19. Taymerê Fonseca

Taymerê Fonseca é artista multilinguagem — poeta, compositora, fotógrafa e artista visual. Formada em Design Gráfico, iniciou a carreira em Belo Horizonte/MG com apresentações musicais e exposições de fotografia e artes visuais, somando mais de 30 composições autorais, em repertório próprio e em projetos de música tradicional e regional. Viveu mais de 5 anos na Amazônia paraense, onde a relação contemplativa com tempo e redor aprofundou algo que já estava em sua criação, levando-a à escrita e à poesia. Hoje, em Minas Gerais, compõe seu primeiro livro de poesia, lançamento previsto para 2027.

trinca de asas

A série de poemas visuais é uma denúncia e nasceu da contemplação íntima de mulheres e da violência vivida por elas.
“doies” e “treno” narram a trajetória de uma jovem que namora com o auto silenciamento — numa busca incansável por apagar vontades e peculiaridades para caber — e é casada com a violência física. “quarte” aprofunda a narrativa, voltando-se à origem próxima dessa realidade conturbada: a mãe e o pai da jovem. Os analgésicos opioides que fecham o poema, em forma de reticências verticais, remetem à anestesia que sustenta relações abusivas por anos.
Esses pontos que atravessam e finalizam a série — como gotas, de sangue, e da “última gota d’água” que nunca chega — sugerem a violência sem fim.
Os títulos das obras são invenções, uma numeração em língua fictícia que fala da realidade não alcançada: tanto a íntima, vivida às escondidas, quanto a outra possível — a de uma felicidade verdadeira.
Já “trinca de asas”, título da série, faz referência ao nome do livro que ela integra — “Arara”, em produção pela artista, com lançamento previsto para 2027 — e à tríade mais forte do pôquer — a palavra como arma de denúncia no jogo de viver.
 

doies, 2025/2026
treno, 2025/2026
quarte, 2025/2026