Impacto e enfrentamento do maior colapso econômico e social desde 2007

Seguimos falando sobre o Coronavírus e a segunda grande crise do século XXI

Quarta-feira, 15 de abril de 2020

Por Elinne Val, mestranda do Programa de Pós-Graduação em Economia da UNIFAL-MG

O Fórum Econômico Mundial publicou uma série de matérias analisando os impactos e as medidas de enfrentamento da Covid-19 pelo mundo e considera que, mesmo em comparação com outras crises recentes como a do mercado financeiro vivida em 2007 e 2008, a situação é bastante grave. O efeito da proliferação do vírus está causando um choque profundo e sério na economia global, exigindo dos formuladores de políticas rápidas ideias sobre como responder. A experiência da China, até o momento, mostrou que atitudes corretas e ágeis fazem toda a diferença no combate à doença e na mitigação de seus efeitos.

Dentre as mais variadas consequências, é destaque que esta crise pode ser especialmente mais difícil para mulheres do que para homens, dado que elas ocupam a maior parte dos trabalhos na área da saúde e cuidados sociais, posicionando-se na linha de frente contra a Covid-19 e que os fechamentos das escolas as afetam particularmente mais porque, em geral, são elas as responsáveis por cuidados infantis (aproximadamente 300 milhões de estudantes estão sem aulas no mundo, segundo informações da UNESCO). Além do mais, de acordo com a Organização Internacional do Trabalho – OIT, mundialmente, as mulheres performam 76,2% do total de horas não remuneradas em trabalhos da saúde, mais do que três vezes os homens. Deste modo, à medida que o sistema de saúde vai sendo sobrecarregado, mais pessoas com enfermidade precisam ficar em casa, somando mais peso à carga de trabalho feminina e, ao mesmo tempo, colocando-as sob maior de risco de contrair a moléstia.

É válido destacar ainda o surto trouxe consigo, além do sofrimento humano, elevados custos econômicos, independentemente do distanciamento social e da mobilidade reduzida, haja vista a implementação de medidas relevantes para o controle dos impactos, uma vez que uma série de suspensões repentinas na atividade econômica se transformou em um choque irrestrito, impedindo simultaneamente a oferta e a demanda, fazendo com que as empresas padeçam com receitas perdidas e cadeias de suprimentos interrompidas. Segundo informações do Fórum Econômico Mundial, a UNCTAD, agência de comércio da ONU, alertou para uma desaceleração do crescimento global para menos de 2% neste ano, efetivamente reduzindo US$ 1 trilhão do valor da economia mundial. A Oxford Economics é ainda mais pessimista e prevê que o crescimento global caia para zero em 2020, o segundo mais fraco em 50 anos, além de 2009.

Em resposta, na China, os formuladores de políticas, tendo como alvo famílias vulneráveis e pequenas empresas, renunciaram a taxas de previdência social, contas de serviços públicos, canalizando crédito por meio de empresas de tecnologia financeira. Além disso, as autoridades também organizaram crédito subsidiado para apoiar o aumento da produção de equipamentos de saúde e outras atividades críticas envolvidas na resposta ao surto. Nos Estados Unidos, o Federal Reserve reduziu sua taxa de juros para quase zero, em coordenação com os bancos centrais do Japão, Austrália e Nova Zelândia, mas que não foi suficiente para conter o sentimento geral dos investidores, com os preços do petróleo caindo abaixo de US$ 30 por barril e quedas sucessivas nos valores das ações em Wall Street. O Banco Central do Brasil também reduziu sua taxa básica de juros de 4,25% para 3,75% anual – renovando a mínima histórica, seguindo a estratégia de outras nações. Enquanto isso, o Banco Central Europeu (BCE) lançou um Programa de Compra de Emergência Pandêmica de € 750 bilhões, que deverá durar até o final deste ano. E no Reino Unido, o governo anunciou gastos fiscais importantes para combater o impacto econômico, em caso de agravamento da situação, pagando até 80% dos salários dos funcionários em todo o país impossibilitados de trabalhar para ajudar no combate à propagação do coronavírus.

Por fim, esta é uma situação tensa e que atinge a todos nós de alguma forma, direta ou indiretamente. Embora os governos estejam liderando a defesa, sabemos que este movimento é coletivo e depende do compromisso de cada um de nós.

Fonte: Fórum Econômico Mundial e Oxford Economics

Artigo originalmente publicado em: https://pinegocios.com.br/noticia/204-Impacto-e-enfrentamento-do-maior-colapso-economico-e-social-desde-2007

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