Proposta inédita de inovação tecnológica da UNIFAL-MG é aprovada pelo CNPq; Universidade foi contemplada com bolsas de mestrado e doutorado para desenvolvimento de projetos em parceria com empresas

Uma proposta inédita de parceria entre pesquisadores da UNIFAL-MG e empresas foi aprovada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) no Programa de Mestrado e Doutorado Acadêmico para Inovação, o MAI/DAI. A Universidade receberá cerca de R$ 600 mil em recursos específicos que contemplam bolsas de Iniciação Científica Tecnológica e Inovação, de mestrado e de doutorado para desenvolvimento de projetos em parceria com o setor empresarial.  

O incentivo para participação dos professores da Universidade na Chamada nº 12/2020 do CNPq partiu da Agência de Inovação e Empreendedorismo (I9), que ao saber da oportunidade, entrou em contato com o CNPq para entender melhor os critérios de submissão e divulgar ao corpo docente. “Foram vários professores interessados, no entanto, alguns requisitos do próprio edital limitavam a participação”, explica a professora Izabella Carneiro Bastos, diretora da I9.

Conforme Profa. Izabella, cada instituição poderia submeter somente uma proposta à chamada, o que exigiu que os pesquisadores encaminhassem as informações à Agência, que juntamente à Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (PRPPG), adequou para uma proposta única.

“Os projetos abrangem bolsas de iniciação, mestrado e doutorado, bem como material permanente, serviços de terceiros e outros benefícios que contribuem diretamente para o crescimento do centro de pesquisas e como consequência da Instituição”, ressalta a diretora. “Todos os projetos propiciam a possibilidade de registro de propriedade intelectual e consequente parceria futura entre produto/processo e mercado”, acrescenta.

A diretora da Agência destaca que programas como o MAI/DAI são imprescindíveis para ajudar nas pesquisas da Universidade e no impulso de parcerias com entidades privadas. Segundo a diretora, o programa contribui para formação de recursos humanos capacitados para pesquisa, fomento à inovação e estimula também a criação de redes de parcerias entre as Universidades e empresas para execução de projetos de pesquisa.

“As vantagens e os benefícios do programa são inúmeros, entre eles está a possiblidade de interligar ensino, pesquisa e extensão. O ensino com a participação dos discentes da pós-graduação e graduação que terão melhores possibilidades de aprendizagem; o fortalecimento da pesquisa da instituição; e extensão, na conexão com as empresas privadas”, afirma.

Profa. Izabella também acredita nos benefícios trazidos pelas parcerias com o setor privado. “As parcerias com as empresas e os pesquisadores incentivam o desenvolvimento de pesquisas aplicadas as reais demandas na comunidade que a Universidade está inserida, auxiliando na Inovação da Universidade que podem gerar tanto ganhos educacionais, quanto econômicos à Universidade.”

 

 

O Programa MAI/DAI na UNIFAL-MG

O Programa de Mestrado e Doutorado Acadêmico para Inovação na Universidade Federal de Alfenas abrange três projetos aprovados envolvendo os programas de pós-graduação em Ciências Ambientais (PPGCA), em Ciências Biológicas (PPGCB), em Ciências Odontológicas (PPGCO), em Ciência e Engenharia Ambiental (PPGCEA) e em Engenharia Química (PPGEQ).

São duas bolsas de doutorado, sete de mestrado e 15 de Iniciação Científica Tecnológica e Inovação totalizando R$ 573.024,00 em recursos para os projetos. O desenvolvimento ocorrerá junto às empresas até 30 de novembro de 2025.

Projetos aprovados e pesquisadores responsáveis
“Influência do rompimento da barragem de rejeitos da mina córrego do feijão na comunidade microbiana do sedimento, zooplanctônica e na qualidade das águas do
reservatório de Retiro Baixo, Rio Paraopeba (MG)”

Coordenador: Prof. Gunther Brucha

Objetivo: avaliar as influências do rompimento da Barragem I de rejeitos da Mina Córrego do Feijão no metabolismo microbiano anaeróbio, comunidade zooplanctônica e qualidade das águas e sedimentos de fundo do Reservatório de Retiro Baixo, Rio Paraopeba (MG).

“Concentração de bauxita e lama vermelha por separação magnética”

Coordenadora: Profa. Daniela Gomes Horta

Objetivo: propor uma estratégia de concentração de bauxita e de lama vermelha por tratamento térmico e separação magnética para viabilizar a aplicação de bauxita em produtos de maior valor agregado, além do reuso da lama vermelha. O projeto será desenvolvido em parceria com a empresa Alcoa.

“Estudos pré-clínicos e clínico de uma formulação contendo PHTALOX para a prevenção e controle da doença periodontal”

Coordenadores: Prof. Masaharu Ikegaki, Prof. Pedro Luiz Rosalen, Prof. Leandro Araújo Fernandes, Prof. Marcelo Franchin

Objetivo: avaliar a formulação inovadora (PHTALOX®) contra um dos grandes desafios na odontologia moderna, a doença periodontal (DP), a fim de provar a formulação original como uma alternativa. O projeto terá participação da empresa TRIALS – Saúde Bucal & Tecnologias.

 
Relevância da aprovação de um projeto institucional em um programa nacional e os benefícios das pesquisas contempladas para a sociedade

Para o professor Gunther, coordenador do projeto “Influência do rompimento da barragem de rejeitos da mina córrego do feijão na comunidade microbiana do sedimento, zooplanctônica e na qualidade das águas do reservatório de Retiro Baixo, Rio Paraopeba (MG)”, ter um projeto em parceria com empresa aprovado no Programa MAI/DAI, no atual cenário de escassez de recursos para a Ciência e Tecnologia no país, é a garantia de continuidade da pesquisa. “Temos agora um ‘fôlego’ maior para nos mantermos vivos na pesquisa. Nosso projeto foi contemplado com duas bolsas de doutorado, três bolsas de mestrado e 11 bolsas de Iniciação Científica Tecnológica, o que proporcionará mão de obra qualificada para seu desenvolvimento”, explica.

