17. Ronald Polito

Ronald Polito (Juiz de Fora, 1961) é poeta, tradutor e artista plástico. Publicou os livros de poemas Solo, Vaga, Objeto, Intervalos, De passagem, Terminal, Ao abrigo, Rinoceronte e Sem termo. Traduziu poetas catalães como Joan Brossa, Salvat-Papasseit, J.V. Foix, Carles Camps Mundó e Maria Mercè-Marçal, e de língua castelhana como José Juan Tablada, Antonio Machado e Roberto Echavarren. Entre suas exposições individuais, destaca-se Minimundos, realizada no Museu de Arte Murilo Mendes (JF) e na Biblioteca Estadual de Minas Gerais (BH).

Ver: https://pt.wikipedia.org/wiki/Ronald_Polito

Desenhos no ar

Esses trabalhos pertencem a uma série com cerca de 35 miniesculturas realizadas com grafite de lapiseira, geralmente de 0,7mm, material muito frágil, o que torna extremamente difícil sua feitura. O grafite, empregado para desenhar, aqui é elemento para construção de esculturas, subvertendo seu emprego usual. Em contraste com a tendência ao monumental da escultura contemporânea, o caminho é o inverso, privilegiando a microescala, forma intimista para aproximar o espectador do que se dá a ver. Igualmente, é contrastante a “eternidade” do grafite com a efemeridade constituída. O que se buscou foi desenhar no ar. Os três trabalhos não têm título. A primeira obra faz duas formas dialogarem: a racionalidade do cubo em contraste com o conglomerado interno de grafites, suspenso, radicalmente informe. A segunda reintroduz ironicamente a dimensão monumental na escala micro ao propor uma casa de altura “impossível”. Note-se que sua janela está suspensa por um fio de cabelo. A terceira, em diálogo com o minimalismo, propõe o vazio como constituinte da forma. Pretende-se, ainda, que esses objetos, para além das conexões observadas com tendências contemporâneas, dialoguem com a arte conceitual.

sem título, 2014
sem título, 2016
sem título, 2015