DESAFIOS E COMBATE A FAKE NEWS
O termo “Fake News” usado para descrever notícias falsas veiculadas no meio digital tem se tornado uma das maiores preocupações em todo o país, principalmente na comunidade médica e científica, devido às consequências já observadas na saúde pública e as possíveis que possam vir a ocorrer caso não sejam desmistificadas.
Desde 2020, com o advento da pandemia de COVID-19, a vacinação tornou-se um tema amplamente debatido e um alvo frequente das notícias falsas, que questionam sua eficácia, desenvolvimento e impacto no organismo. Estudos indicam que a cobertura vacinal tem diminuído consideravelmente, especialmente entre crianças, o que tem gerado preocupações em relação a doenças como a poliomielite, causadora da paralisia infantil, o sarampo e a tuberculose. Como resultado, observa-se o ressurgimento de doenças que se acreditava estarem erradicadas.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2020, a cobertura vacinal caiu para 75%, colocando o país em segundo lugar no ranking dos mais vulneráveis ao retorno da poliomielite. Além disso, o título de “zona livre do vírus do sarampo” foi perdido devido ao aumento significativo de casos em 2018.
Diversos tipos de vacinas foram desenvolvidos para prevenir uma ampla variedade de doenças, no entanto, as vacinas de RNA mensageiro têm gerado considerável debate após sua utilização no combate ao SARS-CoV, embora sejam objeto de estudo há muitas décadas. Esse tipo de vacina através da introdução de uma sequência de mRNA instrui o organismo a produzir proteínas específicas do vírus (inofensivas) que são reconhecidas pelo sistema imunológico como estranhas, desencadeando uma resposta imunológica, criando células de memória e anticorpos contra a ação do vírus. Como resultado, quando o patógeno entra em contato com o organismo, ele já estará preparado para uma resposta rápida e eficaz.
Uma das informações mais recorrentes é de que este tipo de vacinas integram o material genético, sendo importante ressaltar que o mRNA inserido não possui capacidade de alterar o DNA do receptor, eles atuam somente no citoplasma das células e são degradadas após a produção das proteínas virais.
Além disso, há a disseminação de informações falsas que afirmam o aumento da mortalidade após a vacinação e aparecimento de efeitos colaterais graves. No entanto, dados demonstram que as vacinas de mRNA são eficazes em casos graves do COVID-19, e embora possam haver efeitos como dor local e febre eles são, geralmente, leves e de curta duração. Torna-se importante ressaltar também que todas as vacinas desenvolvidas passam por avaliação de segurança e rigorosos ensaios clínicos antes de serem aplicadas na população.
É evidente que deve haver cautela quanto às notícias recebidas em mídias sociais. Assim, é importante procurar se a mesma informação foi publicada por outros sites e jornais confiáveis como órgãos de saúde e instituições científicas, analisar o autor da matéria e procurar ler sobre o assunto abordado.
“A educação não tem preço e sua falta tem custo” Antonio Gomes Lacerda

REFERENCIAS
FIGUEIRA, A. C.; FONSECA, G. CoronaFatos: #30 – Vacinas mRNA. 2020.
Projeto indica como reverter queda na cobertura vacinal. Disponível em: <https://portal.fiocruz.br/noticia/projeto-indica-como-reverter-queda-na-cobertura-vacinal>. Acesso em: 29 jul. 2024.
Vista do A rede de desinformação e a saúde em risco: uma análise das fake news contidas em “As 10 razões pelas quais você não deve vacinar seu filho”. Disponível em: <https://www.reciis.icict.fiocruz.br/index.php/reciis/article/view/1975/2363>. Acesso em: 29 jul. 2024.
Disponível em: <https://butantan.gov.br/noticias/queda-nas-taxas-de-vacinacao-no-brasil-ameaca-a-saude-das-criancas>. Acesso em: 29 jul. 2024.
Vista do FAKE NEWS E VACINAS NA ERA “PÓS-VERDADE”. Disponível em: <https://www.tempusactas.unb.br/index.php/tempus/article/view/2610/2046>. Acesso em: 29 jul. 2024.

Autor: Laís Sanchietta
Graduanda em Biologia
