“A Voz da Ciência”: projeto de extensão da UNIFAL-MG populariza o conhecimento científico pelas plataformas digitais utilizando linguagem acessível e ferramentas de interação com o público não especializado

Como produzir e divulgar informações sobre ciência suficientemente interessantes e compreensíveis para o público comum? Essa é uma das propostas do projeto de extensão “A Voz da Ciência” da UNIFAL-MG, que tem feito a diferença ao explorar as plataformas digitais para difundir o conhecimento científico. O projeto contribui para manter a população mais bem informada, o que o torna fundamental em um contexto em que as fake news estão tão presentes no dia a dia.

“O nosso projeto tem por principal objetivo divulgar a importância da ciência brasileira, com uma linguagem acessível. Para isso, buscamos diferentes formas de nos conectar com o público”, ressalta o coordenador, Prof. Lucas Lopardi Franco. (Foto: Arquivo Pessoal/Lucas Lopardi Franco)

“A Voz da Ciência” surgiu a partir de um quadro de entrevistas criado em 2019, sob o nome ‘Profissão Cientista’, a fim de dar visibilidade a pesquisadores da UNIFAL-MG, entre discentes da iniciação científica e docentes. Após o sucesso da iniciativa, o professor Lucas Lopardi Franco, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas, coordenador do projeto, expandiu a ação com o apoio de colegas docentes e acadêmicos de graduação e pós-graduação.

“A divulgação científica é geralmente promovida para o universo acadêmico, na forma de artigos científicos, congressos, palestras e similares. Nossa proposta é um desafio no âmbito de promover uma divulgação de qualidade sobre a importância da ciência brasileira, os projetos desenvolvidos na UNIFAL-MG e como é a carreira de um cientista”, conta.

Conforme Prof. Lucas, quando a proposta extensionista se fortaleceu com a colaboração de outros pesquisadores, o objetivo era fazer com que os discentes participantes fossem aos locais de maior aglomeração na cidade para tirar dúvidas da população, conversar com as pessoas sobre ciência, de modo a democratizar o conhecimento produzido na academia, no entanto, a pandemia alterou o planejamento. “Originalmente a nossa ideia era fazer com que os alunos coletassem perguntas pessoalmente na praça da cidade, na feira, nos mais diversos ambientes. Nossas reuniões semanais eram presenciais. Com a pandemia, optamos por passar tudo para o modelo on-line, com reuniões pelo Google Meet e a coleta de perguntas e interações toda pelas plataformas digitais”, explica.

Diferentes formas de conectar a ciência com o público

Fazendo bom uso do preceito que diz que toda crise traz consigo oportunidades, a equipe desenvolveu outros meios de comunicação com a sociedade durante a pandemia, utilizando as mídias sociais. Entre os quadros criados, está o ‘Ciência Online’ no Instagram, perfil que reúne mais de 600 seguidores e trabalha com divulgações frequentes de novidades e interações com o público, por meio de postagens de imagens e vídeos explicativos.

De acordo com professor Lucas, há duas séries criadas para o Instagram que têm chamado bastante atenção do público: o ‘Molécula da Semana’ e o “Jornalzinho da Ciência’. No Molécula da Semana, o grupo apresenta semanalmente substâncias químicas, bem como suas atividades farmacológicas e toxicológicas, revelando suas propriedades, onde e como são encontradas, para que são usadas, entre outras informações. Um exemplo dessa seção foi a divulgação sobre o medicamento Ivermectina.

Captura da imagem do post referente à série Molécula da Semana do projeto no Instagram

“Ultimamente, tem sido explorada a atividade antiviral desse medicamento com o intuito de se obter um tratamento contra a COVID-19. Estudos preliminares mostraram um potencial antiviral in vitro, isto é, fora de um sistema vivo e em condições laboratoriais totalmente controladas. No entanto, isso não significa que a substância deve ser adotada como protocolo de tratamento para a doença, muito menos ser tomada sem indicações. Aliás, a ANVISA não indica o uso de ivermectina para tratamento de COVID-19 ou para a prevenção dessa doença. Há a necessidade de estudos clínicos e evidências clínicas que mostrem a eficácia dessa substância para o tratamento e prevenção da COVID-19”, apresenta um trecho da postagem.

No ‘Jornalzinho da Ciência’, os pesquisadores abordam diversos temas para a sociedade, em linguagem simples e objetiva, como o que é Kit Covid, descarte correto de medicamentos, ansiedade na pandemia, nova linhagem do SARS-CoV-2, entre outros temas.

“O nosso projeto tem por principal objetivo divulgar a importância da ciência brasileira, com uma linguagem acessível. Para isso, buscamos diferentes formas de nos conectar com o público, via áreas de atuação dentro do projeto”, ressalta o coordenador.

