“Tio Frank”, de Alan Ball, por Geraldo Liska

Quando recebi o convite da Dicom para a indicação de uma obra artística, pensei logo no filme Tio Frank (Amazon). O personagem principal (Paul Bettany) é um homem gay de 46 anos vivendo na década de 70, professor de literatura na New York University, e é o parente mais próximo da sua sobrinha Beth Bledsoe, narradora da história.

Quando chega a NYU, a sobrinha fica surpresa ao saber sobre a homossexualidade do tio e ainda mais por ter escondido Wally de sua família, marido de Frank há dez anos. Wally é muçulmano e imigrante da Arábia Saudita, o que amplia a visão de mundo ainda mais da narradora. Ele conta que deixou seu país natal para evitar ser processado e decapitado na condição de homossexual.

(Divulgação)

Quando o pai de Frank morre, Wally incentiva o parceiro a viajar para o velório como uma oportunidade de se reunir com sua família. Frank fica apavorado com isso, pois existe um passado dolorido e com o qual evitou lidar depois de fazer sua vida fora do vilarejo.

Por meio de flashbacks, descobrimos que o pai de Frank o rejeitou quando o pegou em um encontro sexual com outro menino aos dezesseis anos. Seu pai acreditava que seu filho iria para o inferno por seu comportamento e nunca foi capaz de aceitá-lo. Frank também sente culpa por outros eventos em seu passado, revelados ao longo da trama, e que contribuíram para o seu próprio alcoolismo.

É interessante lembrar que Alan Ball, escritor e diretor do roteiro, conta a história poucos anos após a revolta de Stonewall, que iniciou o movimento dos direitos dos homossexuais em Greenwich Village, onde Frank vive atualmente.

Assim como o pai, sua mãe e seus irmãos compartilham um mundo cristão conservador que não tolera a homossexualidade ou mesmo consciência do que veio a ser conhecido como identidades LGBTQIAP+. Wally, mesmo como um muçulmano religioso que faz suas orações diárias, é capaz de acreditar que Deus os aceita como eles são, mas a maioria dos estadunidenses da época não.

Essa história nos traz esperança não apenas na afirmação de Wally de que Deus os aceita, mas também nos membros da família de Frank que conseguem reconciliar sua fé com uma aceitação amorosa do membro da família como ele é.

Uma curiosidade: Alan Ball escreveu outro filme de grande sucesso de crítica e bilheteria, Beleza Americana, e é casado com Peter Macdissi, ator que deu vida ao personagem Wally.

Onde assistir:
Amazon Prime 

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