A privatização da Petrobrás interessa a quem?

No “cercadinho”, Bolsonaro chamou a maior empresa do Brasil de “monstrengo” e voltou a falar em privatização.

Débora Juliene Pereira Lima

O Brasil de Bolsonaro é uma terra de indecorosas experiências sociais e econômicas. Ao enredo de desemprego e pobreza, acrescenta-se a ameaça inflacionária, puxada pela alta dos preços dos alimentos e dos combustíveis.  Somente em 2021, os aumentos acumulados do preço da gasolina chegaram a 73%, de acordo com a Agência Nacional de Petróleo, Gás e Combustível.  

Esse cenário possui um personagem que não mediu esforços para que o país se tornasse um lugar de desarrazoadas truculências. Corroborado por charlatões fantasiados de políticos que insistem em repetir barbaridades, o presidente da república chamou a Petrobrás de “monstrengo” e voltou a falar em privatizar a estatal.

Essa afirmação reforça a incapacidade do governo diante da alta dos preços dos combustíveis e de outras questões que exigem o mínimo de foro. No momento em que a inflação ultrapassa 10% ao ano, apresentar a privatização da Petrobrás como solução interessa a quem?

A atual política de formação de preços da Petrobrás foi adotada durante o governo Temer para que houvesse paridade entre os preços nacionais e os negociados no mercado internacional. Com essa política, a variação cambial, assim como o preço internacional do barril de petróleo, passou a interferir diretamente nos preços de vendas dos combustíveis no Brasil. O resultado é a cobrança de preços abusivos ao consumidor final.

Ao contrário do que preconiza o discurso privatista, é responsabilidade do governo nacional controlar os preços de áreas estratégicas que interferem diretamente na condição de vida da população, como os de energia e combustíveis.

A Petrobrás possui tecnologia única para a extração de petróleo, gera centenas de milhares de empregos e é uma das maiores financiadoras de projetos culturais no país. Grande parte dos valores gerados por ela retornam à União, Estado e Municípios em forma de royalties. Com a privatização, esses royalties serão enviados para o grande capital internacional.

A gestão pública da Petrobrás é imprescindível para que o anseio de obtenção de lucros não esteja acima dos interesses nacionais. A privatização da maior empresa do Brasil interessa somente aos grandes grupos internacionais que não tem nenhuma responsabilidade com o país.   

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