Além do perfil no Instagram, que conta com mais de 600 seguidores, o projeto também trabalha com o quadro de perguntas ‘Fale com a UNIFAL-MG’. “A comunidade envia uma série de perguntas sobre um tema, conforme a temporada, e buscamos pessoas da Universidade qualificadas para uma resposta. Geralmente coletamos cerca de 40 perguntas por temporada, que são respondidas e editadas para serem disponibilizadas pela Rádio Federal FM”, descreve Prof. Lucas, acrescentando que o conteúdo também é suportado em plataformas de podcast, como Spotify.

Captura do perfil Fale com a UNIFAL-MG do projeto no Spotify

Até o momento, há 82 episódios de podcasts divididos em quatro temporadas disponíveis para quem quiser acessar o quadro de perguntas pelo Spotify. A primeira temporada foi sobre a Covid-19, a segunda sobre Assuntos Diversos, a terceira abordou Saúde Mental e a quarta, o Uso Racional de Medicamentos. As perguntas, feitas pela comunidade, são respondidas por pesquisadores da UNIFAL-MG.

O projeto conta ainda com lives de uma hora, nas quais um especialista por mês é convidado a falar sobre um determinado tema. A última live foi sobre o uso racional de medicamentos com a professora convidada Luciene Alves Moreira Marques, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas, doutora em Psicobiologia. Confira aqui.

Ao comentar os diferenciais do projeto, fazendo circular ideias e potencializar o debate científico, o coordenador, comenta: “Nós buscamos abordar as mais diferentes áreas de atuação, atualmente temos professores da Medicina, Odontologia, Ciências Sociais, das Ciências Biomédicas e da Farmácia. Nosso desejo é ampliar cada vez mais a capacidade de diálogo dentro da Universidade, e apresentarmos à população pelas mais variadas mídias com conteúdo diverso, sempre em torno do alicerce de informação científica e da ciência brasileira.”

Para a estudante Rayssa de Cassia Alves Iemini, do curso de Farmácia, que desde 2020 integra o projeto, participar das atividades tem sido muito importante pela possibilidade de difundir conhecimento científico para a comunidade universitária e para a população de uma maneira geral. “Diante do contexto que a gente está vivendo, com tantas fake news sobre a ciência e a divulgação científica, principalmente na área da saúde, esse conteúdo de levar até a população as informações de forma segura com dados científicos, explicando por que estão sendo divulgadas certas notícias e por que também que essas notícias podem não ser reais, ajuda muito”, comenta.

Rayssa de Cassia Alves Iemini, acadêmica do curso de Farmácia, integra o projeto desde 2020. (Foto: Rayssa de Cassia Alves Iemini)

Segundo Rayssa Iemini, o projeto possibilita essa proximidade com a população e contribui para ampliar o conhecimento dos próprios estudantes. “Eu, como estudante de Farmácia, fico mais por dentro das questões de saúde e química de medicamentos e no projeto eu pude ver mais um pouquinho sobre Ciências Sociais e temas que nós debatemos”, relata. “Nós que somos do ramo, podemos aprender mais sobre determinados temas e a população externa pode compreender o porquê que o que está sendo divulgado não é certo como, por exemplo, a questão das vacinas, que foi muito muito divulgado e conversado no projeto”, acrescenta.

A acadêmica acredita que o grupo esteja cumprindo sua missão. Rayssa Iemini salienta que ao fazer bom uso das plataformas digitais para divulgar conhecimento baseado em evidências, o projeto esteja atingindo o público. “Durante a pandemia, com os recursos limitados de divulgação para essa comunidade-alvo que nós temos, mesmo com todos os obstáculos, nós conseguimos atingir o nosso intuito que é oferecer a essas pessoas um conhecimento válido. Conseguimos alcançar várias contas no Instagram, Facebook, realizamos lives sobre assuntos variados, as quais foram transmitidas pelo YouTube com livre acesso para quem quisesse assistir e ter conhecimento sobre o assunto. Tentamos o máximo possível ter uma linguagem mais informal para que possamos alcançar essas pessoas externas à Universidade e estamos cada vez mais tentando atingir essa população com todas as nossas publicações”, reforça. 

O grupo que integra o projeto A Voz da Ciência é formado pelos coordenadores, Prof. Lucas Lopardi Franco (Faculdade de Ciências Farmacêuticas) e Prof. Pedro Luiz Rosalen (Instituto de Ciências Biomédicas), com a colaboração da Profa. Evelise Aline Soares (Faculdade de Medicina), Prof. Jackson Souza (Instituto de Ciências Sociais Aplicadas) e Prof. Marcelo Franchin (Faculdade de Odontologia). Além dos docentes, estudantes de graduação e pós-graduação participam do projeto, atuando na parte técnica, na organização das lives e na edição dos áudios para a rádio ou podcast.

Equipe responsável pelo projeto. (Foto: Arquivo/Projeto)

Siga os perfis do projeto @avozdaciencia nas plataformas digitais:

 

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