Com o objetivo de verificar o perfil epidemiológico e possíveis correlações entre parâmetros de saúde e a evolução da doença nacional e regionalmente, pesquisadores da UNIFAL-MG desenvolvem o projeto de Iniciação Científica “Indicadores Covid-19”, a fim de monitorar, por meio de boletins semanais, o número de casos confirmados, recuperados, internados e óbitos.

O projeto é coordenado pelo epidemiologista e professor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da UNIFAL-MG, Sinézio Inácio da Silva Júnior, e conta com a participação das pesquisadoras Ana Carolina Carvalho da Silva, acadêmica do curso de Farmácia, e Ana Clara Figueredo Dias, do curso de Biomedicina.

A equipe verifica nas unidades da federação e em Minas Gerais – por macrorregião de saúde e municípios da macrorregião sul -, o perfil expresso por incidência, mortalidade, letalidade, coeficiente de incidência acumulada, coeficiente de prevalência e de mortalidade padronizados e não padronizados, agregados e desagregados conforme idade, sexo biológico, raça/etnia, local de residência, meses e semanas da situação epidêmica.

O estudo também apresenta indicadores de saúde que podem ser – e estão sendo – afetados pela pandemia, como internações, procedimentos hospitalares cirúrgicos e clínicos, tempo médio de internação e taxa de mortalidade hospitalar, além de dados sobre SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave).

Confira a seguir os boletins:

:: Boletim Epidemiológico nº 10 – 24/02/2021 – Situação epidêmica da Covid-19 no sul de Minas Gerais

A edição nº 10 aponta tendências de queda em casos novos,  internações e mortes até o dia 24/02/2021.

Média de novos casos: A média diária de mortes por Covid-19 durante toda a pandemia representa 10% do número total de mortes por dia em 2019, por todas as causas e, na média semanal de 24 de fevereiro, representa 23% desse total.  Em Minas Gerais, há tendência de estabilidade da média semanal de novos casos e óbitos e queda na média semanal de internações. O destaque negativo no estado são as regiões Noroeste e Norte do Triângulo Mineiro, que apresentam crescimento destes 3 indicadores.

Variantes do vírus: Começam a ser identificadas em diferentes locais do país, inclusive em Minas Gerais, variantes mutantes que afetam a resistência do vírus a anticorpos já desenvolvidos pelas pessoas, mas também aquelas que aumentam a transmissibilidade do vírus.

Efeito do feriado de Carnaval: O efeito do feriado de Carnaval sobre a incidência parece ter aparecido no registro de casos do dia 24/02/2021 e deverá ser confirmado até o final deste mês de fevereiro.

Vacinação e uso de máscaras: Demorar para vacinar pode ser grave ameaça, sendo fundamental a intensificação no uso de máscaras, de preferência duas ao invés de uma. Acesse na íntegra.

:: Boletim Epidemiológico nº 09 – 15/02/2021 – Situação epidêmica da Covid-19 no sul de Minas Gerais

A edição nº 09 aponta tendências de queda em casos novos e internações e estabilidade das mortes até o dia 15 de fevereiro de 2021. 

Média de novos casos: De 20 de novembro do ano passado a 24 de janeiro deste ano houve crescimento contínuo do número de casos novos. Desde então (24/01/2021) temos registrado queda contínua nesse número, mas ainda com média de 636 casos novos diários na semana (quase 3 vezes maior do que a registrada no platô da pandemia).  A média diária de mortes de covid-19 durante toda a pandemia representa 10% do número total de mortes por dia em 2019, por todas as causas e, na média semanal de 15 de fevereiro, representa 31% desse total.

Variantes do vírus: A variante P.1 de Manaus parece ter influenciado o aumento de casos mais por escape imunológico do que por aumento de transmissibilidade. Começam a ser identificadas variantes mutantes em diferentes locais do país, não só aquelas que afetam a resistência do vírus a anticorpos já desenvolvidos pelas pessoas, mas também aquelas que aumentam a transmissibilidade do vírus.  Acesse na íntegra


:: Boletim Epidemiológico nº 08 – 08/02/2021 – Situação epidêmica da Covid-19 no sul de Minas Gerais

A edição nº 08 aponta tendências de queda em casos novos e internações e crescimento das mortes até o dia 08 de fevereiro de 2021. 

Média de novos casos:  de 20 de novembro do ano passado a 24 de janeiro deste ano houve crescimento contínuo do número de casos novos. Desde então (24/01/2021) temos registrado queda contínua nesse número, mas ainda com média de mais de 699 casos novos diários na semana (quase 3 vezes maior do que a registrada no platô da pandemia). A média diária de mortes por Covid-19 até agora representa 10% do número total de mortes por dia em 2019, por todas as causas.

