Professores e discentes do curso de Letras da UNIFAL-MG fazem curso de imersão linguístico-cultural no Chile e vivenciam dias de tumultos sociais ocorridos naquele país

Discentes do curso de Letras que integram o Programa de Residência Pedagógica (RP/CAPES) e o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID/CAPES) e professores da Escola Estadual Dr. Arlindo Silveira Filho, parceira dos programas, viajaram ao Chile para desenvolver um Curso Intensivo de imersão linguístico-cultural.

Feito na Escola Bellavista (Spanish and Culture), vinculada à Associação Chilena de Escolas de Espanhol (ACHELE), o curso aconteceu entre os dias 11 e 21 de outubro,   proporcionando a interação entre o grupo e alunos de outros países, como Estados Unidos, Inglaterra e Alemanha. Em razão do trabalho em pequenas turmas, que foram divididas após a avaliação de nível realizada no primeiro dia de aulas, foi possível que os discentes aprendessem o conteúdo de forma interacionista, uma vez que os estudantes de diferentes nacionalidades compartilhavam o interesse em aprender espanhol no Chile. “A divisão por níveis de proficiência na língua contribuiu para que tivéssemos um máximo aproveitamento, e o contato com estudantes estrangeiros foi valioso pela oportunidade de conhecer outras culturas e línguas”, explicou Taciane Aparecida Gonçalves, egressa do curso de Letras.

Segundo Catharina Klie Dupont, discente do curso e residente bolsista do Residência Pedagógica, as aulas não foram só de espanhol avançado, mas sim de cidadania e de mundo. “A experiência foi intensa tanto na parte educacional, com a imersão, como também no convívio com pessoas do mundo todo”, salientou. Para a discente Anna Luiza Sposito, bolsista do PIBID, a experiência foi fantástica: “amei o curso que fizemos, pois aprendemos muita coisa, como ‘soltar’ mais a língua em termos de conversação e prática comunicativa em outro idioma.”

Na foto, uma turma com professor de língua interagindo em aulas em grupo, após teste de nivelamento (Foto: arquivo pessoal do grupo)

Na viagem, além das práticas desenvolvidas no espaço da escola, o grupo pôde conhecer espaços culturais da cidade de Santiago. Com guia especializado, foram visitados o Morro San Cristóbal, o Museu da Memória, a rua Lastarria, Morro Santa Lucia, uma vinícola, com a possibilidade de degustação vinhos, e “La Chascona”, uma das conhecidas casas de Pablo Neruda, poeta chileno ganhador do prêmio Nobel de Literatura.

“Viajar é sempre uma oportunidade de adquirir novos conhecimentos, experiências e conhecer lugares novos. Amei o jeito de o povo chileno valorizar a sua arte e a sua cultura, porém o que mais me emocionou foi o Museu da Memória dos direitos humanos. Depois de entrar no museu, é impossível continuar sendo a mesma pessoa, com certeza serei uma pessoa melhor”, contou a professora Rosemeire Maria Correia, diretora da E.E. Dr. Arlindo Silveira Filho, ao afirmar ter se encantado pela metodologia inovadora do curso.

Conhecer Santiago foi o que também deixou a supervisora da EE Dr. Arlindo Silveira Filho, Maria Antonieta Pereira, maravilhada. “Conhecer sua história, cultura, arquitetura. A lição do patriotismo, a apreciação da sua história, tudo falou alto no meu coração”, explicou a professora, que agradeceu a oportunidade de participar da viagem e do curso. “Falar espanhol é o meu objetivo a partir de agora”, finalizou.

No período em que o grupo visitou o Chile, os discentes e professores vivenciaram diretamente a onda de protestos e tumultos que explodiram na capital chilena a partir da sexta-feira, 18 de outubro, quando começaram a ocorrer confrontos, incêndios, saques em lojas e ataques ao metrô. Sobre essa situação, Taciane Gonçalves conclui: “foi de extrema importância, se pensarmos na construção do pensamento crítico sobre o país que estávamos visitando, ter vivenciado as manifestações e os seus desdobramentos. Foi uma oportunidade de estarmos conscientes sobre as questões sociais, que também importam e criam cenários muitas vezes invisíveis aos olhos dos turistas.”

Fotos: arquivo pessoal do grupo

Colaboração: Italo Oscar Riccardi León, docente do Instituto de Ciências Humanas e Letras da UNIFAL-MG

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