Obras editadas pela Pró-Reitoria de Extensão são lançadas em cerimônia na UNIFAL-MG; publicações são referências para estudos sobre a região

Quatro obras de grande relevância para a sociedade foram lançadas pela Pró-Reitoria de Extensão na noite de sexta-feira (28/06), no auditório Leão de Faria. Das publicações, duas são referências para estudos das áreas de História e Geografia por resgatar como foram os impactos da criação do reservatório de Furnas para moradores da região. As outras duas apontam, respectivamente, reflexões e resultados de atividades extensionistas com relatos de experiências de gestores de Extensão, e a evolução histórica do programa Universidade Aberta à Terceira Idade (UNATI) implantado na UNIFAL-MG há cerca de 20 anos.

“Mandassaia” é um romance reeditado pelo professor Eloésio Paulo, do Instituto de Ciências Humanas e Letras (ICHL) da Universidade. Trata-se da obra de Ildeu Manso Vieira (1929-2000) sobre o alagamento de uma vasta área de terras no Sul Minas para a criação do reservatório de Furnas, entre o final dos anos de 1950 e início da década de 1960. “O livro conjuga ao resgate de um episódio essencial para a identidade da microrregião a recordação emocionada de episódios cujas personagens não passam, para a maioria, de inexplicados nomes de ruas”, apresenta a obra Prof. Eloésio. “Ao recolocar à disposição do público este livro, a UNIFAL-MG presta um relevante serviço  a todos quantos se interessem por lembranças que, tendo-se fragmentado entre poucas memórias  privilegiadas, contém dados e explicações eloquentes acerca do presente comum.”

Durante o lançamento, os irmãos do autor, Ilma Manso Vieira Mansur e Isnard Manso Vieira, apresentaram a obra, compartilhando um pouco a história que originou o romance. De acordo com Ilma Manso Vieira Mansur, Ildeu trabalhou na construção de Furnas, cumprindo a difícil tarefa de visitar donos de terras que seriam alagadas para tentar diminuir a resistência dos proprietários para a assinatura dos contratos. “Em vários casos, quando algum proprietário de terras, mais nervoso e inconformado, blasfemava contra o crime do século, Ildeu concordava, dava razão, colaborava com o interlocutor, não só para obter a aprovação como também porque considerava sinceramente injusta a indenização proposta. Ele sabia que muitas daquelas terras desapropriadas estavam sendo indenizadas por um preço aviltante, muito abaixo do preço de mercado”, narrou. “Nesse trabalho de andar por toda região, do que viria ser a represa de Furnas, Ildeu achou que deveria registrar tudo aquilo que via, testemunhava e via. E nasceu aí um calhamaço de informações, uma espécie de diário, que viria a se tornar o Mandassaia. Quando Furnas era considerada o crime do século”, contou.

A obra “História de quando a água chegou” contou com a organização dos professores do ICHL, Flaviane Faria Carvalho, Italo Oscar Riccardi León e Rosângela Rodrigues Borges. O livro reúne relatos de pessoas que viveram as duas realidades que se apresentaram a partir da desapropriação de terras para a implantação do Lago de Furnas: o antes e o depois da inundação.

Conforme a organizadora, Profa. Flaviane,   atual gerente de Publicações e outros Produtos Acadêmicos da Pró-Reitoria de Extensão, o trabalho é fruto do programa de extensão chamado Civitas, o qual abriga vários outros projetos vinculados, sendo “Histórias de quando a água chegou”, um deles, inicialmente coordenado pelo professor Italo. O projeto teve como primeiro bolsista o ex-aluno do curso de Letras, Paulo César de Carvalho, que resgatou e registrou, por meio de documentário, as memórias ligadas à construção da barragem de Furnas que, na época, era considerada a maior hidrelétrica em execução da América Latina. “Embora a construção da represa tenha sido considerada fundamental para salvar o país de uma crise energética, que poderia levar uma emergente indústria nacional em colapso, no período de Juscelino Kubitschek, quando ele quis fomentar a indústria nacional, o lago formado em 1963 inundou cerca de 1.400 km de terras em 34 municípios”, narra Profa. Flaviane. “Gerou progresso, mas, por outro lado, gerou revolta, prejuízo às atividades econômicas da região e, também, transformação geográfica e social”, acrescentou, contando que além de receber menção honrosa como melhor projeto da área de cultura na primeira edição do Simpósio Integrado da UNIFAL-MG, em 2015, o projeto deu origem ao trabalho de conclusão de curso do bolsista e na produção do livro, do qual é uma das organizadoras e também autora.

