Sarampo: médica-docente da UNIFAL-MG esclarece dúvidas sobre a doença e aponta para a importância da vacinação no atual cenário de surto

A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou há poucos dias a notificação de mais de 360 mil casos de sarampo no primeiro semestre de 2019, em 181 países. Segundo o relatório, a quantidade de casos de sarampo provavelmente ainda é bem maior do que o reportado. Conforme a OMS, cenário mais grave que esse foi observado em 2006. No Brasil, entre maio e agosto foram confirmados mais de 900 casos, de acordo com o Ministério da Saúde. Diante do surto da doença e das muitas dúvidas em relação aos sintomas, prevenção e tratamento, a equipe da Diretoria de Comunicação Social (Dicom) conversou com a médica de família e comunidade, docente da Faculdade de Medicina, Profa. Gabriela Itagiba Aguiar Vieira, que explicou o que é a doença, como é transmitida, o que causa e quem deve se vacinar. Confira a seguir:

1- Profa. Gabriela, o que é o sarampo?
Profa. Gabriela: O sarampo é uma doença viral, infecciosa aguda, potencialmente grave e extremamente contagiosa.

2- Por que essa doença voltou?
Profa. Gabriela: Como a única forma de prevenção é a vacina, a baixa cobertura vacinal é apontada como a principal causa para a doença ter voltado.

3- Como a infecção é transmitida?
Profa. Gabriela: O vírus do sarampo é transmitido por meio de secreções do nariz e da garganta expelidas ao tossir, espirrar, falar ou respirar. Por isso ela é tão contagiosa.

4- Quais são os principais sintomas identificados?
Profa. Gabriela: Os principais sintomas do sarampo são febre alta, exantema [erupção na pele ou lesão avermelhada], tosse, coriza, conjuntivite não purulenta e manchas de Koplik que são pequenos pontos brancos amarelados na mucosa bucal, na altura do terceiro molar, que aparecem antes do exantema.

5- Quais as possíveis complicações?
Profa. Gabriela: As principais complicações são as infecções respiratórias, principalmente, pneumonias e otites, além de doenças diarreicas e neurológicas.

6- Como é feito o tratamento?
Profa. Gabriela: Não existe tratamento específico para a infecção por sarampo. Para os casos sem complicação, deve-se manter a hidratação, o suporte nutricional e diminuir a febre. O tratamento com antibiótico é contraindicado, exceto se houver indicação médica devido à ocorrência de infecções secundárias. Recomenda-se a administração de vitamina A, mediante a necessidade prévia de avaliação clínica e/ou nutricional por um profissional de saúde, em todas as crianças acometidas pelo sarampo, para redução da morbimortalidade e prevenção das complicações pela doença.

7- O sarampo pode matar?
Profa. Gabriela: As complicações do sarampo podem matar. Aliás, até o final dos anos 1970, essa virose era uma das principais causas de óbito dentre as doenças infectocontagiosas, sobretudo, em menores de 5 anos, em decorrência de complicações, especialmente, a pneumonia. Segundo o Ministério da Saúde, na década de 1980, houve um declínio gradativo no número de óbitos. Essa redução foi atribuída ao aumento da cobertura vacinal.

“Quem já tomou duas doses da vacina durante a vida não precisa mais se preocupar. Mas em caso de surtos – ou mesmo durante campanhas de reforço da vacinação –, não custa tomar uma picada adicional.”

8- Quem deve se vacinar contra o sarampo?
Profa. Gabriela: Em decorrência do aumento de casos de sarampo em alguns estados, o Ministério da Saúde recomenda que todas as crianças de 6 meses e menores de 1 ano sejam vacinadas contra o sarampo. A vacinação de rotina das crianças deve ser mantida independentemente de a criança ter tomada essa dose. Além dessa dose que está sendo aplicada agora, o esquema vacinal contra o sarampo para crianças é de uma dose aos 12 meses (tríplice viral) e outra aos 15 meses (a tetra viral) de idade. Para quem tem até 49 anos que não cumpriu esse esquema, o Ministério preconiza:
• Até os 29 anos: duas doses, da tríplice ou tetraviral;
• Dos 30 aos 49 anos: dose única, da tríplice ou tetraviral.

9- Quando há surto, é preciso se vacinar novamente?
Profa. Gabriela: Quem já tomou duas doses da vacina durante a vida não precisa mais se preocupar. Mas em caso de surtos – ou mesmo durante campanhas de reforço da vacinação –, não custa tomar uma picada adicional. Nessas situações, siga as instruções das autoridades.

10- A vacina tem efeitos colaterais? Quais?
Profa. Gabriela: As vacinas tríplice viral e tetraviral são, em geral, pouco reatogênicas. Os eventos adversos mais observados são febre, dor e rubor no local da administração e exantema. As reações de hipersensibilidade são raras.

11- Quem já teve a doença precisa se vacinar?
Profa. Gabriela: Quem foi infectado com o vírus do sarampo alguma vez na vida já desenvolveu anticorpos contra ele e, assim, não pode pegar a doença de novo. Logo, essas pessoas não precisariam se vacinar contra a infecção.

12- Onde tomar a vacina? O SUS disponibiliza para toda população nos postos de saúde? Qual é o procedimento para ser vacinado?
Profa. Gabriela: Na rotina do Sistema Único de Saúde (SUS), a vacina está disponível em todos os mais de 36 mil postos de vacinação em todo o Brasil. Deve-se procurar um posto com documento de identificação pessoal e carteira de vacina.

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