“Comunicação, política e educação no Brasil” – Elias Evangelista Gomes

O que está por trás das relações entre comunicação política e educação política no país?  A resposta para perguntas como essa pode ser encontrada na obra “Comunicação, política e educação no Brasil”, escrita pelo sociólogo Elias Evangelista Gomes, professor do Instituto de Ciências Humanas e Letras (ICHL) da UNIFAL-MG.

Publicado pela Appris Editora (Curitiba-PR), em 2020, o livro é resultado da tese de doutorado do docente da UNIFAL-MG, realizada no Programa de Pós-Graduação em Educação, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), concluída no ano de 2015.

“No estudo, mostro que as notícias falsas são aspectos antigos da comunicação política no Brasil e, por meio de exemplo e análises, discuto as relações entre fofoca, mentira, baixaria, moral e religião”, detalha o autor Elias Evangelista Gomes. (Foto: Arquivo Pessoal/Elias Evangelista Gomes)

Logo no primeiro capítulo, a obra apresenta a experiência do próprio autor com a comunicação política ainda na escola de ensino fundamental, para então perpassar pelos espaços, agentes e estratégias de comunicação política, bem como pelas relações entre o campo científico e a comunicação pública.

Elias busca problematizar ao longo das 201 páginas, aspectos de uma responsabilidade da mídia e da escola acerca da comunicação política no país, a partir da análise de métodos e conteúdos das campanhas, com destaque para a memória e a fofoca.

“Para esta pesquisa, entrevistei importantes comunicadores, publicitários, consultores de campanhas presidenciais no Brasil e que também fazem campanhas municipais e estaduais nas cinco regiões do país”, conta o autor, que em 2012, morou em Belém do Pará, para compreender de perto as dimensões culturais e educativas das eleições.

Segundo ele, na capital paraense, acompanhou as atividades do comitê central de uma campanha para prefeito. “Participei da agenda dos candidatos a prefeito e vice-prefeito, em caminhadas e carreatas, nos bairros e encontros com lideranças comunitárias, políticas e religiosas”, revela. O pesquisador também investigou a produção técnica e visual do marketing político, acompanhando a agência responsável pelos programas que iam ao horário gratuito de propaganda eleitoral. “Trata-se de uma pesquisa etnográfica multissituada, na qual, através de instrumentos metodológicos, espaços sociais e conteúdos diversos, busquei compreender os fios que ligam as relações entre comunicação, política e educação”, acrescenta.

Durante a pesquisa, o autor teve oportunidade de aprofundar as leituras e as análises sobre comunicação política na Universidade Complutense de Madrid, na Espanha, onde realizou estágio sanduíche. “Foi uma pesquisa de muito fôlego e envolvimento da minha parte. Estou feliz com o resultado do livro, pois penso que é uma distinta contribuição para pensar a política e, ao mesmo tempo, o nosso país”, afirma.

Entre os diferenciais encontrados na obra, está o fato desta examinar a emergência de cursos de formação de comunicadores públicos em universidades brasileiras, as interpretações da cultura brasileira realizadas pelos consultores políticos e as dimensões educativas e socializadores da própria comunicação política no país e especificamente, em Belém do Pará.

“Concluí a pesquisa de campo em 2015, um ano antes da eleição de Donald Trump e, antes mesmo, do termo fake news ganhar notoriedade mundial. No estudo, mostro que as notícias falsas são aspectos antigos da comunicação política no Brasil e, por meio de exemplo e análises, discuto as relações entre fofoca, mentira, baixaria, moral e religião”, detalha o autor.

Quem assina a orelha do livro é Luciana Panke, pesquisadora e professora da Universidade Federal do Paraná (UFPR), vice-presidente da Associação Latinoamericana de Pesquisadores em Comunicação Eleitoral, premiada em 2016 nos Estados Unidos, como uma das mulheres mais influentes na comunicação política.

De acordo com a pesquisadora, a obra é “uma leitura mais que recomendada para entender e apreciar a interligação entre comunicação, política e educação.” Ela descreve: “O autor mostra-nos que os consultores políticos são agentes do simbólico e da cultura. Portanto, colaboram diretamente para a educação política por trazerem retratos do Brasil que, não necessariamente, correspondem à realidade. Mesmo que a escola seja o local privilegiado para articular debates, a educação política ocorre em outros espaços, como nas famílias, nos grupos de amigos e nas comunidades.”

A obra está dividida nos capítulos “A comunicação política ao longo da vida”; “Conectando fios no centro do poder”; “Nexos entre comunicação política e educação”; “Educadores e intérpretes da cultura”; “A memória como conteúdo e didática”; “A fofoca na política”; “Educação política, da mídia à escola”, cujos conteúdos permitem o aprofundamento de reflexões sobre a democracia no Brasil, sendo indicada a educadores, antropólogos, comunicadores, cientistas políticos, sociólogos, professores da educação básica, pesquisadores da educação superior e demais interessados na temática.

O livro pode ser encontrado na versão impressa ou digital diretamente no site da editora ou nos portais de venda de livros on-line.

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