Projeto “Museus das Rexistências”, da UNIFAL-MG, ganha visibilidade internacional ao integrar programação do Glasgow Science Centre, na Conferência das Nações Unidas (COP 26); alternativa museológica inovadora busca potencializar justiça climática

O projeto de extensão Existances Museums – Museus das Rexistências”, da UNIFAL-MG, esteve presente no Glasgow Science Centre, como parte dos eventos relacionados à Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP 26), com a exibição de vídeos elaborados com três comunidades sul-mineiras. Participaram das produções a Tenda de Umbanda e Candomblé Mãe Baiana de Aguiné, de Alfenas; o Coletivo de Mulheres Raízes da Terra, de Campo do Meio; e uma família de produtores de marolo, no município de Paraguaçu.

Maquete em Glasgow, na Escócia, sobre o projeto Reimagining Museum for Climate Action. (Foto: Jonathan Gardner)

Fruto de parceria entre o GP Heranças Cosmológicas e Devires Extramodernos, o Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas (Neabi) e o Museu da Memória e Patrimônio, a proposta museológica inovadora compartilha o desejo de enfrentamento à atual emergência climática, a fim de possibilitar futuros verdes e troca de saberes ecológicos, bem como refletir sobre os pilares: “Quem pode construir um museu?”, “Que tipos de espaços ele pode ocupar?” e “Um museu deve durar pra sempre?”. 

“Os museus geralmente são considerados espaços distantes e elitistas, mas tentamos mostrar justamente que qualquer pessoa pode construir, em qualquer lugar, o seu próprio espaço museal. A nossa proposta foi construir, junto com essas comunidades, possibilidades de apresentar as suas diferentes histórias de resistência àquilo que se tem chamado de ‘racismo ambiental’”, explicou o Prof. Walter Francisco Figueiredo Lowande, do Instituto de Ciências Humanas e Letras da UNIFAL-MG.

Tenda de Umbanda e Candomblé Maria Baiana de Aguiné. (Foto: Reprodução/Museu das Rexistências)

De acordo com o docente, ao demonstrar que esses espaços também podem ser construídos com materiais recicláveis ou renováveis, com baixa pegada de carbono, foi possível abranger a temática de sustentabilidade. “Foi justamente isso que chamou a atenção dos organizadores do evento que hoje compõe a Green Zone, da COP 26. Foi por esse motivo que nossa equipe foi convidada a participar do painel de encerramento da última Conferência da Associação Britânica de Museus, realizada no início desta semana”, salientou o professor. A iniciativa da UNIFAL-MG foi selecionada entre 264 propostas de 48 países.

Quilombo Campo Grande. (Foto: Reprodução/Museu das Rexistências)

Para a produção dos vídeos, o projeto buscou comunidades sul-mineiras cujas práticas se dessem de acordo com a perspectiva da justiça climática. “Todas elas atendem, de um modo ou de outro, a essa desconstrução. A Tenda de Umbanda e Candomblé, pelo próprio caráter politeísta de seus cultos; o Coletivo de Mulheres Raízes da Terra, pela relação de respeito e afeto que estabelece com a terra; e os maroleiros e maroleiras, nomes que remetem tanto às árvores quanto a quem as cultiva, pela resistência em relação à existência”, disse a servidora Nayhara Pereira Thiers Vieira. Todos os vídeos trazem relatos e estão disponíveis no site do projeto “Museu das Rexistências”, com informações específicas das produções.

O marolo e as maroleiras e os maroleiros de Paraguaçu-MG. (Foto: Reprodução/Museu das Rexistências)

“As comunidades que contribuíram com o nosso projeto mantêm vivas, de diferentes maneiras, essas ‘cosmopercepções comunitárias’, que são, a nosso ver, o principal patrimônio cultural, ou melhor, cosmológico, de que dispomos para uma adaptação possível às transformações globais, em suas diferentes manifestações regionais, pelas quais estamos passando no presente”, completou o Prof. Walter Lowande.

