Ela é pequenina no tamanho, mas imensa na importância para a vida do planeta; série especial do Jornal UNIFAL-MG celebra o Dia Nacional da Abelha

No domingo, 3 de outubro, celebra-se o Dia Nacional da Abelha. Para promover um olhar mais apurado sobre a importância desse inseto voador para a manutenção da vida na Terra, a equipe da Diretoria de Comunicação Social (Dicom) conversou com pesquisadores da comunidade científica da UNIFAL-MG que se dedicam ao desenvolvimento de estudos como os benefícios da própolis para a saúde, a organização social das abelhas e as contribuições da polinização para o bem-estar humano e para nossa segurança alimentar. A seguir, confira uma síntese dos trabalhos desenvolvidos por grupos de pesquisa da Universidade. Na próxima semana, o Jornal UNIFAL-MG dará destaque a uma série de reportagens que detalhará cada um desses estudos.

Afinal, por que é tão importante comemorar o dia 3 de outubro?

Podemos citar três fatores elencados pela ONG americana em defesa das abelhas World Bee Day para resumir o papel imprescindível que ela cumpre para o meio ambiente. O primeiro diz respeito à sua função na alimentação do planeta. O segundo é a contribuição que ela oferece para a sustentabilidade agrícola a partir da polinização. O terceiro fator está ligado à biodiversidade, uma vez que a abelha é sensível às mudanças do ambiente e temperatura, sendo capaz de sinalizar como está a “saúde” do planeta. Tamanha importância reforça a necessidade do desenvolvimento de estudos e mapeamento para preservação da espécie, sobretudo, porque problemas ambientais têm impactado no seu desaparecimento.

“Mais de vinte mil espécies de abelhas já foram descritas no mundo todo e um número exato ainda é desconhecido. Só no Brasil já foram identificadas mais de mil espécies, sendo um dos países no mundo que abriga uma das maiores diversidades de espécies de abelhas no mundo, cerca de 5%”, assinalam os pesquisadores Masaharu Ikegaki do Departamento de Alimentos e Medicamentos da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF), e Pedro Luiz Rosalen, visitante do Programa de Pós-Graduação em Ciências Biológicas (PPGCB).

De acordo com eles, a comemoração nesta data deve ser o nosso compromisso com a luta pela preservação e sustentação dessas espécies de abelhas. “Elas representam, acima de tudo, a continuidade da vida em nosso planeta, uma vez que cerca de 80% da polinização da agricultura da Terra depende deste inseto. Acredita-se que Albert Einstein foi o responsável pela célebre frase: ‘com o desaparecimento das abelhas da face da Terra, a espécie humana teria somente mais quatro anos de vida’, sentenciando o papel vital das abelhas na sobrevivência do homem”, acrescentam.

Pesquisadores da Universidade desenvolvem pesquisas com abelhas há 20 anos

Na UNIFAL-MG, um dos estudos desenvolvidos pelos professores Masaharu Ikegaki e Pedro Rosalen,  é voltado para a investigação da variedade de abelhas nativas brasileiras sem ferrão, as quais estão em extinção. O objetivo da pesquisa, que já tem 14 anos de desenvolvimento, é descobrir se a própolis e a geoprópolis (mistura de barro e própolis) possuem atividades farmacológicas para agregar valor às produções desta abelha nativa, de modo a proteger essas espécies da extinção.

“Os resultados dessa pesquisa podem contribuir de diferentes formas para a saúde da população, desde a forma mais lógica quando descobrimos propriedades farmacológicas interessantes que podem contribuir na prevenção ou cura de algumas doenças, ou de forma mais ampla, quando, sabendo que esses produtos possuem alguma atividade biológica, incentivará a sua produção, gerando renda ao pequeno produtor e melhorando a sua qualidade de vida”, revelam os pesquisadores.

Masaharu Ikegaki e Pedro Rosalen também desenvolvem uma pesquisa que estuda a diversidade e caracterização das própolis brasileiras produzidas por abelhas Apis mellifera, como fonte de novas moléculas com atividades biológicas e farmacológicas, e que possa ser incorporada a produtos de saúde, higiene, alimento e alimento funcional.

Atividade de campo da pesquisa coordenada pelo professor Angel Roberto Barchuk. (Foto: Arquivo/Grupo de Pesquisa)

O professor Angel Roberto Barchuk, do Departamento de Biologia Celular e do Desenvolvimento, vinculado ao Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) também é outro pesquisador que trabalha com abelhas na Universidade.  O docente está à frente de uma pesquisa que há 20 anos investiga os diferentes aspectos de como as castas de abelhas, tanto rainhas quanto operárias, se desenvolvem. “Os experimentos que mostram o desenvolvimento diferencial do cérebro em resposta à nutrição diferencial foram iniciados há 10 anos e os últimos, sobre os aspectos moleculares responsáveis por mediar a ação nutricional sobre o desenvolvimento inicial do cérebro há três anos, com a apoio do CNPq”, conta o pesquisador.

Segundo Angel Barchuk, muitas descobertas foram feitas ao longo dessas duas décadas de estudos. “Identificamos as redes moleculares que respondem à alimentação diferencial e levam ao maior desenvolvimento cerebral das abelhas. Mostramos também que os microRNAs — pequenas moléculas de ácidos nucléicos —, presentes na geleia real consumida pelas abelhas em desenvolvimento, modulam a formação do cérebro”, explica.

Outra pesquisa de relevância sobre o tema é desenvolvida pela professora Marina Wolowski Torres, do Instituto de Ciências da Natureza (ICN), especializada em temas como reprodução de plantas e interações planta-polinizador. A pesquisadora coordenou a elaboração do primeiro diagnóstico brasileiro de diversidade biocultural, que aponta riscos e oportunidades relacionados aos polinizadores, à polinização e à produção de alimentos no Brasil, lançado em 2019 pela Plataforma Brasileira de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (BPBES) em parceria com a Rede Brasileira de Interações Planta-Polinizador (REBIPP).

Atualmente, o grupo de pesquisa da docente elabora um projeto chamado “Síntese sobre Intensificação da polinização: Biodiversidade e Agricultura Sustentável (SPIN)”, cujo objetivo é fornecer evidências científicas sobre a polinização agrícola em nosso país e embasar iniciativas de restauração ecológica visando a conservação da natureza aliada à agricultura. “A polinização — interação entre as flores e seus animais polinizadores — é uma dessas contribuições para o bem-estar humano e para nossa segurança alimentar, além de ser fundamental para a manutenção e a estabilidade dos ecossistemas”, comenta.  

De acordo com a pesquisadora, a extensiva conversão de habitats naturais em áreas agrícolas e pecuária, e a intensificação da agricultura por meio do uso de insumos químicos afetam as populações de polinizadores e, consequentemente, a própria polinização das culturas agrícolas, o que leva ao desenvolvimento do projeto.

Para saber mais detalhes desses estudos, acompanhe a divulgação da série especial de reportagens a ser divulgada no Jornal UNIFAL-MG, a partir do dia 4 de outubro.

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