Entrevista: professores da Faculdade de Medicina encerram mês do Outubro Rosa com mensagens sobre sintomas, diagnóstico e tratamento do câncer de mama

Outubro é o mês em que se realiza a campanha de conscientização sobre o câncer de mama, conhecida mundialmente por “Outubro Rosa”. Mas como identificar os sintomas da doença? Qual o papel da Universidade na divulgação de conhecimentos científicos sobre o tema? Como é feito o tratamento do câncer de mama? Essas e outras questões foram respondidas pelos professores Roberto Conde e Laís Barros, da Faculdade de Medicina (Famed), para entrevista no Jornal UNIFAL-MG. Confira: 

Por que é importante falar sobre câncer de mama com a campanha “Outubro Rosa” (e durante todo o ano)?

Prof. Roberto Conde Santos: A campanha “Outubro Rosa” é uma maneira de chamar a atenção aos cuidados a serem tomados na detecção precoce do câncer de mama, visto que esse tipo de câncer é atualmente o mais incidente entre as mulheres no mundo, e com alta taxa de morbidade e mortalidade. 

“Falar em prevenção é salvar vidas”, destaca a Profa. Laís Barros. (Foto: Arquivo)

Profa. Laís Barros: Falar em prevenção é salvar vidas. Outubro é o mês representativo na prevenção, mas devemos estar sempre atentas às mudanças do nosso corpo – em especial às mamas –, fazer o autoexame, procurar o médico especialista sempre que notar alguma alteração e, nos períodos regulares de rastreio, realizar os exames de imagem adequados regularmente para sua idade. Todas as mulheres acima de 40 anos devem realizar mamografia anualmente.

Como identificar os primeiros sintomas da doença? O que fazer após o diagnóstico?

“Uma vez diagnosticado o câncer de mama, o envolvimento de familiares e profissionais da saúde […] é fundamental para o tratamento físico e psicológico destas mulheres”, diz o Prof. Roberto Conde

Prof. Roberto Conde Santos: Quando percebidos os primeiros sintomas pela paciente, o câncer de mama já se encontra em estágio mais avançado e com menores chances de cura. Porém, quando se faz o rastreamento através da mamografia (método escolhido pela Organização de Saúde), segundo a qual se deve realizar uma mamografia anual a partir dos 40 anos de idade (complementados com ultrassonografia de mamas em caso de mamas densas), tem-se a oportunidade de detecção precoce em estágios iniciais e ainda não percebíveis clinicamente, o que aumenta muito as chances de cura. 

Profa. Laís Barros: O câncer de mama pode se manifestar de diversas formas, como nódulo, alterações na pele ou no mamilo, fluxo pelo mamilo, linfonodo axilar palpável, lesões e alterações apenas nos exames de imagem. O diagnóstico é feito por biopsia e, após isso, deve ser planejado o tratamento adequado.

Há formas de prevenção contra o câncer de mama? Quais hábitos a mulher deve seguir para manter a saúde em dia?

Prof. Roberto Conde Santos: Não há propriamente prevenção, mas sim medidas a serem adotadas para que haja a redução do risco de desenvolver o câncer de mamas, que são: a) não ingerir bebidas alcoólicas; b) praticar atividade física; c) alimentar-se de forma saudável; d) não fumar; e) ter o peso corporal adequado; f) evitar o uso de hormônios sintéticos em altas doses.

Profa. Laís Barros: É importante ter uma boa qualidade de vida, com isso falamos em: ter alimentação saudável, praticar atividade física, amamentar, evitar uso de drogas, etilismo, tabagismo e exposição frequente à radiação ionizante (raio-x).

Qual o papel da universidade, com a pesquisa e a extensão, para divulgar conhecimentos científicos sobre o câncer de mama?

Conforme destacou o docente Roberto Conde, se diagnosticado o câncer de mama, o envolvimento de familiares, profissionais de saúde, médicos, enfermeiros, psicólogos, fisioterapeutas é fundamental para o tratamento físico e psicológico das mulheres. (Foto: Arquivo Pessoal)

Prof. Roberto Conde Santos: A universidade tem um papel fundamental no auxílio da divulgação e conscientização do autoexame, exame clínico por profissionais de saúde em postos de saúde e a realização de mamografias anuais em mulheres após os 40 anos de idade. Nossas equipes de profissionais de saúde, em especial médicos e enfermeiros, estão capacitadas para essa orientação. 

Profa. Laís Barros: A universidade é de extrema importância na propagação de informações e aprimoramento do conhecimento a respeito de câncer de mama, assim como promover pesquisa. Quanto mais informação, maior prevenção.

Como é feito o tratamento da doença? Qual é o papel da rede de apoio (familiares, médicos e amigos) para a confiança das pacientes?

Prof. Roberto Conde Santos: A detecção de nódulos mínimos, agrupamento de calcificações, distorções do tecido mamário à mamografia são sinais percebíveis precocemente à mamografia e indicativos de possível câncer de mama. 

“Falar em prevenção é salvar vidas. Outubro é o mês representativo na prevenção, mas devemos estar sempre atentas às mudanças do nosso corpo”, salienta a Profa. Laís Barros

Deve-se realizar biópsias e, se confirmada a positividade para câncer, instituir os tratamentos pertinentes a cada caso em específico, tais como: cirurgias com retirada de setores da mama, quadrantectomia (retirada de 1/4 da mama) e/ou mastectomia total, pesquisa de comprometimento de linfonodos axilares e posterior radioterapia, quimioterapia e/ou hormonioterapia.

Uma vez diagnosticado o câncer de mama, o envolvimento de familiares, profissionais de saúde, médicos, enfermeiros, psicólogos, fisioterapeutas é fundamental para o tratamento físico e psicológico destas mulheres. 

Profa. Laís Barros: O  tratamento de câncer de mama gira em torno de 3 estágios: cirurgia, quimioterapia e radioterapia, sendo o tratamento indicado dependendo de características tumorais e pessoais. Isso abala muito a autoestima da mulher – tanto a queda de cabelo que pode ocorrer com a quimioterapia como a cirurgia da mama, pois, em muitas vezes, pode ser necessário retirar toda a mama.

Nesse momento,  o apoio da família e a fé são de extrema importância para a paciente, apresentando melhores resultados tanto na tolerância ao tratamento quanto a resposta terapêutica. 

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