Curvas de casos de Manaus e sul de Minas: comparando as curvas de casos de Manaus e sul de Minas, pode-se supor que o ritmo de casos não foi, ainda, influenciado por variante mutante. Há tendência de queda do número de casos novos em Minas Gerais, exceto na região noroeste do estado que apresenta tendência de crescimento. Acesse na íntegra


:: Boletim Epidemiológico nº 07 – 04/02/2021 – Situação epidêmica da Covid-19 no sul de Minas Gerais

O boletim nº 07 aponta que até 04 de fevereiro, o sul de Minas registrou tendências de queda em casos novos, estabilidade nas internações e crescimento das mortes.

Média de novos casos: de 20 de novembro de 2020 a 24 de janeiro de 2021 houve crescimento contínuo do número de casos novos. Desde então (24/01/2021) temos registrado queda contínua nesse número, mas ainda com média de mais de 800 casos novos diários na semana (3 vezes maior do que a registrada no platô da pandemia). A média diária de mortes de Covid-19 até agora representa 9% do número total de mortes por dia em 2019, por todas as causas.

Curvas de casos de Manaus e sul de Minas: comparando as curvas de casos de Manaus e sul de Minas, pode-se supor que, se o ritmo de casos foi influenciado por variante mutante, foi mais no sentido de a mutante ter ficado mais resistente ao sistema imunológico do que por ser mais transmissível. Há tendência de queda do número de casos novos em toda Minas Gerais, exceto na região noroeste do estado que apresenta tendência de crescimento.

Isolamento social x diminuição de casos: não há evidência de correlação do índice de isolamento social considerado pela Secretaria de Saúde de MG e o aumento ou diminuição do número de casos. A influência de contágios a partir de pequenas aglomerações (familiares, amigos, empresas etc.) e festas que não implicam grandes deslocamentos parece ser mais significativa no aumento da incidência. Acesse na íntegra


:: Boletim Epidemiológico nº 06 – 25/01/2021 – Situação epidêmica da Covid-19 no sul de Minas Gerais

A 6ª edição do boletim mostra que a região sul de Minas Gerais ainda vive um crescimento simultâneo de casos, mortes e internações.

Crescimento da média semanal: há grande aumento do crescimento da média semanal de mortes na regional de Alfenas e sul de Minas como um todo.

Indicadores de casos, internações e mortes: para Minas Gerais, observa-se tendência de estabilidade para casos e internações e tendência de crescimento de mortes. Em relação aos indicadores de casos, internações e mortes a situação do sul de Minas é pior do que a do estado. A cada 1.000 casos são geradas 70 internações e 21 mortes.

Questão dos leitos: a questão dos leitos traz dois aspectos críticos. Um é que a Covid-19 tem provocado redução no número de procedimentos terapêuticos e cirúrgicos. E o outro é que se criou a cultura do “tendo leito pode relaxar”. Isso é uma enorme inversão de prioridade, pois em qualquer epidemia o controle da incidência (novos casos) deve ser o principal. É fundamental fortalecer a atenção básica e prevenção. Com o predomínio da preocupação centrada no hospital, caímos numa armadilha em que, nem controlamos a pandemia, nem garantimos leitos suficientes.

Relação sul de Minas x Manaus: desde o início de novembro as curvas do sul de Minas e de Manaus continuam semelhantes, mas em menor grau. Os dados mostram maior diferença entre Manaus e o sul-mineiro a partir de 25 de janeiro, especialmente no ritmo de aumento de casos e nas evidências epidemiológicas e laboratoriais que indicam o efeito da mutante no aumento de casos em Manaus.

Desafio: hoje o maior desafio é diminuir o ritmo de contágio para quando uma cepa mutante mais transmissível chegar, para que ela não potencialize uma curva já em crescimento. Não é uma questão de “se”, mas “quando”. Acesse na íntegra


:: Boletim Epidemiológico nº 05 – 18/01/2021 – Situação epidêmica da Covid-19 no sul de Minas Gerais

Na 5ª edição, o boletim mostra que a epidemia avança: há crescimento simultâneo de casos, mortes e internações. Em 18/01/2021, tendência de crescimento de internações em todas as regionais de saúde.

Situação nos municípios com campus da UNIFAL-MG: Alfenas foi a cidade mais atingida pela pandemia e em Poços de Caldas houve maior número de mortes entre os doentes. Varginha é a melhor em menor letalidade e número de mortes por habitante. Alfenas tem oferecido mais risco de contágio e Poços de Caldas maior risco de morte para seus doentes.