Acesse os vídeos no link: https://www.unifal-mg.edu.br/museusdasrexistencias/historias-de-rexistencias-2/

Conceito de “Museus das Rexistências” 

O projeto da UNIFAL-MG se fundamenta no neologismo “existances”, formado pela combinação das palavras inglesas “existences” (existência) e “resistance” (resistência), inspirado nas cosmologias africanas e ameríndias. Na prática, busca-se formar parceria com as comunidades, para as quais serão oferecidas oficinas de bioconstrução de cúpula geodésica feita de materiais sustentáveis da própria região, trocando conhecimento sobre formas alternativas de habitação de baixo impacto. A construção proposta tem a vantagem de ser rápida e ecoeficiente, com baixo impacto e custo.

Desenho de cúpula geodésica feita de materiais sustentáveis. (Foto: Arquivo/Museu das Rexistências)

“Em vez de envenenar o solo com pesticidas, derrubar florestas para criar pastagens e liberar excessivas quantidades de dióxido de carbono por meio da pecuária, práticas tradicionais influenciadas pelas heranças cosmológicas dos povos africanos e ameríndios, combinadas com novas tecnologias agroecológicas, permaculturais e bioconstrutivas, são alternativas urgentes para construir futuros verdes capazes de combater as formas locais de desestabilização do sistema terrestre”, afirmou o docente Walter Lowande. 

De acordo com o site Museums for Climate Action, a ideia do projeto é, em vez de colecionar objetos históricos, permitir às pessoas que se reúnam e conheçam práticas alternativas para estimular uma relação mais harmoniosa com a natureza. O Museu das Existências imagina uma rede de pequenas estruturas temporárias que espalham o conhecimento por uma região específica – neste caso, o sul de Minas Gerais.

Repercussão nacional e internacional

A alternativa museológica da UNIFAL-MG ganhou destaque em matérias internacionais sobre a exposição no Glasgow Science Centre. Entre eles, estão os portais UK Research and Innovation The Churchill Fellowship. O projeto também está sendo divulgado em eventos e instituições fora do país, como México, Escócia e Amsterdã. 

No dia 23/11, às 19h30, o Museu será apresentado durante a roda de conversa Diálogos de Rexistências, que compõe a programação do Mês da Consciência Negra da UNIFAL-MG. Na oportunidade, será exibido um vídeo enviado por representantes do Reimagining Museums for Climate Action (UK Arts and Humanities Research CouncilGlasgow Science Centre) especialmente para a ocasião.

Saiba mais 

O projeto da UNIFAL-MG foi selecionado após os professores e pesquisadores ingleses Rodney Harrison (UCL), Colin Sterling (Universidade de Amsterdã) e o museólogo escocês Henry McGuie proporem uma parceria com o Glasgow Science Centre, com o patrocínio da UK Arts and Humanities Research Council, com o intuito de incentivar ações na área da museologia e do patrimônio que pudessem contribuir para o enfrentamento do aquecimento global. Além de compor as atividades culturais da COP 26, o Reimagining Museums for Climate Action também foi selecionado pelo site Google Arts & Culture como uma das “5 big ideas” (5 grandes ideias) da Green Zone, da COP 26. 

Inicialmente desenvolvido pelos professores Natalino Neves da Silva, da UFMG, e Walter Francisco Figueiredo Lowande, da UNIFAL-MG, pelos servidores técnico-administrativos João Francisco Vitório Rodrigues e Nayhara Pereira Thiers Vieira, coordenadora do projeto de extensão Museus das Rexistências, pela geógrafa e ativista Jairza Silva e pela museóloga Luciana Menezes, a iniciativa pretende organizar encontros com a comunidade acadêmica e coletivos externos à UNIFAL-MG, além de estabelecer diálogo com comunidades da região interessadas em desenvolver iniciativas museais por meio das quais possam contar as suas próprias.

Para saber como participar, acesse: https://www.unifal-mg.edu.br/museusdasrexistencias/conte-suas-historias/

Confira as redes sociais do projeto: InstagramTwitterFacebook e Youtube. 

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