Dia Mundial dos Animais é comemorado neste domingo, 04 de outubro; conheça o “Projeto Bernardo” da UNIFAL-MG, desenvolvido como estratégia de manejo de animais abandonados que vivem nas dependências da Universidade

Comemora-se no domingo, dia 04 de outubro, o Dia Mundial dos Animais, data instituída em 1931 durante uma convenção de Ecologia que aconteceu na cidade de Florença, na Itália. A data foi criada para sensibilizar a sociedade em relação à necessidade de proteger os animais e preservar todas as espécies. Um projeto de extensão da UNIFAL-MG caminha nesse mesmo sentido ao buscar a promoção do bem-estar dos cães que vivem nas dependências dos campi da Universidade ao mesmo tempo em que procura conscientizar a população sobre o problema do abandono.

Coordenado pelos servidores Ira de Lizandra Gonçalves e Geraldo Liska, da Pró-Reitoria de Assuntos Comunitários e Estudantis (Prace), o “Projeto Bernardo” foi pensado a partir da observação da população canina que vive nas unidades da Instituição, a qual recebe cuidados de estudantes, servidores e colaboradores terceirizados. “O projeto tem como objetivo promover ações educativas para a comunidade acadêmica e externa sobre as questões de guarda responsável, manejo populacional humanitário de cães, zoonoses e saúde pública, a fim de prevenir a transmissão de doenças, manejar e estabilizar a população de cães soltos nos campi da UNIFAL-MG, e informar a comunidade acadêmica e externa sobre o problema de se abandonar um animal”, explica a coordenadora.

O projeto recebeu o nome “Bernardo” em homenagem ao cão que viveu na sede da UNIFAL-MG e morreu em 2019, depois de muitos anos de convivência com a comunidade acadêmica, que carinhosamente o chamava de Bernardo. “Ele foi o cão que viveu mais tempo nas dependências da UNIFAL-MG e era muito querido pela comunidade acadêmica”, diz.

Um projeto cão comunitário que possa conscientizar a população sobre a ilegalidade de abandono de animais, maus-tratos e ajudar na socialização dos animais 

Segundo Ira, a proposta se fundamenta na concepção do “cão comunitário”, que é aquele animal que estabelece um lugar residencial ou comercial para viver e cria uma relação de dependência emocional e vínculo afetivo com as pessoas do local. “Não existe um responsável fixo e definido para cuidar do cão comunitário e sim cuidadores que são responsáveis por prover a vida desses animais, alimentando-os, identificando-os, oferecendo tratamento veterinário, se necessário, entre outras coisas”, conta Ira, informando que esses animais costumam proteger a área que escolheram para viver.

Mesmo tendo cuidadores nos locais que escolhem viver, conforme a coordenadora do projeto, uma característica dos cães comunitários é que eles estão para adoção. “O ideal seria que todos tivessem um lar e um tutor responsável por eles, para prover o seu bem-estar”, ressalta.

Equipe da UNIFAL-MG em visita ao IFSULDEMINAS em dezembro de 2019. (Foto: arquivo equipe do projeto)

Para desenvolver o projeto, Ira, acompanhada pelo pró-reitor de Administração e Finanças (Proaf), Prof. Mayk Vieira Coelho, e um discente do curso de Ciências Sociais, visitou no final do ano de 2019, o campus Muzambinho do IFSULDEMINAS, para conhecer a experiência do projeto “Cão Comunitário”. Na oportunidade, o grupo conversou com a professora veterinária Diana Abrão, com a discente de Medicina Veterinária, Mariana Mansini e com o mantenedor José Eduardo Guida, que orientaram sobre como fazer o correto manejo de cães comunitários.

“O que mais nos chamou a atenção foi o fato de que com o tempo o grupo canino se limita naturalmente em quantidade e com isso passa a impedir que outros cães entrem no campus, servindo como um impedimento natural de invasões ou mesmo abandonos caninos”, relata Prof. Mayk sobre o trabalho realizado no IFSULDEMINAS.