Análise comparativa “Manaus x Sul de Minas Gerais”:  desde o início de novembro, as curvas do sul de Minas e de Manaus, são muito semelhantes. No dia 17 de janeiro, o Sul de Minas apresentou crescimento da média semanal de casos de 126 % e Manaus atingiu 125%. Pela semelhança das curvas do sul mineiro e a capital do Amazonas o crescimento da incidência é predominantemente reflexo das festividades de final de ano. O efeito da variante mutante sobre a incidência parece ainda não ter sido significativo. O decréscimo de casos novos pode estar ameaçado se a nova variante começar a circular com força. Acesse na íntegra


:: Boletim Epidemiológico n° 04 – 11/01/2021 – Situação epidêmica da Covid-19 no sul de Minas Gerais 

A tendência explosiva de crescimento em número de casos e de mortes no sul de Minas Gerais, registrados até o dia 11 de janeiro, é retratada no Boletim n° 04 do projeto “Indicadores de Covid-19”. Segundo os dados analisados, o fenômeno da sincronização de curvas epidêmicas, já observado desde início de novembro, tem levado o sistema hospitalar à sobrecarga e à ameaça de colapso, a qual ocorre quando há incapacidade de atender, em tempo oportuno, a demanda hospitalar de urgência e emergência.

Em relação ao número de casos e óbitos por município, o estudo observou que, coerente e proporcionalmente, os locais com maior número de casos e óbitos são aqueles com maior população, com exceção do município de Extrema. Acesse na íntegra


:: Boletim Epidemiológico n° 03 – 06/01/2021 – Situação epidêmica da Covid-19 no sul de Minas Gerais

A reescalada de casos de Covid-19 no Sul de Minas Gerais é o principal tema do terceiro boletim do projeto “Indicadores de Covid-19”. Segundo o estudo, a pandemia demorou cinco meses e meio para atingir o patamar de 340 casos em média móvel, mas, a partir de dezembro, esse estágio foi superado em 26 vezes.

Em 2020, o recorde de novos registros em um único dia, no sul do estado, ocorreu em 31/12, atingindo o número de 871 casos. Em 2021, os números se superaram: foram registrados 2.703 novos casos em um dia (06/01). Diferente do comportamento da média móvel de casos, o estudo observou que os maiores valores da média móvel de mortes não foram superados no mês de dezembro, fato que pode ser reflexo, além de um aumento no aprendizado e competência no tratamento dos doentes, de momentos com menor ocupação de leitos e predomínio do perfil etário de pessoas mais jovens. Acesse na íntegra


:: Boletim Epidemiológico n° 02 – 28/12/2020 – Mutação do vírus

O segundo boletim epidemiológico fala sobre a estrutura dos coronavírus, caracterizados como vírus RNA que têm menos capacidade de corrigir erros de reprodução genética. Embora sejam mais mutáveis, esses vírus, normalmente, evoluem para provocar sintomas menos graves e/ou para se tornar mais transmissíveis, de modo a ganhar, assim, vantagem competitiva.

Conforme o estudo, as alterações genômicas que não alteram substancialmente o fenótipo, ou seja, a “cara” do vírus, como a cepa mutante B.1.1.7, não seriam suficientes para que as vacinas e o sistema imunológico deixassem de proteger o organismo. A pior mutação ocorreria a partir de mudança genômica, com mudança da “forma” e o surgimento de um novo vírus, assim como aconteceu com o SARSCoV, que produziu o SARS-CoV-2. Esse exemplo, no entanto, acontece quando mais de uma espécie hospedeira está envolvida. Acesse na íntegra


:: Boletim Epidemiológico n° 01 – 22/12/2020 – Interiorização da pandemia e sincronização da curva epidêmica

De acordo com o primeiro boletim epidemiológico, nenhum município brasileiro está sem caso de Covid-19. A transmissão comunitária ou sustentada praticamente dominou todo o território nacional, fazendo com que as barreiras sanitárias sejam menos efetivas. Os estados, as macro e microrregiões de saúde e os próprios municípios passaram a não ter mais uma defasagem no tempo epidêmico: a curva da média móvel de 7 dias está praticamente no mesmo estágio, agora, na maioria dos lugares – em ascensão e batendo (ou se aproximando de bater) recordes alcançados anteriormente, especialmente após os feriados de final de ano. Acesse na íntegra

 

Leia também: Pesquisadores da UNIFAL-MG monitoram, semanalmente, a evolução da Covid-19 no Brasil; projeto científico ajuda a compreender indicadores da pandemia

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