Poços de Caldas ganha Núcleo de Mulheres Cientistas; pesquisadoras da UNIFAL-MG e de outras instituições da cidade integram articulação local da organização internacional 500 Women Scientists

A presença das mulheres na ciência é uma realidade nas universidades brasileiras. Ainda assim, é necessário discutir a desigualdade de gênero nesse segmento e ampliar ações de incentivo e fortalecimento da atuação feminina na pesquisa científica. Em fevereiro, a luta das mulheres cientistas ganhou reforço no Sul de Minas com a criação do Núcleo 500 Mulheres Cientistas de Poços de Caldas por pesquisadoras da UNIFAL-MG, do IFSULDEMINAS, PUC, UNIFAE e outras instituições da cidade.

Conforme explicou Renata Piacentini Rodriguez, professora da UNIFAL-MG campus Poços de Caldas e coordenadora do Núcleo, a iniciativa é importante para mostrar a atuação das mulheres na pesquisa científica e para ampliar a discussão dos problemas com a desigualdade de gênero na ciência, como o desestímulo à permanência de mulheres nas ciências e a falta de políticas voltadas às mulheres cientistas.

 

“A divulgação científica mostra que a ciência está disponível para todos. Que a ciência está no nosso dia-a-dia e mesmo sem a gente perceber, estamos vivendo ciência. É importante construirmos essa ideia da ciência acessível desde as nossas crianças, para que elas vejam a área científica como um possibilidade de futuro, mas também, para que essas se tornem pensadores críticos a respeito do mundo, de onde vivem e do que as permeia e rodeia. É preciso divulgar ciência para evitarmos que as pessoas sejam induzidas ao negacionismo ou que duvidem daquilo que a ciência traz como benefício e avanço para a humanidade”. Professora Renata Piacentini Rodriguez

 

“Os Núcleos se tornam importantes ferramentas locais de divulgação científica, estímulo às carreiras científicas e contribuem na diminuição da desigualdade de gênero dentro da ciência. Essas ações aumentam a diversidade dentro da área científica e auxiliam na construção de espaços mais criativos e mais motivados”, destacou a coordenadora.

A organização 500 Women Scientists foi criada nos Estados Unidos, em 2016, para promover mudanças efetivas por meio da ação de grupos locais, com o objetivo de construir raízes nas comunidades a partir de fortes relações interpessoais. A missão institucional do grupo é “servir a sociedade tornando a ciência aberta, inclusiva e acessível” e, entre os valores, destacam que a ciência atinge a vida de todas as pessoas neste planeta.

De acordo com Renata Rodriguez, as professoras, as pesquisadoras, as estudantes e todas as mulheres de Poços de Caldas, com atividades ligadas à ciência, podem integrar o Núcleo. As reuniões serão mensais e o foco será no desenvolvimento de projetos e ações de promoção da maior igualdade de gênero na ciência, incentivo às meninas para que atuem nas áreas científicas, divulgação científica e proposição de mudanças nos processos de contratação de pesquisadoras e de seleção de estudantes para ingresso em cursos de graduação e pós-graduação, contemplando aspectos inerentes à carreira da mulher, como o período de licença maternidade.

Durante a pandemia, o Núcleo também vai organizar eventos online de divulgação científica para as meninas das escolas de Poços de Caldas e, quando houver condições de retorno seguro às atividades presenciais, vai criar um projeto especial voltado às meninas entre 8-11 anos para estímulo à carreira científica.

“A divulgação científica mostra que a ciência está disponível para todos. Que a ciência está no nosso dia-a-dia e, mesmo sem a gente perceber, estamos vivendo ciência”, destacou a coordenadora do Núcleo. Ela ressalta a importância de apresentar a ciência às crianças para que elas vejam a área científica como uma possibilidade de futuro. “Mas também, para que essas se tornem pensadores críticos a respeito do mundo, de onde vivem e do que as permeia e rodeia. É preciso divulgar ciência para evitarmos que as pessoas sejam induzidas ao negacionismo ou que duvidem daquilo que a ciência traz como benefício e avanço para a humanidade”, finalizou a cientista Renata Piacentini Rodriguez.

Saiba mais sobre a 500 Women Scientists e o Núcleo de Poços de Caldas

Atualmente, a organização internacional está distribuída em mais de 100 países, possui mais de 3.000 integrantes e, no Brasil, conta com mais de 60 Núcleos regionais espalhados por todo o território. Os princípios da organização estão pautados na Justiça, Equidade, Diversidade e Inclusão e devem ser seguidos por todos os núcleos e pelas suas integrantes.