Conforme o pró-reitor, o projeto na UNIFAL-MG será de longo prazo, porém, barato, permanente e natural. “É um projeto que depende muito da participação da comunidade e havendo esta participação, tem grande potencial de ajudar a socializar um grupo de animais, criar um vínculo, retirando o ar hostil ou mesmo ‘frio’, ‘protegendo’ o ambiente da entrada de outros animais e reduzindo ou mesmo zerando eventos de confronto entre membros da comunidade acadêmica e cães abandonados no campus”, acredita.

Prof. Mayk comenta também que o primeiro passo é a conscientização da comunidade com relação a ilegalidade de abandono de animais, maus-tratos e a socialização dos animais, visto que o cão comunitário deve atender a alguns critérios de perfil e aqueles que não atenderem deverão ser encaminhados a ONGs parceiras para doação. “Muita gente pode confundir a proposta do projeto com uma espécie de canil universitário, e não é esse o objetivo, o cão comunitário, por definição, não tem um proprietário, mas uma comunidade responsável”, observa.

Ira reforça a importância da educação para a conscientização da comunidade em relação ao tratamento dos animais. “A educação é a melhor ferramenta para a mudança de comportamento e atitudes das pessoas. Com o acesso à informação, as convicções passam a ser pautadas em valores como compaixão, empatia e respeito, formando profissionais e cidadãos melhores”, enfatiza.

A coordenadora lembra que o direito ao bem-estar animal está garantido pela Lei Estadual nº 21.970, de 15/01/2016, que dispõe sobre a proteção, a identificação e o controle populacional humanitário de cães; pela Lei Federal n° 14.064, sancionada em 29/09/2020, que amplia a pena para quem maltratar cães e gatos; e pela Constituição Federal.

Ações empreendidas durante a pandemia
Negão e Joãozinho – dois dos cães que vivem na Unidade Santa Clara. (Foto: arquivo equipe do projeto)

Lesse, Maria, Bebê, Negão, Joãozinho e Lobinho, cães que vivem na Unidade Santa Clara, foram os primeiros a receber os cuidados no manejo da equipe do projeto. “Assim que retornarmos ao presencial e conseguirmos mais colaboradores, começaremos o manejo de forma correta na sede, em Poços e Varginha”, explica Ira.

Com o apoio do Supermercado Pinheiros, desde julho a equipe recebe a doação mensal de um saco de ração de 15kg para alimentar os cães. Além da colaboração do supermercado, o morador Fábio Cruz, que é representante comercial das rações Special Dog, doa dois sacos de ração de 20kg por mês, em uma iniciativa pessoal voluntária para ajudar o projeto, em colaboração prevista até dezembro de 2020. “Antes, alguns servidores, terceirizados e discentes alimentavam os cães”, comenta Ira a respeito da grande ajuda recebida desses voluntários.

Os cães da Unidade Santa Clara também foram vermifugados, passaram pelo controle de carrapatos e dois deles foram castrados, com as doações feitas pelos servidores.

A equipe do projeto conta também com a colaboração da veterinária Danielle Alexsandra Martins para o atendimento aos cães e com a ajuda da ONG Anjos de Patas, sob a coordenação de Renata Santinelli. “Temos também quatro colaboradores que atuam no manejo dos cães da Unidade Santa Clara, que fazem o revezamento do trabalho de manejo, de acordo com o dia de trabalho deles na UNIFAL-MG”, diz a coordenadora do projeto, enfatizando o grande empenho e a dedicação dos colaboradores terceirizados para a realização do projeto. “Sem eles, não teríamos como fazer o manejo desses cães de forma correta e necessária”, afirma.

Atualmente, encontra-se em desenvolvimento também a confecção de placas educativas, com o apoio da Universidade, para alertar sobre o abandono de animais. A equipe estuda também um local na Unidade Santa Clara para colocar as casinhas dos cães, uma despensa para guardar mantimentos e medicamentos, e uma sala de primeiros socorros, em um lugar distante do RU, da lanchonete e de pontos de maior fluxo de pessoas.

Quem tiver interesse e puder ajudar o projeto com doações de alimentos ou no manejo, pode entrar em contato com Ira pelo e-mail projetobernardo.unifal@gmail.com.

Fotos: arquivo da equipe do projeto

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