STRONGYLOIDES STERCORALIS

Classificação Taxonômica

  • Reino: Animalia
  • Filo: Nematoda
  • Classe: Sercenentea
  • Ordem: Rhabditida
  • Família: Strongyloididae
  • Gênero: Strongyloides
  • Espécie: Strongyloides stercoralis

Ciclo de Vida e Infecção

      A forma parasitária do helminto é apenas a fêmea partenogenética. Esta elimina os ovos ou já diretamente larvas rabditóides nas fezes do hospedeiro infectado. Essas larvas rabditóides se desenvolvem no solo e se transformam em larvas filarióides quando estas são de constituição genética triplóide (3n). Essas larvas filarióides são as formas infectantes do parasito e penetram ativamente na pele humana, principalmente através do contato direto com solo contaminado. Outra possibilidade é a de ocorrer um ciclo indireto, onde a fêmea partenogenética parasita libera larvas com constituição genética haplóide (n) ou diplóide (2n). Estas larvas se desenvolverão em machos e fêmeas de vida livre que acabam por copular no ambiente gerando descendentes triplóides que se desenvolverão para larvas filarióides infectantes e finalmente nova fêmea partenogenética parasita. 

       Uma vez dentro do hospedeiro humano, as larvas filarióides migram através da corrente sanguínea até os pulmões e, posteriormente, para o trato gastrointestinal. No intestino delgado, as larvas se desenvolvem para fêmea partenogenética. Estas se fixam à mucosa e produzem ovos ou larvas, que são eliminados nas fezes do hospedeiro. No ambiente externo, as larvas rabditóides evoluem para larvas filarióides.

vida útil

Diagnóstico e Tratamento

         O diagnóstico da infecção por Strongyloides stercoralis é feito principalmente por meio do exame de fezes, que busca larvas do parasita. Testes sorológicos e métodos moleculares também podem ser utilizados para confirmação. O tratamento eficaz geralmente envolve o uso de Cambendazol ou Tinidazol.

Medidas Preventivas

  • Uso de calçados: Usar calçados ao caminhar em áreas onde o solo pode estar contaminado, como regiões rurais ou locais com saneamento precário.
  • Educação sanitária: Informar comunidades sobre os riscos da infecção e a importância de práticas de higiene e saneamento.

Epidemiologia

         É influenciada por fatores socioeconômicos e ambientais. É prevalente em regiões tropicais e subtropicais, onde condições sanitárias são precárias. O contato direto com solo contaminado é a principal via de infecção, colocando em risco especialmente crianças, idosos e imunocomprometidos.

Formas Evolutivas:

Referências

  • NEVES, D. P. Parasitologia Humana. 13. ed. São Paulo: Atheneu, 2016.
  • REY, L. Parasitologia. 4ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2008.
  • CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION (CDC). Strongyloides. Disponível em: https://www.cdc.gov/dpdx/strongyloidiasis/index.html

Banco de questões – Strongyloides stercoralis

1. Assinale a alternativa incorreta sobre os ovos de Strongyloides stercoralis.
a. Os ovos são a forma evolutiva mais encontrada em amostras clínicas, sendo procurados nos exames de fezes.
b. O tamanho dos ovos de S. stercoralis é menor do que os ovos de ancilostomídeos, com média de 48 por 35 um.
c. Quando observados imediatamente após a oviposição, os ovos de Strongyloides stercoralis se assemelham aos ovos de ancilostomídeos.
d. As larvas de Strongyloides stercoralis podem eclodir ainda no intestino do hospedeiro, o que explica a presença predominante de larvas, e não ovos, nas fezes.
e. Em exames parasitológicos, é mais comum a identificação de larvas rabditoides do que de ovos de Strongyloides stercoralis.

2. Classifique como verdadeiro (V) ou falso (F) as afirmativas sobre as características das larvas rabditoide e filarioide do Strongyloides stercoralis em comparação às larvas do Ancylostoma duodenale.
I. ( ) A larva rabditoide possui cavidade bucal curta e primórdio genital proeminente, enquanto o ancilostomídeo contém cavidade bucal longa e primórdio genital pequeno.
II. ( ) A larva filarioide é mais curta e espessa e apresenta atividade alimentar, resultando das mudas da forma rabditoide.
III. ( ) A larva filarioide de S. stercoralis se parece com as de ancilostomídeos porque possui um longo esôfago e apresenta uma cauda entalhada.
IV. ( ) A larva filarioide de S. stercoralis apresenta sistema digestório completamente desenvolvido e funcional, sendo capaz de se alimentar ativamente.

3. A fêmea de Strongyloides stercoralis parasita o intestino delgado humano e pode manter infecções por longos períodos. Considerando isso, explique o mecanismo responsável pela cronicidade da infecção de estrongiloidíase.

