Universidades e entidades de ensino superior manifestam pesar pela morte de Tomaz Aroldo da Mota Santos, o primeiro e único reitor negro da UFMG, ex-reitor da Unilab e ex-presidente da Andifes

O ensino superior público brasileiro perdeu um de seus grandes incentivadores com falecimento do professor Tomaz Aroldo da Mota Santos, o primeiro e único reitor negro da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e ex- presidente da  Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições de Ensino Superior (Andifes). A notícia do falecimento do docente foi dada pelo secretário executivo da Andifes, Gustavo Henrique de Sousa Balduino, durante o Congresso da Andifes, na manhã desta quinta-feira (18).

A trajetória acadêmica de Tomaz Aroldo remete ao período da Ditadura Militar. Em 1968 graduou-se em Farmácia-Bioquímica pela UFMG, concluindo o doutorado em Bioquímica e Imunologia em 1977 e, no período de 1986 a 1988, realizou pós-doutorado em Imunologia pelo Instituto Pasteur, em Paris.

Além de reitor da UFMG no período de 1994 a 1998, foi pró-reitor de extensão no período de 1984-1986 e diretor do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) por dois mandatos. Aposentado aos 70 anos, Tomaz Aroldo foi reitor pró-tempore, da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), entre 2015 e 2016.

Durante sua atuação como gestor universitário, o professor Tomaz Aroldo defendeu, antes da criação do sistema de cotas raciais, os direitos e a inclusão das pessoas pretas e pardas no ensino superior. Em nota, a Andifes e o Fórum das Instituições de Ensino Superior Públicas de Minas Gerais (Foripes) ressaltaram esse engajamento do professor Tomaz Aroldo.

O Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas (NEABI/UNIFAL-MG) prestou homenagem à memória do professor Tomaz Santos pelo trabalho que se constituiu como uma referência no âmbito das atividades acadêmicas e administrativas desenvolvidas na UFMG e na Unilab. “Ele foi o único reitor negro da UFMG e soube compreender que a universidade tem um papel fundamental a ser desempenhado no combate ao racismo e à discriminação étnico-racial”, relatou o professor Natalino Neves da Silva, coordenador do NEABI.

O professor Elias Evangelista Gomes, do Instituto de Ciências Humanas e Letras (ICHL) da UNIFAL-MG, é ex-aluno da UFMG e conviveu com o professor Tomaz Aroldo. De acordo com ele, as universidades públicas precisam reconhecer o trabalho do ex-reitor como gestor universitário. “Ele atuou em dois momentos de crise na educação superior brasileira, na década de 1990, como reitor da UFMG e presidente da Andifes e, no contexto do Golpe de 2016, como reitor da Unilab. Um reitor que liderou equipes que mantiveram as universidades públicas brasileiras em pé, apesar dos ataques. Eu acho que o Tomaz foi, com a generosidade que lhe era característica, um Zumbi das Universidades Públicas, semelhante ao líder negro Zumbi dos Palmares”, completou.

Em relação ao engajamento na questão racial, o professor Elias Gomes disse que o do professor Tomaz Aroldo precisa ser reconhecido no âmbito das ações afirmativas. “Ele não conseguiu implantar as cotas raciais em sua gestão a frente da UFMG, mas fez um importante trabalho com seu corpo, suas ideias e seu capital político para criar condições para que estudantes e servidores pretos e pardos estivessem, hoje, nas universidades e nos órgãos públicos”, finalizou.

O reitor da UNIFAL-MG, Prof. Sandro Amadeu Cerveira, também falou sobre o professor Tomaz Aroldo. “Conheci o professor Tomaz quando ainda era diretor do ICHL e ele, na ocasião, era reitor da Unilab. Eu conheço a história dele também pela experiência vivida na UFMG. E o que sempre se destacou foram as virtudes republicanas”.  O professor Sandro ressaltou que o compromisso do ex-reitor com a inclusão das pessoas pretas, pardas, indígenas e das pessoas com deficiência no ensino superior sempre esteve atrelado à biografia desse reitor. “Sua luta e sua capacidade de articulação em defesa de uma universidade que seja, verdadeiramente, inclusiva sempre marcou todos aqueles que o conheceram e a mim, particularmente”, disse.

Segundo o reitor da UNIFAL-MG, outra virtude do professor Tomaz era a capacidade de diálogo e de articulação pensando no bem estar institucional do maior número de pessoas. “Uma visão verdadeiramente republicana e nunca pautada de maneira corporativa. E seu falecimento ocorreu no dia em que o MEC retrocede na política de ampliação do acesso à pós-graduação àquelas pessoas historicamente excluídas”, finalizou o professor Sandro Cerveira fazendo referência à publicação da Portaria nº 545 de 16/06/2020, no Diário Oficial da União, revogando a Portaria nº 13 de 11/05/2016,  que disponha sobre as políticas afirmativas na pós-graduação.

Tomaz Aroldo tinha 76 anos e deixa esposa, três filhos e três netos. A Universidade Federal de Alfenas, por meio da reitoria, manifesta profundas condolências e se solidariza com todos os familiares, amigos, ex-alunos e colegas do professor Tomaz Aroldo da Mota Santos.

Com informações da UFMG, da Andifes e do Foripes

 

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