A expectativa do pesquisador é que o desenvolvimento do projeto possa dar uma resposta a sociedade sobre o impacto do rompimento da Barragem I de rejeitos da Mina Córrego do Feijão (Brumadinho) na qualidade das águas, na comunidade zooplactônica e no metabolismo microbiano anaeróbio presente nos sedimentos de fundo do Reservatório de Retiro Baixo, Rio Paraopeba (MG).

“Para a Universidade esse financiamento é fundamental para continuidade das pesquisas em nossos laboratórios, assim como para a formação de recursos humanos na área ambiental”, diz.

De acordo com a professora Daniela, coordenadora do projeto “Concentração de bauxita e lama vermelha por separação magnética”, que também obteve aprovação, a execução de um projeto nacional traz vantagens à comunidade acadêmica “uma vez que promove e divulga o trabalho de pesquisadores e alunos de programas de pós-graduação, bem como apresenta soluções para problemas técnicos e científicos que beneficiam a sociedade como um todo.”

A pesquisa coordenada pela professora também é uma iniciativa que impactará nas comunidades, acadêmica e externa, uma vez que envolve  o reaproveitamento de um resíduo industrial solucionando problemas ambientais relacionados à sua disposição, e o emprego de bauxita em materiais de elevado valor agregado, beneficiando as empresas que atuam na cadeia produtiva do alumínio. “A comunidade universitária é extremamente beneficiada pela execução do projeto com base em diversos resultados, como por exemplo, qualificação de alunos, aumento da produtividade acadêmica e estabelecimento de parcerias com empresas privadas”, detalha.

Prof. Masaharu, um dos coordenadores do outro projeto contemplado, intitulado  “Estudos pré-clínicos e clínico de uma formulação contendo PHTALOX para a prevenção e controle da doença periodontal”, acredita que a aprovação no Programa MAI/DAI demonstra a competitividade e competência das pesquisas desenvolvidas pela UNIFAL-MG, o que pode ser medido pelo interesse inovador da empresa em trabalhar com a Universidade e o reconhecimento do CNPq da relevância da proposta para a saúde coletiva.

O projeto sob sua coordenação em parceria com colegas de outras áreas tem potencial de sustentabilidade impacto direto na população. “Pela primeira vez na área de saúde, teremos a realização de uma pesquisa de alto nível, totalmente sustentável com participação pública e privada gerando conhecimentos básicos de domínio das ciências biomédicas disponíveis na UNIFAL-MG e também aplicada de forma multidisciplinar e translacional com a expertise da Odontologia, agregando a geração de conhecimento de interesse da sociedade, que será distribuído na forma de produto tecnológico por meio da empresa participante (Trials – Saúde Bucal & Tecnologias)”, ressalta.

 

Como os pesquisadores veem a cooperação com empresas para desenvolvimento de pesquisas

Ao comentar a existência de convênios com empresas, Prof. Gunther afirma ser uma demanda urgente estreitar a parceria entre a UNIFAL-MG e o setor privado. “Todo o conhecimento que a Universidade possui necessita ser transferido para as Empresa de uma forma direta. Tive experiência de realizar um Estágio Pós-doutoralna Universidade de Wageningen (Holanda) no ano de 2017 e fiquei surpreso e impressionado com a quantidade de projetos de pesquisa apoiado por empresas. No Departamento de Tecnologia Ambiental da Universidade de Wageningen mais de 80% dos projetos eram desenvolvidos em parceria com empresas. No Brasil, ainda estamos muito aquém destes números”, compartilha.

Segundo o pesquisador, para que o país possa avançar nesse quesito, é preciso ter uma interlocução maior entre pesquisadores e empresas. “Nossa Universidade deu um passo à frente ao implementar a Agência de Inovação e Empreendedorismo, dando suporte ao docente na busca desta parceria”, reconhece.

Profa. Daniela também defende as parcerias entre centros de pesquisa e empresas privadas. Para ela, essas parcerias representam o futuro do desenvolvimento técnico e científico no país. “Tais parcerias promovem muitas medidas vantajosas para ambas as instituições envolvidas como  contato direto da academia com os problemas cooperativos e ou industriais; desenvolvimento de tecnologias solucionadoras e inovadoras para tais problemas; captação de recursos financeiros para o desenvolvimento de pesquisa; aplicação efetiva das pesquisas desenvolvidas em universidades; capacitação de pessoal dentro da academia; divulgação mais abrangente das atividades de pesquisas e dos programas de pós-graduação das universidades; ampla divulgação de resultados por meio de publicações e patentes e facilidade na colocação de egressos no mercado de trabalho”, enumera.

Na visão do professor Masaharu,  a cooperação entre universidades públicas e empresas privadas sempre foi um grande desafio no Brasil, o que torna ainda mais importante essa abertura do CNPq por meio do Programa MAI/DAI. “Vivemos um momento onde as agências de fomento públicas estão com sua capacidade de investimento em pesquisa prejudicada e isso tem um impacto muito marcante em centros emergentes de pesquisa como a UNIFAL-MG. Portanto, o fato de o CNPq incentivar este tipo de parceria onde a agência entra com as bolsas e a empresa financia parte da pesquisa é muito bem-vindo. Além disso, os resultados, frutos do desenvolvimento do projeto, inclui desde a pesquisa básica até a aplicação prática, o que torna a pesquisa mais compreensível para a população”, destaca.

Mais informações sobre o Programa MAI/DAI

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