4. Acerca do diagnóstico laboratorial da estrongiloidíase, assinale a alternativa correta.
a. É recomendada a coleta múltipla de amostras de sangue para fechar um diagnóstico de estrongiloidíase.
b. Por serem depositados em grande quantidade, os ovos se apresentam nas fezes dos pacientes contaminados, sendo facilmente identificados.
c. Os métodos de flutuação são os mais indicados para o diagnóstico de Strongyloides stercoralis, pois apresentam maior sensibilidade na recuperação de larvas.
d. O método de Baermann e o método de Rugai não são úteis para o diagnóstico de estrongiloidíase, sendo pouco eficazes na identificação de larvas nas fezes.
e. Os métodos imunológicos são indicados quando a infecção não é comprovada pelos procedimentos tradicionais.

5. Relacione os tipos de ciclo de Strongyloides stercoralis com suas implicações clínicas e biológicas.
A. Ciclo direto (parasitário)
B. Ciclo indireto (vida livre)
C. Autoinfecção
( ) Pode levar à manutenção da infecção por longos períodos no hospedeiro, mesmo sem nova exposição, podendo evoluir para formas graves.
( ) Está relacionado à infecção inicial do hospedeiro a partir de larvas presentes no solo, com desenvolvimento semelhante ao dos ancilostomídeos.
( ) Ocorre no ambiente externo, com desenvolvimento de formas de vida livre que contribuem para a amplificação do número de larvas infectantes.
( ) Envolve a transformação de larvas rabditoides em filarioides ainda no interior do hospedeiro.
( ) Está diretamente associado aos quadros de hiperinfecção em imunossuprimidos.
( ) Depende exclusivamente do ambiente externo para completar todas as suas fases evolutivas.
( ) Envolve a eliminação de larvas rabditoides nas fezes, que no ambiente se desenvolvem em larvas filarioides infectantes capazes de penetrar a pele humana.

6. Correlacione aspectos do ciclo biológico do S. stercoralis com o saneamento precário, justificando a alta quantidade de casos de estrongiloidíase em regiões vulneráveis.

7. Assinale a alternativa incorreta sobre os sinais clínicos da estrongiloidíase.
a. Pacientes com infecção leve geralmente permanecem assintomáticos.
b. Considerado que o ciclo no hospedeiro não envolve vias aéreas, sinais e sintomas respiratórios são improváveis em casos de estrongiloidíase.
c. O local de penetração da larva pode-se ronar pruriginoso e avermelhado, além disso reações alérgicas também podem ocorrer.
d. Os sinais mais comuns apresentados pelos pacientes com infecção por estrongiloides incluem diarreia e dor abdominal.
e. Pessoas imunocomprometidas geralmente sofrem de infecções severas (decorrentes de autoinfecção) que podem resultar na disseminação das larvas pelo corpo todo.

8. Um paciente com doença autoimune iniciou uso de corticosteroides em altas doses. Após algumas semanas, evoluiu com diarreia intensa, dor abdominal e sintomas respiratórios, sendo diagnosticado com hiperinfecção por Strongyloides stercoralis. Explique como o uso de corticosteroides pode mascarar a infecção inicial e favorecer a evolução para formas graves, relacionando com o ciclo do parasito.

9. Sobre o tratamento e prevenção da estrongiloidíase, leia as afirmações e avalie-as como verdadeiras (V) ou falsas (F).
I. ( ) A ivermectina é o tratamento de escolha para estrongiloidíase, podendo o albendazol ser utilizado como alternativa.
II. ( ) O tratamento medicamentoso reduz a carga parasitária, mas não impede a continuidade do ciclo no hospedeiro em todos os casos.
III. ( ) O uso de calçados e luvas contribui para a prevenção ao reduzir o contato da pele com solo potencialmente contaminado.
IV. ( ) Medidas de saneamento têm impacto limitado no controle da estrongiloidíase, já que a principal forma de manutenção da infecção ocorre no próprio hospedeiro.

10. Em relação à dinâmica de eliminação de larvas de Strongyloides stercoralis nas fezes, explique por que um único exame parasitológico negativo não exclui o diagnóstico de estrongiloidíase.