Trocas de experiências e conhecimentos produzidos pelas universidades públicas brasileiras são destaques na obra “Extensão Universitária: Diálogos e Possibilidades”, organizada pela pró-reitora de Extensão da UNIFAL-MG, Profa. Eliane Garcia Rezende, em parceria com a professora Ana Rute do Vale, pró-reitora adjunta de Extensão da Universidade, na gestão 2014-2018. “O livro é um trabalho que foi sendo composto a partir do Fórum de Pró-Reitores e sobre várias temáticas que foram sendo abordadas ao longo dessas reuniões”, revela Profa. Ana Rute. “O livro traz docentes da UNIFAL-MG e a ideia é que ele servisse de base para quem trabalha na extensão universitária, que muitas vezes está mais para prática mas não para teoria. Inclusive, quando a gente tem a elaboração dos projetos, a cada edital que a gente lança, essas questões são colocadas. Nós precisamos entender o que é a extensão universitária, entender as diretrizes, entender como ela funciona na teoria e na prática”, salientou, anunciando que um novo volume com a mesma temática deve sair em 2020.

O sucesso de um dos mais maiores programas de extensão desenvolvidos na UNIFAL-MG é detalhadamente evidenciado nas páginas do livro “UNATI: histórias e experiências compartilhadas”. O compêndio, organizado pela pró-reitora, Profa. Eliane Garcia Rezende, apresenta a experiência da Universidade ao longo de quase 20 anos mobilizando servidores, estudantes e voluntários na realização de atividades para pessoas com 60 anos ou mais. “A gente não faz extensão sem produção de novos conhecimentos e pesquisa junto; e o impacto é muito relevante de ser retratado”, afirmou Profa. Eliane durante o lançamento. “A UNATI é um grande programa, talvez seja o maior programa de extensão que nós temos aqui na nossa Universidade. Esse ano a gente tem mais de 400 idosos matriculados nas atividades. São 23 oficinas. É fruto de muito trabalho, de muito esforço e é uma alegria enorme a gente conseguir contar um pouco dessa história em um exemplar, que pode ser difundido e utilizado como ferramenta de modelo para outras instituições”, afirmou.

Cerimônia de Lançamento

A solenidade de lançamento das obras foi abrilhantada pela apresentação dos músicos do projeto de extensão “Orquestra Popular”, coordenado pelo professor Mário Danieli Neto, sob a regência de Thiago dos Santos. Onde quer que se apresente, agrada a todos, cumprindo o objetivo de difundir o cancioneiro popular brasileiro.

“Talvez esteja virando clichê a famosa frase de que ‘Nós precisamos da arte para que a verdade não nos destrua’, mas toda vez que a gente tem a experiência com a beleza da arte eu me lembro disso. A gente enfrenta tantas dificuldades, tantas lutas e esse é o momento que a arte nos reumaniza, nos recoloca em contato com a beleza”, afirmou o reitor, Prof. Sandro Amadeu Cerveira, ao se referir à apresentação da Orquestra Popular.

O momento contou com a presença também da pró-reitora de Extensão, Profa. Eliane Garcia Rezende; da gerente de Publicações e outros Produtos Acadêmicos da Pró-Reitoria de Extensão, Profa. Flaviane Faria Carvalho, e da secretária municipal de Educação e Cultura de Alfenas, Tani Rose, representando na ocasião, o prefeito Luiz Antônio Silva.

Em seu pronunciamento, o reitor lembrou o significado de Extensão Universitária, ressaltando que a universidade não se assenta apenas sobre o Ensino e a Pesquisa. “Extensão Universitária é exatamente essa possibilidade que nós estamos vivenciando hoje, de que aquilo que a universidade produz não fique deslocado da vida social, das pessoas, que são na verdade as grandes sustentadoras e apoiadoras da universidade”, disse.

Comentando o trabalho empreendido pela Pró-Reitoria de Extensão para o lançamento das obras, a secretária municipal de Educação e Cultura, Tani Rose enfatizou: “É importante nós, como cidadãos, principalmente, na educação, trabalhar o conhecimento da nossa realidade, da nossa história, da nossa cultura, que não ficou para trás. Ele está na nossa memória. Faz parte da nossa identidade.”

Para saber como adquirir exemplares das obras, entre em contato com a Pró-Reitoria de Extensão pelo telefone (35) 3701-9300 ou pelo e-mail proex.publicacoes@unifal-mg.edu.br

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