O Núcleo de Poços de Caldas possui hoje 16 mulheres que atuam, efetivamente, na consolidação dos princípios da organização e na proposição de projetos direcionados à promoção da diversidade de gênero nos espaços acadêmicos e de pesquisa. E para fortalecer as ações junto à sociedade civil, o Núcleo possui duas integrantes no Conselho Municipal de Direitos da Mulher de Poços de Caldas.

Para saber como integrar o Núcleo 500 Mulheres Cientistas de Poços de Caldas envie um e-mail para: 500wspocosdecaldas@gmail.com.

 O que algumas cientistas da UNIFAL-MG falam sobre as Mulheres na Ciência:

“Ser pesquisadora em exatas é desafiador, principalmente na área de engenharia elétrica. Atuar e coordenar projetos de Pesquisa e Desenvolvimento junto ao setor elétrico e petrolífero requer, muitas vezes, enfrentar dificuldades invisíveis que se esbarram na cultura, na crença de superioridade, na oposição quanto à igualdade de direitos entre os gêneros, com a simples função de dirimir o domínio, habilidade e conhecimento técnico da mulher pesquisadora sobre o assunto. Sim! Ser mulher, mãe, engenheira, pesquisadora e docente, não é fácil, mas continuaremos a realizar e demonstrar, o quão somos potentes na concretização de nossas escolhas.” Profa. Izabella Carneiro Bastos (Instituto de Ciência e Tecnologia). Desenvolve pesquisas na área de Energia, eficiência energética e mobilidade elétrica.

 

“Ser historiadora no Brasil é lutar pela descolonização de saberes e das relações de gênero na ciência e na universidade. É ocupar espaços e provocar questionamentos sobre as ausências de registros e de políticas públicas que atendam às singularidades das mulheres em suas mais diversas interseccionalidades. É também assumir a ciência como um ofício em defesa da diversidade, da representatividade e da autonomia feminina, capaz de abalar hierarquizações sexistas e racistas. É tomar a palavra.”  Profa. Marta Gouveia de Oliveira Rovai (Instituto de Ciências Humanas e Letras). Desenvolve pesquisas nas áreas de História pública, história das mulheres, gênero e suas interseccionalidades

 

 

“A participação das mulheres na ciência vem desde as ‘bruxas’ que eram queimadas na fogueira como castigo pelos seus conhecimentos e até às grandes pesquisadoras brasileiras destacando no desenvolvimento de estratégias na pandemia. Essa participação seria muito maior se houvessem políticas públicas de incentivo e uma educação libertadora onde nossas meninas se espelhem nessas grandes mulheres e compreendam que elas podem ocupar absolutamente qualquer espaço”. Profa. Marisi Gomes Soares (Instituto de Química). Desenvolve pesquisas nas áreas de Química de produtos naturais. Plantas e seus constituintes como substâncias ativas contra diversas doenças

 

“Lutamos todos os dias para a construção e divulgação de conhecimento, apesar dos cortes de verbas e dos movimentos negacionistas. Vivemos vencendo desafios diários e a cada resultado positivo vibramos, e esquecemos de todos os percalços encontrados pelo caminho. Ser mãe e mulher no meio de tantas atribulações é ainda mais desafiador, mas é com a mesma dedicação que vivo entre meus filhos e meus alunos, tentando passar meu legado adiante.” Professora Andréa Mollica Paffaro (Instituto de Ciências Biomédicas). Desenvolve pesquisas em Biologia da Reprodução.

 


“Ser pesquisadora é enfrentar um novo desafio a cada dia, em especial, sendo mulher em ambientes por vezes tão machistas, como o acadêmico. Por isso, busco fazer escolhas que possam contribuir para a transformação dessas relações de opressão. Pesquiso a economia solidária e as relações de trabalho, buscando compreender como os trabalhadores e trabalhadoras do Brasil enfrentam seus desafios cotidianos”. Professora Ana Carolina Guerra (Instituto de Ciências Sociais Aplicadas). Desenvolve pesquisas nas áreas de Administração e Economia.

 

“Ser pesquisador não é fácil em nenhum lugar do mundo! Exige perseverança para trabalhar com frustrações e vários resultados errados até chegar a um certo. Também exige criatividade, podemos nos deparar com resultados maravilhosamente inesperados. Para as mulheres é mais desafiador ainda, por termos que brilhar para sermos vistas além dos homens. Então, ao sermos mais desafiadas nos cobrimos de estrelas, porque o desafio é a energia do pesquisador.” Professora Luciana Azevedo (Faculdade de Nutrição). Desenvolve pesquisas sobre toxicologia de alimentos, mutagenicidade, câncer e alimentos funcionais.

 

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