RESPOSTAS

1. A alternativa A está incorreta porque, na infecção por Strongyloides stercoralis, a forma mais encontrada nas fezes não são os ovos, mas sim as larvas rabditoides. Isso ocorre porque os ovos geralmente eclodem ainda no intestino do hospedeiro, liberando larvas antes de serem principalmente larvas, e não ovos. eliminados. Portanto, nos exames parasitológicos de fezes, busca-se

2. V -F-F-F
A afirmativa Il é falsa porque a larva filarioide é longa e delgada, não se alimenta e resulta das mudas da forma rabditoide.
A afirmativa III é falsa porque a cauda de S. stercoralis é entalhada, ao contrário da dos ancilostomídeos, que é pontiaguda.
A afirmativa IV é falsa considerando que a larva filarioide de Strongyloides stercoralis é uma forma infectante não alimentadora, pois o sistema digestório não está funcional para alimentação e a larva utiliza reservas energéticas acumuladas nos estágios anteriores.
3. A cronicidade da infecção por Strongyloides stercoralis ocorre devido à autoinfecção. As larvas rabditoides podem se transformar em larvas filarioides ainda no intestino, penetrar a mucosa intestinal ou a pele perianal e reiniciar o ciclo dentro do mesmo hospedeiro, sem necessidade de nova exposição externa. Isso permite que o parasita permaneça por anos
no organismo.

4. A alternativa E está correta.
A alternativa A está incorreta porque o diagnóstico da estrongiloidíase não é feito por exame de sangue como método principal, mas sim pela identificação de larvas nas fezes. A coleta múltipla é recomendada, mas de amostras de fezes, já que a eliminação de larvas pode ser intermitente. Exames de sangue podem até mostrar eosinofilia ou serem usado em sorologia, mas não são o padrão para confirmação diagnóstica.
A alternativa B está incorreta porque o diagnóstico laboratorial de estrongiloidíase é difícil, pois, frequentemente, a carga parasitária é baixa e a eliminação de larvas é irregular. Além disso, a identificação no exame de fezes é feita por larvas e não ovos.
A alternativa C está errada porque os métodos de flutuação não apresentam bons resultados para Strongyloides stercoralis, já que são mais indicados para ovos, e não para larvas. Os métodos mais sensíveis para esse parasito são os de recuperação de larvas,
como Baermann e Rugai.
A alternativa D está errada porque os métodos de Baermann e Rugai são justamente os mais indicados e utilizados para o diagnóstico da estrongiloidíase, pois são específicos para a detecção de larvas nas fezes, aumentando a sensibilidade do exame.

5. C – A – B – C – C – B- A

6. A alta prevalência de estrongiloidíase em regiões com saneamento precário está diretamente relacionada ao ciclo biológico de Strongyloides stercoralis. Nesse contexto, a eliminação de larvas nas fezes sem tratamento adequado contamina o solo, especialmente em ambientes quentes e úmidos, que favorecem a sobrevivência e desenvolvimento das larvas até a forma infectante (filarioide). Além disso, a falta de uso de calçados e o contato frequente com solo contaminado facilitam a penetração ativa das larvas pela pele. O ciclo indireto ainda permite a multiplicação de larvas no ambiente, aumentando o risco de infecção. Por fim, a capacidade de autoinfecção contribui para a manutenção da doença no indivíduo, mesmo sem nova exposição, ampliando a carga parasitária em populações vulneráveis.

7. A alternativa B está incorreta porque o ciclo de Strongyloides stercoralis inclui passagem pelas vias aéreas. Após a penetração na pele, as larvas entram na circulação, chegam aos pulmões, atravessam os alvéolos e sobem pela árvore respiratória até a faringe, sendo então deglutidas. Durante essa fase pulmonar, podem surgir sintomas respiratórios, como tosse, irritação brônquica e até quadros semelhantes a pneumonite. Portanto, afirmar que esses sintomas são improváveis é incorreto.

8. Os corticosteroides podem mascarar a infecção inicial porque reduzem a resposta inflamatória e imunológica do hospedeiro, diminuindo sintomas e sinais como eosinofilia, o que dificulta a suspeita diagnóstica. Ao mesmo tempo, eles favorecem a proliferação do parasito, pois deprimem a imunidade celular e estimulam o processo de autoinfecção. Assim, mais larvas rabditoides se transformam em filarioides dentro do próprio intestino, penetram a mucosa e disseminam-se pelo organismo, levando à hiperinfecção e quadros graves com acometimento intestinal e pulmonar.

9. V-V- V-F
A afirmativa IV está errada porque subestima o papel do saneamento na transmissão da estrongiloidíase. Apesar de Strongyloides stercoralis possuir a capacidade de autoinfecção, a infecção inicial e a disseminação na população dependem da contaminação do solo por fezes contendo larvas

10. Um único exame parasitológico negativo não exclui o diagnóstico de estrongiloidíase porque a eliminação de larvas nas fezes é intermitente e em baixa quantidade, especialmente em infecções leves ou crônicas. Além disso, como Strongyloides stercoralis pode realizar autoinfecção, parte das larvas permanece no próprio hospedeiro, reduzindo ainda mais a eliminação fecal. Por isso, recomenda-se a coleta de múltiplas amostras e o uso de métodos mais sensíveis, como Baermann ou Rugai, para aumentar a chance de detecção.