitoramento no mundo que buscam averiguar casos de efeitos colaterais relacionados a vacinas de forma geral. Nos EUA, o Sistema de Notificação de Eventos Adversos de Vacinas (VAERS), realiza regularmente pesquisas sobre os possíveis efeitos colaterais presentes das vacinas de mRNA da Moderna (mRNA 1273) e a Comirnaty (BNT162b2). Nos última atualização da pesquisa, com 298.792.852 participantes, 340.522 (0,11%) relataram algum efeito adverso à vacina de mRNA. Desses participantes 313.499 (92,1%) foram relatado pela maioria dos participantes como reações adversas leves e locais, como dor, coceira, inchaço e eritemas na pele e reações sistêmicas leves, como fadiga, pirexia e dor de cabeça. Essas reações são extremamente normais, sem gravidade e de curta duração que ocorrem devido a estimulação do sistema imunológico para induzir resposta protetora contra COVID-19. Reações adversas graves, sem óbito, como dispneia, anafilaxia e sistêmicas graves foram relatadas por 22.527 (6,6%) participantes que apresentaram algum efeito adverso dos participantes totais. Eles representam casos extremamente raros com incidência muito baixas que foram prontamente tratados. Foram relatados 4496 (1,3%) casos graves de reações adversas com óbitos. Porém, uma grande parte foi descartada devido a infecção por COVID-19 dias antes da vacinação dos participantes, não havendo tempo para uma resposta imune eficiente, além da maioria dos participantes já com idade avançada e apresentarem outros problemas de saúde. A incidência dos efeitos adversos são muito baixas em comparação com os benefícios da proteção das vacinas no geral e pela morbidade de mortalidade já causada pela COVID-19 a tantas vítimas.
No Brasil, o monitoramento aos efeitos colaterais e qualidade das vacinas de mRNA no geral, são realizadas pela ANVISA por meio da Vigmed, responsável pela vigilância farmacológica de medicamentos, através de um questionário online de livre acesso para o levantamento estatístico.Portanto, as vacinas de mRNA tem demonstrado uma alta eficácia na prevenção e também resistência a alguns tipos de variantes da COVID-19. Resultando na redução significativa das infecções, hospitalizações e óbitos relacionados ao vírus SARS-CoV-2. Essas vacinas têm um excelente perfil de segurança, além de toda uma fiscalização e monitoramento tanto no Brasil com a ANVISA, como em outros países, antes e após a vacinação. E a maioria dos efeitos colaterais apresentados são reações leves e temporárias, como dor e inchaço no local da aplicação. Efeitos colaterais graves, como reações anafiláticas e dispneia são extremamente raras e são tratadas imediatamente na maioria dos casos. Mitos sobre as vacinas de mRNA são comumente criados e podem prejudicar o trabalho de profissionais da área, a porcentagem de imunização populacional, abrindo possibilidades de novas ondas de casos e de variantes, por isso é necessário se informar em fontes confiáveis para evitar e combater essa disseminação da desinformação. A tecnologia empregada nas vacinas de mRNA é uma grande conquista na pesquisa científica, demonstrando vantagens e eficiência frente às outras vacinas contra doenças infecciosas. A capacidade de desenvolvimento rápido, viabilidade econômica e segurança dessas vacinas, é uma ótima ferramenta no enfrentamento de surtos epidemiológicos e pandêmicos.

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Autor: Matheus Carotta
Graduando em Biotecnologia
