No Dia do Controle da Poluição por Agrotóxicos, conheça iniciativas da UNIFAL-MG para a conscientização aos riscos que essas substâncias trazem à saúde e ao meio ambiente

Celebra-se nesta segunda-feira, 11 de janeiro, o Dia do Controle da Poluição por Agrotóxicos, data instituída para conscientizar sobre os riscos causados pelo uso indiscriminado de substâncias como agroquímicos, pesticidas e praguicidas. Na UNIFAL-MG, há estudos e iniciativas que abordam a temática com o propósito de informar à sociedade os riscos que essas substâncias trazem à saúde e ao meio ambiente.

Uma das iniciativas é a realização do Fórum de Combate ao Uso de Agrotóxicos, que surgiu em 2015 com a proposta de ampliar e fomentar a Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e pela Vida, em escala local e regional.

Prof. Adriano Pereira Santos – coordenador do Fórum de Combate ao Uso de Agrotóxicos da UNIFAL-MG. (Foto: Arquivo Pessoal/Prof. Adriano Pereira Santos)

Segundo Adriano Pereira Santos, professor do curso de Ciências Sociais e coordenador do Fórum, a criação do projeto se deu a partir da articulação regional dos movimentos sociais organizados na região do sul de Minas Gerais. “O Fórum se desenvolve a partir de um projeto de extensão em parceria com o Núcleo de Agroecologia e Produção Orgânica (NEAPO) do IFSULDEMINAS, campus Machado; Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e EMATER-MG”, explica.

Os espaços de discussão criados pelo Fórum envolvem pesquisadores, agricultores, consumidores, movimentos sociais, organizações e instituições de saúde. “O principal objetivo do Fórum foi construir processos de sensibilização e conscientização da população sobre os riscos do uso de agrotóxicos para a saúde humana e meio ambiente, denunciando seus efeitos, mas apresentando também a agroecologia como alternativa ao modelo hegemônico do agronegócio”, detalha Prof. Adriano.

Desde a criação, há cerca de seis anos, o Fórum de Combate ao Uso de Agrotóxicos ampliou ações e se integrou a outros projetos da Universidade, ligados à Agroecologia, Educação Ambiental e Soberania Alimentar. Em 2020, passou a fazer parte do programa de extensão “Semeando a terra: ações de fortalecimento da agroecologia e soberania alimentar no Sul de Minas Gerais”.

Ao longo dos anos, o Fórum realizou diversas oficinas de formação junto às escolas secundárias de Alfenas, com a participação de mais de 200 estudantes secundaristas, bem como junto às associações de produtores e agricultores da região. Com a assessoria da EMATER-MG, também possibilitou o desenvolvimento de oficinas práticas e teóricas, visando a formação de agricultores para a transição agroecológica e os processos de certificação orgânica da produção.

Eventos como Jornadas Universitárias, seminários e encontros de Agroecologia, em parceria com o MST e o IFSULDEMINAS, campus Machado. Vale destacar ainda, a criação das feiras agroecológicas, como a FACU, a Feira Agroecológica e Cultural da UNIFAL-MG.

“O Fórum foi pensado num primeiro momento para denunciar e expor os riscos que o uso de agrotóxicos pode trazer à população e ao meio ambiente, mas ao longo dos processos de sensibilização, fomos percebendo a necessidade de não só fazer a crítica e denúncia ao agronegócio, modelo hegemônico que faz uso indiscriminado de agrotóxicos, mas também apresentar à população as alternativas de agricultura, visando uma vida saudável e uma produção de alimentos sustentável”, conta Prof. Adriano.

Feira Agroecológica na UNIFAL-MG, em registro de 2019. (Foto: Dicom/UNIFAL-MG)

Para apresentar a agroecologia como modelo produtivo alternativo ao agronegócio, conforme o professor, a estratégia utilizada foi desenvolver a feira agroecológica, no município de Alfenas, de modo que pudesse ser tanto um canal de escoamento da produção agroecológica, como também um incentivo e fomento à transição e ampliação da agroecologia na região. “A FACU foi desenvolvida de modo a ligar o que estava separado. Ela se tornou um espaço de encontro e sociabilidade entre produtores e consumidores, um espaço cultural, social e econômico onde modos de vida, urbano e rural, o campo e a cidade, se encontram para interagirem, buscando o estreitamento das relações humanas, conectando sujeitos e saberes”, explica.

A FACU foi lançada em agosto de 2019 na Sede da Universidade, com o objetivo de incentivar o consumo de produtos orgânicos e discutir a segurança nutricional, configurando-se como um espaço de sociabilidade e de grande incentivo aos camponeses e à agricultura familiar da região. Conforme Prof. Adriano, os agricultores agroecológicos são selecionados para comercializar seus produtos a cada 15 dias no local.  “Para amparo e sustentação da feira, estamos desenvolvendo ainda um grupo de consumo consciente ‘Cestas Quilombo Campo Grande’, a partir do qual os consumidores podem acessar e adquirir, via grupo de consumo, os produtos agroecológicos disponibilizados pelos agricultores acampados e assentados da Reforma Agrária”, diz.

Conheça também o programa de extensão “Semeando Ideias” da UNIFAL-MG que desenvolve ações de sustentabilidade e agroecologia na Sede da Instituição

 

Referências

Associação Brasileira de Saúde Coletiva (ABRASCO). Dossié ABRASCO: um alerta sobre os impactos dos agrotóxicos na saúde. Rio de Janeiro:EPSJV; São Paulo: Expressão Popular, 2015. 624 p.

Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos – PARA. Relatório das Amostras Analisadas no Período de 2017-2018. Ministério da Saúde: Brasília, 2019. 136 p.

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