Universidades federais realizam mais de 800 pesquisas para o enfrentamento da Covid-19, de acordo com levantamento divulgado pela Andifes

As universidades federais brasileiras têm 823 pesquisas científicas em andamento no combate ao coronavírus, de acordo com o levantamento feito pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) junto a 46 instituições (de 67) que responderam a uma pesquisa. As principais iniciativas foram apresentadas durante coletiva de imprensa realizada remotamente pela entidade nesta segunda-feira, 11/05.

Conforme o levantamento, juntas, as universidades já produziram quase 163 mil protetores faciais, mais de 85 mil máscaras de pano, seis mil aventais e 2 mil capuzes, e promoveram cerca de 700 campanhas educativas para auxiliar 198 governos municipais e 79 governos estaduais, com os quais mantêm parcerias.

Mais de 55 mil testes para Covid-19 já foram realizados e há 53 ações de produção de testes em andamento.

Os dados da Andifes apontam ainda que as instituições federais de ensino superior disponibilizaram 2.828 leitos de atendimento comum e 489 leitos de UTI. Estão em andamento também 96 projetos responsáveis para o fornecimento de álcool em gel (até o momento já foram produzidos 992.828 litros) e de álcool comum (até o momento já foram produzidos 912.000 litros). Além disso, há 341 ações solidárias junto às comunidades.

Durante a coletiva de imprensa, o presidente da Andifes, Prof. João Carlos Salles Pires da Silva, reitor da UFBA, ressaltou que mesmo em um cenário de cortes orçamentários, as instituições federais de ensino superior têm conseguido contribuir de forma significativa para o país neste momento de pandemia. “As universidades públicas, assim como o Sistema Único de Saúde (SUS), têm conseguido dar as respostas mais eficazes nesse momento. Evidentemente que estão atuando com as condições que têm. Estamos sofrendo uma defasagem orçamentária que, se não houvesse, possibilitaria respostas mais robustas. Estamos respondendo a tudo isso com uma seriedade imensa, que pode ser observada a partir dos números apresentados”, frisou.

Para o reitor da UNIFAL-MG, Prof. Sandro Amadeu Cerveira, o levantamento apresentado pela Andifes reforça em números aquilo que a própria estatística apontou recentemente: mais de 95% da pesquisa científica no Brasil passa ou é produzida pelas universidades federais. “Isso significa que sem o investimento pesado nas universidades federais e nos institutos federais, o país fica completamente órfão de pesquisa científica, seja ela básica, seja ela aplicada”, afirmou.

O reitor lembra que as pesquisas realizadas pelas universidades federais não surgiram a partir do aparecimento da pandemia do coronavírus. “Essas pesquisas existem porque já havia grupos de pesquisa, laboratórios e pesquisadores produzindo esse tipo de pesquisa”, analisa. “Nós podemos mostrar para sociedade brasileira que seja qual for o assunto e o que é necessário para fazer pesquisa científica, nós temos uma capacidade instalada; expertise na figura das nossas professoras e professores, pesquisadoras e pesquisadores; o que significa que falar de investimento em universidade pública não é uma questão humanista ou uma questão de retórica, é uma questão absolutamente estratégica e vital no sentido forte do termo, pois sem as universidades federais operando de maneira concreta neste momento, a vida das pessoas estará em risco porque não haverá vacina, tratamento ou enfrentamento”, argumentou.

Ao comentar o papel das universidades neste momento, Prof. Sandro também falou que as ações evidenciam as dimensões de ensino, pesquisa e extensão das universidades, visto que a pesquisa ajuda nas investigações científicas e na produção de insumos, os quais, ao serem disponibilizados para a sociedade, gratuitamente, passam pela dimensão da extensão. O ensino, segundo o reitor, é a questão central no andamento das atividades acadêmicas. “O ensino precisa ser pensado e precisa ser pensado cientificamente também”, diz.

Retorno às aulas

Os jornalistas que participaram da coletiva de imprensa perguntaram ao presidente da Andifes, a respeito do retorno das atividades acadêmicas suspensas, oportunidade em que Prof. João Carlos Salles Pires da Silva, explicou que o calendário acadêmico não coincide com o calendário civil. Segundo o presidente da associação, a volta às aulas vai depender do comportamento da pandemia e que a Andifes já constituiu um grupo de trabalho para identificar as medidas necessárias para um possível retorno seguro, tanto para os alunos quanto para as regiões onde as universidades estão localizadas. “Nossos espaços presenciais talvez não estejam preparados para oferecer as condições de higienização necessárias para uma situação como esta. Terá que ser pensado um planejamento para garantir que o retorno não signifique afrouxar as medidas sanitárias devidas e favorecer uma nova onda da disseminação do novo coronavírus. Mas cada universidade é autônoma para decidir essa questão”, declarou.

Conforme o presidente da Andifes, a entidade irá promover, ainda em maio, um evento para debater ações remotas e tecnologias de informação que possam funcionar como ferramentas de apoio ao ensino durante a pandemia. “Estas ações precisam superar desigualdades e não aprofundá-las, por isso é preciso ter calma para oferecer condições digitais para a população, uma vez que o acesso as essas tecnologias é desigual fora das universidades. Não podemos agir no improviso e não estamos de férias. Estamos trabalhando para oferecer alternativas inclusivas e de qualidade”, destacou.

Contexto UNIFAL-MG

Dados das ações da UNIFAL-MG voltadas para esse período de pandemia da Covid-19 já registram:

Há diversas outras iniciativas ainda dos cursos e projetos acontecendo na Universidade. Informe as ações pelo formulário de mapeamento “UNIFAL-MG contra o Coronavírus”.

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