Professores das Ciências Biológicas oferecem acolhimento aos estudantes do curso em encontros virtuais de um projeto de mentoria; rodas de conversa ajudam a enfrentar o período de distanciamento social

Em um de seus textos mais conhecidos, intitulado “Escutatória”, o escritor Rubem Alves (1933-2014) usa o neologismo baseado na palavra “oratória”, para falar da importância do ouvir. Ao observar as conversas do cotidiano e a necessidade que as pessoas têm de falar, o escritor reflete como o ser humano tem dificuldade para parar e escutar o que o outro tem a dizer e, de fato, compreender o que está sendo dito. Um projeto extensionista da UNIFAL-MG utiliza a “escutatória” como pano de fundo para oferecer acolhimento aos estudantes no período de distanciamento social.

Idealizado por professores do curso de Ciências Biológicas, o projeto funciona como mentoria  e acontece por meio de encontros virtuais regulares, entre docentes e discentes do curso, para conversar sobre temas como estresse acadêmico e emocional, futuro profissional e carreira, enfrentamento de problemas causados pela pandemia do novo coronavírus e pelo distanciamento social, entre outros.

Para o professor Rogério Grassetto, coordenador do projeto, a proposta foi pensada a fim de oferecer apoio aos discentes, tendo em vista que a pandemia da Covid-19 intensificou as inquietações inerentes da fase acadêmica em que os estudantes passam por dificuldades, precisam enfrentar desafios e têm tantas dúvidas e angústias quanto ao futuro profissional.  “Esta situação encontra-se atualmente agravada pela atual pandemia do novo coronavírus, que nos obrigou ao distanciamento social, além de ter interrompido as aulas de graduação e o convívio dos alunos com toda a comunidade acadêmica, muitos estando inclusive longe da casa de seus pais. Assim, o programa visa dar suporte aos alunos por meio de uma estrutura de mentoria”, explica.

O coordenador pontua que os docentes envolvidos no projeto conduzem as rodas de conversa informalmente, ficando cada um responsável por um grupo constituído por cerca de 10 estudantes. “Os alunos foram divididos por grupos: enviamos e-mail para eles convidando e eles mandaram uma lista de preferência dos docentes que gostariam de ter como seus mentores e, então, nós tentamos distribuir uma quantidade igual de alunos por mentor, baseada na ordem de preferência, se possível, e tentando também colocar alunos de diferentes períodos e dos dois cursos, Licenciatura e Bacharelado, porque a ideia é que também tenha uma interação entre eles”, detalha.

Print da tela da videoconferência realizada em um dos encontros virtuais do projeto. (Foto: Reprodução)

Os encontros acontecem uma vez por semana ou de forma quinzenal por uma das ferramentas on-line de videoconferência. “Basicamente, vemos o que tem mais afligido e angustiado os discentes neste momento, conversamos sobre como foi a experiência com o Regime Especial de Estudos a distância, sobre o futuro profissional e carreira acadêmica da Biologia, algumas estratégias para lidar com o problema da pandemia, quais são as principais dúvidas”, conta Prof. Rogério.

“Muitos têm sentido dúvidas, porque não tem tido uma comunicação tão efetiva assim das possíveis soluções, então como todos eles estão muito angustiados com o futuro, nós nos disponibilizamos para  fazer um ambiente acolhedor, sem julgamentos, para que eles possam se manifestar livremente, então se quiserem fazer chamadas por vídeo podem, se não quiserem aparecer, também podem”, observa.

Prof. Rogério esclarece que não se trata de um acompanhamento psicológico nem de assistência social.  “Se nós eventualmente detectarmos no público ou em conversas privadas que algum aluno está com um problema mais sério, psicológico ou de enfrentamento ou mesmo de assistência social, vamos procurar encaminhar para estes profissionais”, afirma.

Quanto à repercussão dos primeiros encontros, o coordenador garante ter sido muito positiva, uma vez que os alunos manifestaram gostar da ideia de participar do grupo. “Embora alguns tenham falado um pouco menos, foram bastante receptivos e muitos disseram que estavam participando até pra manter o contato com a Universidade, terem alguma coisa para fazer porque estão muito entediados e inseguros quanto ao futuro. Então a repercussão foi muito boa”, enfatiza.

Além do coordenador e da vice-coordenadora do projeto, professora Lívia Maria Rosatto Moda, também participam os docentes: Prof. Flávio Nunes Ramos, Prof. Vinícius Xavier da Silva, Profa. Tereza Cristina Orlando, Prof. Marcos Vinicios Salles Dias, Profa. Talita Mazzoni, Profa. Roseli Soncini e Profa. Luisa Dias Brito.

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