Reitores da UNIFAL-MG de 2005 a 2020 falam sobre os 15 anos de Universidade; história da transformação da Efoa em UNIFAL-MG e o papel da Universidade Pública foram alguns dos temas abordados

Para marcar os 15 anos de transformação da Escola de Farmácia e Odontologia de Alfenas em Universidade Federal de Alfenas, a atual reitoria e ex-reitores da UNIFAL-MG comentam a data e o papel da universidade pública na atualidade, em mesa virtual transmitida no dia 3 de agosto. O evento teve participação do professor Antonio Martins de Siqueira, o Prof. Tonhão, do professor Paulo Márcio de Faria e Silva e do professor Sandro Amadeu Cerveira.

No evento, os convidados destacaram o papel da universidade pública no Brasil, a importância da UNIFAL-MG no contexto regional e os impactos da transformação da Efoa em Universidade. Além dessas questões, cada reitor abordou temas específicos em suas falas.

A história

O professor Tonhão fez um resgate histórico da instituição e do contexto na época da transformação. “Era uma escola particular, e os seus professores eram mantenedores da instituição. Décadas passaram, sobrevivemos ao dilema da primeira guerra, as recessões, a Segunda Grande Guerra. Cada um dos diretores que por aqui passou, com o envolvimento do corpo docente e discente e dos servidores administrativos, fez essa escola se manter e, na década de 60, houve a federalização da Escola de Farmácia e Odontologia de Alfenas. Passamos a fazer parte de uma rede pública de educação superior”, relatou.

Em seu pronunciamento, o professor Tonhão lembrou que a articulação para transformação da Efoa/Ceife em Universidade ocorreu na gestão 2001-2005,  do professor Maciro Manoel Pereira. “Esse projeto foi criado, foi trabalhado, mas não aconteceu na gestão do professor Maciro. Aconteceu na gestão seguinte, da qual eu participei como reitor. Em julho, tivemos a aprovação e, finalmente, o Centro Federal de Alfenas se transformou em Universidade Federal. Foi uma grande festa, uma grande transformação para toda a comunidade”, disse. A transformação em Universidade ocorreu pela Lei 11.154, de 29 de julho de 2005, sancionada pelo presidente Luís Inácio Lula da Silva.

“Eu costumo dizer que a Universidade é um projeto de todos. Ela nasceu em 1914, mas cada um dos administradores, do corpo docente, dos servidores administrativos trabalhou para que isso acontecesse. Cada aquisição foi obra de cada um que por aqui passou”, ressaltou o professor Tonhão.  Em sua fala, o ex-dirigente da UNIFAL-MG e atualmente docente aposentado, agradeceu ao professor Paulo Márcio de Faria e Silva por ter sido o “timoneiro” da transformação em Universidade.

A expansão

Na época da transformação em UNIFAL-MG, a instituição oferecia oito cursos de graduação. Hoje, a Universidade oferece 38 cursos de graduação atendendo a  mais de 6 mil estudantes. Em 2009, a UNIFAL-MG concluiu sua expansão para as cidades de Poços de Caldas e Varginha, e implantou a Unidade Santa Clara, em Alfenas.

Nessa expansão, o professor Paulo Márcio estava como assessor de planejamento. Como reitor, esteve à frente da UNIFAL-MG por duas gestões, no período de 2010 a 2018. “A implantação foi constituída de muito trabalho e de muitos desafios”, revelou. “É importante destacar o crescimento, em especial nesses anos todos, da Pós-Graduação. Vale destacar que, em 2005, no ano da transformação, a gente tinha conseguido um único curso de Pós-Graduação presencial […]. O que chama a atenção, para mim, é ver os dados atuais da Pós-Graduação e ver a quantidade de programas de mestrado e de doutorado que a Instituição oferece”.

Atualmente, a UNIFAL-MG possui 23 programas de mestrado, seis de doutorado, 30 pós-doutorados sendo realizados na Universidade e 11 especializações. “Hoje, felizmente, é possível fazer toda a carreira acadêmica, da graduação ao doutorado ou ao pós-doutorado, na Universidade”, destacou.

O professor Paulo Márcio expressou sua alegria pela UNIFAL-MG estar “viva e atuante” durante esse período de distanciamento social.  Para ele, a presença da universidade tem sido sentida pela sociedade, principalmente, pela frequência de membros da comunidade universitária em matérias jornalísticas na imprensa regional.

Universidade: a voz dissonante

A fala do professor Sandro Amadeu Cerveira, atual reitor da UNIFAL-MG, enfatizou o papel da Universidade Pública no país e no mundo e, também, da necessidade das universidades continuarem sendo “a voz dissonante para a construção da República e da democracia”. De acordo com ele, “a universidade cumpre um papel absolutamente central no mundo contemporâneo, que é a possibilidade de duvidarmos daquelas noções sobre o funcionamento do mundo, para produzir o que chamamos de conhecimento científico”.

Ainda enfatizando a importância da universidade, o reitor disse que a UNIFAL-MG precisa ser capaz de produzir conhecimento e valores. “Nesse sentido, a universidade tem o papel de nos alertar e de nos fazer duvidar, repensar”, completa. “Se nós aceitarmos determinados dogmas sobre como o mundo funciona, nós teremos um mundo que não avançará”, enfatizou.

Na dimensão histórica, Sandro Cerveira disse que a UNIFAL-MG é fruto de um longo processo histórico e que, além dos fundadores, muitos professores e alunos anônimos contribuíram e “[…] nenhum de nós é causa de si mesmo. As condições para construir alguma coisa implicam uma coletividade de seres humanos e implicam o reconhecimento de que as coisas vão acontecer quando elas estiverem construindo sentido para nós”.

A mesa com os reitores da UNIFAL-MG é o primeiro evento de comemoração dos 15 anos de Universidade. Ao longo do segundo semestre deste ano, serão realizadas outras iniciativas focadas no tema “Universidade Pública no Brasil”. O evento na íntegra pode ser assistindo no canal oficial da UNIFAL-MG do Youtube.  Acesse também, a Galeria de Dirigentes da UNIFAL-MG.

Colaboração: Milena Favalli Simão, estagiária de Comunicação Social da Diretoria de Comunicação Social

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