Farmácia Universitária intensifica dispensação de fitoterápicos à população de Alfenas; parceria com a prefeitura possibilita distribuição gratuita pelo SUS

A parceria entre a Farmácia Universitária (FarUni) da UNIFAL-MG e a Prefeitura de Alfenas tem possibilitado a distribuição gratuita de medicamentos fitoterápicos para população de Alfenas por meio do SUS.  Ação, iniciada em 2018, com aprovação em edital do Ministério da Saúde, ganhou reforço com eventos sobre o tema e com a mobilização da equipe da FarUni na visitação de Programas de Saúde da Família (PSF) da cidade para apresentação do projeto aos médicos e outros profissionais da saúde.

Equipe da FarUni orienta a comunidade sobre o uso correto de medicamentos. (Foto: arquivo/FarUni)

Nas visitas, ocorridas nos meses de agosto e setembro deste ano, a equipe formada pelo professor Tiago Marques dos Reis, chefe da Farmácia Universitária,  pela professora Luciene Alves Moreira Marques e pela farmacêutica Juliana de Ávila Silva, coordenadora da Assistência Farmacêutica Municipal, apresentou os fitoterápicos que foram padronizados na Relação Municipal de Medicamentos (Remume), a produção na FarUni e a distribuição gratuita aos usuários do SUS.

“A FarUni está realizando todo o processo de produção, com todo o rigor do controle de qualidade necessário e exigido pela legislação vigente, e dispensação dos fitoterápicos. Além disso, a FarUni oferece consultas com farmacêuticos para avaliação do problema de saúde e acompanhamento do tratamento medicamentoso, de modo a assegurar a necessidade, efetividade, segurança e adesão do uso dessas estratégias terapêuticas”, destacou Tiago Marques.

Segundo a coordenadora da Assistência Farmacêutica Municipal, a implementação da Fitoterapia no SUS resgata, além da incorporação de mais uma terapêutica às possibilidades de tratamento de saúde, uma prática milenar que une o conhecimento científico e o conhecimento popular e seus diferentes entendimentos. A utilização da fitoterapia na Atenção Básica, de acordo com Juliana Silva, também valoriza a cultura e o saber popular, sendo essa uma forma de inserir o indivíduo como agente no processo saúde-doença.

A produção da Farmácia Universitária segue protocolos para garantir a qualidade dos medicamentos. (Foto: arquivo/FarUni)

Sobre a parceria com a FarUni nesse movimento, a farmacêutica relata que a participação da UNIFAL-MG é fundamental para realização do projeto. “Sem a parceria com a UNIFAL-MG, um projeto dessa natureza é quase impossível de se concretizar, pois o estudo e a pesquisa são partes fundamentais que sustentam os pilares dessa prática na Atenção Básica de saúde”, ressaltou.

Para o professor Tiago Marques, a inclusão de fitoterápicos no SUS amplia as possibilidades de atuação da FarUni na oferta de estágios e contribui para formação profissional e humanística para os discentes do curso de Farmácia.  O chefe da farmácia universitária relata que os processos e serviços são executados por farmacêuticos ou por pessoal treinado, sob supervisão de farmacêuticos, e orientação de docentes com expertise na área de Assistência Farmacêutica e Farmácia Clínica.

“Em adição, a parceria amplia a carteira de serviços oferecidos pela Instituição à comunidade e otimiza a utilização dos recursos humanos lotados na FarUni, em uma atitude de responsabilidade e respeito com o investimento público na Farmácia Universitária”, relatou Tiago Marques.

Atualmente, a Farmácia Universitária produz a cimicifuga (Cimicifuga racemosa), espinheira santa (Maytenus ilicifolia), melissa (Melissa officinalis) e passiflora (Passiflora incarnata).  A distribuição para comunidade é mediante receita médica. 

“Se é fitoterápico não faz mal?”

O professor Marcelo Aparecido da Silva, coordenador do curso de Farmácia e integrante do Laboratório de Plantas Medicinais e Fitoterápico (LPMF) da Faculdade de Ciências Farmacêuticas, responde essa pergunta. E a resposta é “não”! Conforme o docente, se o fitoterápico não for bem prescrito e orientado, pode trazer transtornos para saúde do paciente. “A prescrição feita de forma correta e com os conhecimentos necessários para isso traz benefícios para aquele que vai utilizar os fitoterápicos”, alertou.

O coordenador do curso de Farmácia destaca também que, diante dos riscos da automedicação e de prescrições incorretas, a formação do futuro profissional farmacêutico é cada vez mais necessária para garantir o uso correto e responsável do medicamento fitoterápico. “Durante o curso de graduação em Farmácia na UNIFAL-MG, o estudante passa por disciplinas teóricas e práticas que possibilitam o aprendizado sobre todo o processo de obtenção e formulação de produtos fitoterápicos, além de também aprender como atuam os medicamentos fitoterápicos no organismo humano. Isso traz para o estudante uma visão de todos os processos que envolvem a produção e o uso dos fitoterápicos” explicou o professor Marcelo da Silva.

Docentes e discentes Integrantes do LPMF em foto antes da pandemia de covid-19. (Foto: arquivo LPMF)

Já para a pergunta “se os medicamentos fitoterápicos são eficientes?”, a resposta do professor Marcelo da Silva é “sim!”. “Todo medicamento fitoterápico passa por protocolos científicos para comprovar a eficácia, a segurança e a qualidade do medicamento. Sendo assim, quando disponibilizado para uso terapêutico, a sua eficiência está assegurada de forma padronizada e científica para o uso da população”, respondeu.

Na UNIFAL-MG além de disciplinas Farmacobotânica, Farmacognosia e Fitoterapia no curso de graduação, o Laboratório de Plantas Medicinais e Fitoterápico atua na pesquisa de fitoterápicos, principalmente utilizando os conhecimentos populares para nortear as escolhas das espécies vegetais de estudo. Também são desenvolvidos projetos que trabalham com estudos farmacológicos de eficácia, segurança dos insumos obtidos das espécies e estudos para elaboração e desenvolvimento de protocolos de qualidades para aplicação no controle de qualidade de produtos fitoterápicos.

Atualmente, o LPMF possui 37 pesquisadores, entre discentes e docentes, com pesquisas de doutorado, mestrado, iniciação científica e TCC.  O laboratório  atua na extensão universitária com projetos desenvolvidos junto às comunidades de Alfenas e da região, trabalhando com conhecimentos sobre o uso medicinal de plantas e sobre plantas tóxicas e suas intoxicações.

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